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Os desafios da falta de profissionais qualificados no setor de TI

Em meio à concorrência, empresas recorrem à formação interna e à busca por especialistas em outras cidades e estados

Da Redação

26/06/2019 às 18h00

Foto: Shutterstock

Em meio à crise econômica que já dura anos e com uma taxa de desemprego em torno de 12,7% - o que equivale a mais de 13 milhões de pessoas, chama a atenção o número de vagas não preenchidas no setor de TI por conta da falta de mão-de-obra qualificada. Um problema que tem acirrado a concorrência das empresas de tecnologia pelos talentos existentes, comprometendo os resultados.

“As empresas querem recrutar os profissionais mais qualificados, que estão inseridos há mais tempo no mercado e sabem como o setor funciona. Isso faz com que a rotatividade seja grande”, explica, Eduardo Varela, CEO da
Codenation, startup que tem foco em amenizar o problema da falta de qualificação.

Criada em 2017, a Codenation prepara profissionais para o mercado de trabalho por meio de programas de capacitação oferecidos em parceria com as empresas de tecnologia. A startup iniciou suas operações com a aceleração de desenvolvedores para Neoway, Resultados Digitais e Loadsmart.

Treinamento em casa

Localizada em Timbó, no interior de Santa Catarina, a Telecom Unifique, que atua como de internet banda larga fixa e também oferece serviços de TV por assinatura, telefonia digital e data center corporativo, aposta na formação de seus colaboradores para garantir profissionais qualificados, uma vez que a oferta na região é ainda menor do que nas grandes cidades.

Por outro lado, como o número de empresas com base tecnológica também é menor, a Telecom tem a vantagem de não ter concorrência direta. Atualmente, a empresa tem cerca de 700 colaboradores, entre diretos e indiretos. Segundo Cátia Calliari, gerente de desenvolvimento organizacional e humano, o maior desafio está no preenchimento das vagas mais técnicas e específicas do setor de telecomunicações.

Quando não consegue suprir esta demanda com promoções internas, a empresa acaba tendo que buscar profissionais em outras regiões. Nessa hora, conta com a alta qualidade e o baixo custo de vida da cidade de Timbó, além do incentivo à ascensão na empresa. “Se eu tivesse que escolher o principal fator de retenção eu diria que são as oportunidades de crescimento que surgem internamente”, afirma Cátia.

Profissionais de fora

A desenvolvedora de software Softplan busca constantemente por talentos. Para Edson Tadayoshi Honma, Diretor de Desenvolvimento Humano e Organizacional, é difícil encontrar em Florianópolis, sede da empresa, os profissionais capacitados. "Hoje, quando contratamos pessoas, 80% delas são de fora de Florianópolis. Há 6 meses ou 1 ano, 60% eram daqui. Por isso, estamos aumentando alcance no país todo, contratando em estados como SP, RJ, MG e nas regiões Norte e Nordeste, além de estimular programas de estágio e novos talentos, para formar a mão-de-obra de que precisamos", afirma.

Atualmente, a Softplan possui 1,8 mil funcionários. Do total, 1,1 mil estão na sede, em Florianópolis; outros 350 em São Paulo; os demais, em outras regiões brasileiras. No último ano, a Softplan contratou 650 pessoas; em 2017, foram 540. Hoje, cerca de 120 vagas continuam abertas, especialmente na área técnica, para desenvolvimento de softwares.