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Em breve todo cartão de crédito poderá ser igual ao Apple Card

Empresa de Cupertino vem trabalhando em novo projeto focado em tecnologias similares junto com Mastercard e Goldman Sachs

Jonny Evans, Computerworld/EUA

03/06/2019 às 18h00

Foto: Shutterstock

O plano da Apple para transformar o mundo dos cartões de crédito à imagem do Apple Card parece ter progredido para além do que qualquer um poderia ter imaginado, graças a um projeto secreto com a Mastercard.

A novidade é que a Apple, o Goldman Sachs e a Mastercard estiveram trabalhando juntos sem alarde para tornar tecnologias similares para que sejam usadas por outras emissoras de cartões de crédito.

O site especializado Payments Source afirma que o projeto está sendo desenvolvido há cerca de 18 meses e significa que os bancos poderão utilizar o sistema da Mastercard para usar cartões apenas digitais.

Gerenciados por meio de apps, esses cartões serão complementados por versões físicas que – assim como o Apple Card – dispensam os códigos numéricos CVC e PAN e não trazem nenhuma informação do usuário.
Isso não significa que todo banco vai lançar cartões desse tipo, mas quem escolher esse caminho poderá realizar esses lançamentos daqui cerca de seis meses, de acordo com a reportagem em questão.

Nunca houve muita dúvida de que todo emissor de cartão eventualmente oferecerá esses cartões digitais conectados com apps. O sucesso de ofertas do tipo por meio de fintechs nos últimos faz com que um movimento do tipo seja praticamente inevitável.

A decisão da Mastercard de desenvolver tecnologias digitais para habilitar os emissores de cartões a introduzirem cartões de crédito como o Apple Pay significa que o foco para os emissores de cartões também vai mudar.

Não será apenas sobre planos de fidelidade e design do cartão: integração com app, ferramentas de engajamento e serviços adicionais úteis também verão uma evolução rápida à medida que emissores de cartões, incluindo a Apple, buscam desenvolver propósitos únicos de vendas para atrair mercados específicos.

Dentro desse contexto, alguns pontos relacionados à Apple, incluindo a habilidade de desenvolvimento de software, base apaixonada de usuários e tamanho de mercado, constituem uma vantagem significativa.

A Apple inevitavelmente vai focar em integração com apps e serviços relacionados construídos em trono do Apple Card, e isso faz com que seja altamente provável que a empresa agora busque outras ofertas financeiras em que as suas tecnologias podem ser usadas para inovar os relacionamentos e a entrega com o consumidor.
Saúde, seguro, veículos de poupanças e serviços de pagamentos (Apple Pay Cash) para áreas razoáveis para experimentos e expansão futura.

Esse foco em saúde poderá até mesmo ver a companhia de Cupertino se articular em torno de outros segmentos emergentes – como serviços de concierge, espaços de coworking, e até mesmo clubes de saúde.
A Apple tem o dinheiro para investir bilhões em uma expansão estável dos seus espaços de varejo, então a empresa certamente tem o potencial de reinventar o que essas lojas realmente fazem.

O que está acontecendo nesta fase da transformação digital da vida cotidiana é que quase todos os elementos estão se tornando parte da chamada economia compartilhada (gig economy). Plataformas como Airbnb e Uber, entre outras, ilustram a maneira como muitos produtos e serviços serão disponibilizados em breve.

Quer assegurar espaço no escritório, instalações de comunicação e colaboração, provisionar e implementar números móveis digitais para uma rede global de funcionários e criar um sistema com folha de pagamento, contabilidade e serviços financeiros para apoiar a empresa que você criar?

Haverá um app para isso.

Esse é o tipo de mudança fundamental em como vivemos que a Apple e outras empresas habilitaram por meio do desenvolvimento de tecnologias principais impulsionando tais mudanças e também em busca de lucros a partir de hardware, software e serviços feitos para suprir as necessidades desta mudança.

Pode parecer uma quantidade bem grande de previsões a fazer com base no projeto de tecnologia da Apple, Goldman Sachs e Mastercard, mas se você ainda não está olhando para onde a bola está indo, então você provavelmente já perdeu o jogo.

O que torna isso mais interessante é que o cofundador e ex-CEO da Apple, Steve Jobs, visualizou inicialmente um cartão de crédito com a marca da empresa lá em 2004.

O ex-diretor criativo da companhia, Ken Segall, revelou tal informação no início de 2019, afirmando que a visão de Jobs recompensaria os usuários do cartão com iPoints, que poderiam ser gastos para comprar músicas na iTunes Store.

Aproximadamente 15 anos depois, a Apple recompensa os usuários do Apple Card com chashback de 3% ao realizarem compras de produtos ou serviços da empresa. Eventualmente parece possível que o cashback obtido nas compras de produtos Apple vai se transformar em um meio de troca para a sua próxima viagem pela vizinhança com o Apple Car.

Talvez.