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5 Perguntas para o CEO: Luis Banhara, da Citrix

Executivo fala sobre o ambiente de trabalho do futuro ideal, destaca o mercado de cloud no Brasil e avalia recepção à plataforma Worksapce

Luiz Mazetto

16/05/2019 às 10h00

Foto: Divulgação

Para o Country Manager da Citrix no Brasil, Luis Banhara, o espaço de trabalho ideal é aquele que torna o profissional mais satisfeito – e produtivo.

“Para mim, esse ambiente pode ser na varanda da minha casa. Para outra pessoa, eventualmente, pode ser na casa de campo dela”, afirma o executivo, que já atuou em outras gigantes de tecnologia, como Microsoft e SAP.

Desde o ano passado, a companhia norte-americana aposta na plataforma Workspace, que unifica suas soluções corporativas, para impulsionar o trabalho digital e fornecer uma melhor experiência aos usuários e empresas.

Na entrevista abaixo, Banhara fala sobre o primeiro ano do Worksapce, o mercado de cloud no Brasil, as expectativas para 2019, como é o ambiente de trabalho do futuro ideal e a posição de protagonista que a tecnologia vem ocupando nas organizações.

Computerworld Brasil: Há cerca de um ano, a Citrix apresentou o Workspace, que unifica as soluções corporativas de trabalho da empresa. Como foi esse primeiro ano da plataforma em termos de recepção e aceitação no mercado?

Luis Banhara: O Workspace está tendo um nível de aceitação muito interessante porque expande o impacto que a Citrix tem dentro do cliente. A Citrix é bastante conhecida pela parte de virtualização, e agora o Workspace trouxe todas as aplicações para esse ambiente. Com essa plataforma, a gente conseguiu encaixar uma solução que ajuda tanto o CEO a ter um controle maior do ambiente quanto o usuário a ter uma experiencia melhor. E isso tudo está conectado pelo momento de cloud que o Brasil está passando, que é muito positivo.

CW: Pensando nisso, como seria o ambiente de trabalho do futuro ideal na sua opinião?

Banhara: Eu costumo dizer que o espaço de trabalho ideal é aquele que torna o usuário mais satisfeito. Para mim, esse ambiente pode ser na varanda da minha casa. Para outra pessoa, eventualmente, pode ser na casa de campo dela. Ou seja, no local onde o profissional se sente mais produtivo. E esse talvez seja o grande paradigma cultural que a gente enfrenta atualmente. Porque a tecnologia para que o trabalho seja onde você acredita estar mais produtivo já existe. O que precisa acontecer é evoluir a questão cultural nas empresas sobre como operar nesta nova realidade.

CW: Em 2018, a meta da Citrix era ter pelo menos 50% das vendas em cloud no país, sendo que a empresa alcançou a marca de 80% no primeiro trimestre daquele ano. Como foram os resultados da empresa no último ano?

Banhara: A gente cresceu bastante, mundialmente falando. No Brasil, tivemos um crescimento de cerca de 35% da subsidiária no geral. E conseguimos continuar crescendo a parte de cloud, perto dessa vizinhança, dos 80%. A gente vem ganhando tração no mundo de cloud, e essa é uma característica muito do Brasil. Foi publicada recentemente uma pesquisa (da Citrix) que aponta que o Brasil é o país da América Latina com o maior número de empresas usando serviços de nuvem, com cerca de 57%, e com maior intenção de investimento nos próximos anos, com 74%.  Isso é muito importante porque você tem empresas cujas jornadas de cloud estão ligadas. E você tem outros clientes – em formato de SaaS. Nós conseguimos ajudar nas duas pontas, e por isso estamos surfando muito bem nesta onda, de nuvem pública e SaaS.

CW: Estamos chegando perto de encerrar o primeiro semestre do ano. Qual a avaliação da Citrix sobre esse início de 2019 no Brasil e quais as expectativas da empresa no pais para este ano?
Banhara: As expectativas são grandes. Na verdade, o que aconteceu nesse primeiro semestre é que não tivemos materializado tudo que estávamos esperando em termos de avanços da economia. Entretanto, a Citrix possui uma estratégia que a gente já vem puxando e ajustando nos últimos três anos, que é de trabalhar os grandes projetos, com ciclos de vida mais longos. No primeiro semestre, estamos materializando vários desses projetos que começamos a desenvolver no passado. Então isso está dando um volume, uma sustentação muito grande. Para o próximo semestre, imaginamos que tudo que a gente vem escutando em termos de economia e reformas vai se materializar e teremos um bom cenário.

E estamos com um número bom de vagas em aberto – estamos incrementando o nosso quadro de vendas entre 10% e 15%. Então a expectativa é muito positiva. Eu sou muito positivo em relação ao Brasil, e estamos em um momento em que o mercado entende que a tecnologia transcendeu a área de TI. Hoje todo mundo fala de tecnologia, as empresas estão posicionando a tecnologia como um alavancador de novos de negócios e de grande escala. No momento em que o Brasil passa por um momento mais difícil, por exemplo, é a tecnologia que ajuda a ganhar mais eficiência - e quando o país deslanchar, é a tecnologia que vai ajudar no ganho de escala. A tecnologia cada vez mais está saindo da área de TI.

É muito interessante perceber, ao longo da minha trajetória, como a tecnologia tomou uma posição de protagonista dentro das empresas. E, apesar desse protagonismo, a tecnologia nunca vai ter uma posição superior ao serviço, ao produto, à atividade fim da empresa, mas hoje ela tem um papel muito mais relevante do que no passado.

CW:Você atua como Country Manager da Citrix no Brasil desde 2014. Quais foram os maiores aprendizados e desafios nos 5 anos à frente da empresa no país?
Banhara: Na verdade, acredito que a confirmação de alguns pontos que são muito importantes na minha carreira aconteceram aqui. Em primeiro lugar, a coisa toda se resume muito a pessoas. Você precisa ter os talentos engajados, que possuem um bom encaixe naquela estratégia que foi desenhada, e também cuidar muito bem deles.

O ponto dois é que precisamos fazer um trabalho praticamente diário de buscar objetivos que sejam maiores. Caso contrário, a gente corre o risco de “apequenar” o negócio. Porque o Brasil é um país de muitas oportunidades, e as empresas estão constantemente buscando novas alternativas para chegar ao seu cliente. Então pensar grande e estruturar o seu time para que poder aos seus clientes de forma mais próxima são pontos fundamentais.

E não menos importante é conversar, entender, escutar, e conseguir formatar as coisas de forma que realmente se adequem a esse cliente, sempre colocando o cliente em primeiro lugar.