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Agricultura Digital para um futuro mais frutífero

Transformação digital no campo e na cadeia de suprimentos começou a mostrar seus efeitos nos últimos anos

Ulisses Mello*

30/05/2019 às 18h00

Foto: Shutterstock

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Base para a economia global e segmento avaliado em US$ 2,4 trilhões, o agronegócio tem mostrado fôlego e espaço para transformações, mesmo em meio às incertezas do mercado. Esse peso tem ainda mais relevância se levarmos em consideração projeções sobre o aumento das demandas da população e comparamos esses dados com nossa atual realidade. Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), em 2050, com 9 bilhões de pessoas no planeta, a produção de alimentos terá que aumentar 70%. E não é só isso: para sermos sustentáveis, é esperado que essa produção em 30 anos deva acontecer sem nenhum acréscimo de terras aráveis.

Somando informações inquietantes como estas a fatores como mudanças climáticas, preocupações com a segurança alimentar e necessidade de diminuição de desperdício, o setor agro foi levado a buscar inovações para proteger e melhorar o rendimento da cadeia de alimentos.

E nos últimos anos a transformação digital no campo e na cadeia de suprimentos já mostra seus efeitos. Um estudo recente da Embrapa destacou que 61% dos produtores rurais já usam smartphones e que o aplicativo de mensagens WhatsApp é o principal meio de comunicação na zona rural, com 96% de adesão entre os que acessam a internet.

Em meio à conectividade, a inteligência artificial está emergindo constantemente como parte da evolução tecnológica desse mercado. Para auxiliar na tomada de decisão do produtor, mesmo os pequenos e médios, pesquisadores vêm desenvolvendo e colocando em funcionamento ferramentas que combinam informações climáticas – incluindo dados históricos, atuais e modelos de previsão de tempo – com métricas de cultivos para possibilitar o acesso a previsões mais exatas e contribuir com o aumento da produção e a lucratividade usando agricultura de precisão.

Por meio dessas plataformas, que avaliam os dados em um registro de campo eletrônico e usam sistemas como o Blockchain, os agricultores podem, inclusive, trabalhar em conjunto com instituições como empresas de alimentos, processadores de grãos ou distribuidores de produtos para alavancar insights e elaborar estratégias mais eficazes.

Estas ferramentas podem ajudar, além disso, a rastrear os cultivos, bem como entender as condições ambientais, climáticas e biológicas das plantas que apresentam um bom ou mau rendimento, e assim melhorar o gerenciamento de irrigação, a análise de risco de pragas e doenças, e comparar subconjuntos de campos semelhantes.

Na prática
Em resumo, estas tecnologias podem ser a chave, por exemplo, para uma empresa de criação de gado eliminar determinados fungos dos grãos de ração ou identificar as melhores práticas de irrigação de lavoura para os agricultores usarem em áreas atingidas pela seca.

Podem ajudar, também, a produzir aquela batata frita perfeita para uma cadeia de fast food que precise de batatas mais longas – e não mais largas. Ou ainda um distribuidor de cerveja a produzir um produto gourmet mais acessível ao cultivar uma cevada de maior qualidade que atenda ao padrão exigido para se tornar uma cevada maltada.

Vale ressaltar que, mesmo que nossos avanços sejam grandes, ainda temos muito o que desbravar e expandir com ajuda da sensorização do campo – uma fazenda média gera cerca de 500.000 pontos de dados por dia e a meta é que eles cresçam para 4 milhões de pontos de dados até 2036.

A certeza que fica é a de que o futuro é verde e os benefícios mais que frutíferos, é só esperar.

*Ulisses Mello é diretor do Laboratório de Research da IBM Brasil