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Updates da Cortana e Google Assistente destacam potencial no escritório

Nesta semana, a Microsoft e o Google apresentaram mudanças em seus assistentes de voz digital para torná-los mais úteis no ambiente de trabalho

Matthew Finnegan, da Computerworld (EUA)

10/05/2019 às 14h00

Foto: Shutterstock

A Microsoft e o Google lançaram suas respectivas visões para a próxima geração de assistentes virtuais nesta semana, com aprimoramentos para a Cortana e para o Assistente, respectivamente, projetados para apoiar a produtividade no local de trabalho.

Embora os assistentes de voz ainda não tenham chegado com força a esse ambiente, os analistas veem muito potencial. Até 2021, 25% dos trabalhadores digitais deverão usar um assistente virtual diariamente, segundo previsão da Gartner, acima dos 2% que o fazem agora.

Na segunda-feira, 6/5 na conferência de desenvolvedores Build, a Microsoft ofereceu uma amostra sobre para onde a Cortana está indo, com planos para a assistente virtual fornecer suporte a conversas mais fluidas, de vai e vem.

Um vídeo de demonstração exibido durante a palestra da CEO da Microsoft, Satya Nadella, mostrou um funcionário de escritório gerenciando um calendário via Cortana em um dispositivo móvel. Na demo, a Cortana responde a inúmeras perguntas e realiza várias ações durante uma interação longa e contínua com o usuário que durou mais de 30 “turnos”. Isso incluiu a visualização dos próximos planos, agendamento e reprogramação de reuniões, verificação de disponibilidade e reserva de salas. O usuário também pode obter informações relevantes, como dados sobre clima e trânsito locais, e enviar rotas para um assistente virtual no carro.

Embora a Cortana já possa realizar muitas dessas ações, elas tendem a ser feitas separadamente. O diálogo não flui de maneira natural.

“Apesar de todo o progresso [com assistentes virtuais], é preciso lembrar que a maioria das conversas que temos hoje ainda são muito frágeis. Eles não são multi-turnos. O contexto de turno para turno se perde”, disse Nadella durante sua palestra.

“A linguagem humana é complexa, o contexto é sutil”, disse ele. “Então, como [nós] nos certificamos de que os recursos de linguagem natural dentro desses assistentes pessoais são capazes de ter esse contexto compartilhado por meio de longos diálogos em relação a apenas alguns ‘turnos’?."

A capacidade de se envolver em interações mais complexas e dinâmicas melhora as repetições atuais dos assistentes de AI, mantendo o controle do contexto, disse o executivo. Esses avanços vêm da compra da Microsoft, no ano passado, da Semantic Machines, uma startup de AI de conversação.

Apelando para usuários corporativos
Quando a tecnologia estiver integrada aos produtos da Microsoft, os usuários poderão recuperar informações de diversos aplicativos, com a Cortana atuando como interface.

“Queremos que seja menos carga cognitiva, menos sensação de ‘eu tenho que ir para o PowerPoint para isso ou Word para aquilo, ou Outlook para isso e Teams para aquilo’, e mais sobre as preferências pessoais e intenções”, disse Andrew Shuman, vice-presidente corporativo da Microsoft para Cortana, em um post no blog da companhia.

A Microsoft está confiante no futuro da Cortana no escritório. Embora esteja disponível em 800 milhões de dispositivos com o Windows 10, em grande parte ela não conseguiu captar tanto o mindshare do consumidor quanto os rivais. Agora, há planos para conectar a Cortana com outros assistentes de AI em vez de competir de frente; a Microsoft fechou uma parceria com a Amazon para integrar a Cortana com a Alexa em 2017.

Patrick Moorhead, fundador e presidente da consultoria Moor Insights & Strategy, disse que a Microsoft têm sido sábia em concentrar suas atenções nas funções do escritório, em vez de perseguir o mercado consumidor. “Acredito que o foco do negócio é o movimento certo, pois é isso que a empresa pode ganhar aqui”, disse ele. “… Eu questionaria as chances da empresa no (segmento do) consumidor."

“A Microsoft tem muitos dos aplicativos móveis mais populares com o Office 365 e acredito que, se as empresas oferecerem uma Cortana super-sintonizada para seu trabalho, os funcionários a usarão."

JP Gownder, vice-presidente e principal analista da Forrester, disse que as atualizações da Cortana podem ajudar a Microsoft a convencer os funcionários a utilizarem seu assistente virtual mais regularmente como uma interface com os seus aplicativos.

“Acho que a nova funcionalidade da Cortana faz sentido – tornar o uso do calendário mais inteligente, por exemplo”, disse ele.

“A nova Cortana quase parece uma característica do Office, em vez de uma assistente virtual independente, o que não é necessariamente uma coisa ruim”, disse Gownder. “A integração dos recursos de inteligência e linguagem natural da Cortana em aplicativos de negócios comuns, como o Office, economizaria tempo dos funcionários e geraria melhorias na produtividade."

Ele notou que a Microsoft ainda precisa mostrar que pode cumprir a promessa de conversas mais naturais apresentadas na demo da Cortana. “A inteligência conversacional é muito desafiadora para nós acreditarmos em sua palavra."

Google revela Assistente mais inteligente e rápido
A Microsoft não é a única empresa de tecnologia que espera popularizar assistentes virtuais no local de trabalho.
A Amazon tem a Alexa for Business como seu ponto de partida para a empresa, oferecendo ferramentas de gerenciamento para suportar implantações de milhares de dispositivos Echo em escritórios e salas de reunião.

A Apple, cuja estratégia depende das vendas do seu dispositivo HomePod, não demonstrou uma forte intenção de atacar a Siri no local de trabalho – ainda. No entanto, ela anunciou uma parceria com a Salesforce no ano passado que verá o fornecedor de CRM integrar a Siri mais profundamente em seus aplicativos móveis, que são frequentemente usados por profissionais de vendas e marketing. E a reputação da Apple de proteção rigorosa de dados de clientes poderia ajudar a diminuir a preocupação com a privacidade na implantação de assistentes ativados por voz no escritório.

Enquanto isso, o Google Assistente, normalmente visto como o concorrente mais forte da Alexa na área de consumo, indicou planos para adaptar seu assistente virtual para uso comercial. Isso se alinha aos planos anunciados pela empresa no Google Cloud Next no mês passado para vincular o Assistente a calendários no G Suite, o pacote de aplicativos de produtividade empresarial do Google.

Na conferência de desenvolvedores Google I/O, realizada nesta semana, a companhia de Mountain View falou sobre a “próxima geração” do Google Assistente, que é mais rápido e mais pessoal.

Ao executar modelos de aprendizado de máquina localmente em um dispositivo do usuário, como os smartphones Pixel do Google (onde será exibido ainda este ano), o novo Google Assistente deve fornecer resultados até 10 vezes mais rápidos do que os servidores em nuvem do Google. Isso significa processar a fala com latência próxima a zero, permitindo que transcrições ocorram em tempo real, por exemplo.

Isso é possível graças aos “avanços na deep learning”, que permitem que os modelos de aprendizado de máquina necessários para reconhecimento de fala e compreensão da linguagem sejam condensados de 100 GB para menos de meio gigabyte, de acordo com o CEO da Google, Sundar Pichai.

“Isso torna o assistente tão rápido que tocar para usar o telefone pareceria lento. Eu acho que isso vai transformar o futuro do Assistente”, afirma o executivo.

Isso permite que os usuários mudem rapidamente de tarefas diferentes, como a verificação do tempo, a reprodução de músicas, a solicitação de táxis, a configuração de timers, bem como a abertura, navegação e compartilhamento de dados entre aplicativos instantaneamente.

Uma demonstração durante a palestra no I/O também mostrou como o Google Assistente pode enviar e-mails usando somente comandos de voz, o que exige que o assistente perceba quando um usuário está selecionando um título, escrevendo uma saudação e passando para a próxima linha de texto.

A empresa também ofereceu atualizações para a tecnologia Duplex do Google, exibida na I/O do ano passado, que pode fazer reservas em restaurantes em nome de um usuário. Duplex em breve será estendido para a web, a empresa disse terça-feira. Casos de uso inicial incluem reserva automática de aluguel de carros on-line, com informações – incluindo datas da viagem e até mesmo tipo de carro – e inseridas em nome do usuário, que pode confirmar os detalhes antes de finalizar. Essas ações são realizadas por meio do Google Assistente