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‘Empresas de tecnologia fazem pouco para inspirar talentos’, diz Will.i.am

Empreendedor e músico criticou inércia das empresas em despertar o interesse para criar a próxima geração de engenheiros

Carla Matsu

01/05/2019 às 21h54

Foto: Carla Matsu

Um dos grandes desafios que companhias enfrentam hoje em relação à transformação digital diz respeito ao capital humano. De grandes companhias a startups, todas que acordaram para a digitalização de seus ativos, quebram a cabeça para encontrar e reter profissionais com habilidades em ciências da computação e matemática. Dada a crescente competitividade na digitalização, muitas empresas acabam se deparando com um oásis de profissionais preparados para atender a urgência e as grandes expectativas que elas têm. Mas afinal, como reparar esta “deficiência" no mercado? Para o músico e empreendedor Will.i.am, empresas de tecnologia pecam ao não assumir a responsabilidade em inspirar a próxima geração de talentos. Will.i.am foi um dos convidados para debater no painel “Felicidade e Otimismo na Era Digital", que aconteceu nesta quarta-feira (01/04) durante o Dell Technologies World, em Las Vegas.

Will.i.am é fundador da startup I.am+, que desenvolve tecnologias de assistência de voz para dispositivos e empresas. Em 2017, a startup levantou US$ 117 milhões em venture capital e, nos últimos anos, o músico se tornou figura recorrente em eventos de tecnologia e empreendedorismo. Will.i.am usou como exemplos grandes premiações internacionais e competições globais desde o Grammy à Copa do Mundo que, cada uma ao seu modo, serve para criar e renovar o interesse de jovens talentos para música e o futebol.

"Você tem a certeza que que há uma Copa do Mundo a quatro anos, quando todas as pessoas estão grudadas nas telas. Os Oscars, cada pessoa está olhando para o tapete vermelho, a indústria da música, todo o ano tem Grammys para celebrar talentos", ressaltou. "Há uma escassez de empregos. Facebook, Apple, Google, Microsoft, todos elas, têm muito dinheiro combinado, e não há nenhum show para as pessoas assistirem para mostrar o que leva essas pessoas a trabalharem em uma companhia. A razão porque há falta de empregos e talentos é porque nós não estamos inspirando jovens para seguir este caminho. E quem vai pagar por isso? Deveriam ser as empresas de tecnologia que deveriam assegurar que toda criança vai sonhar em um dia se tornar um engenheiro”, criticou.

Allison Dew, Chief Marketing Officer da Dell Technologies, que também participou do painel, reconheceu que a falta de talentos é uma questão sistêmica na educação não só de países emergentes, como também em países desenvolvidos, como os Estados Unidos. Mas para além de ensinar disciplinas em STEM (sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), escolas precisam ensinar o pensamento crítico, disse a executiva. “Ensine elas a escreverem bem, a se relacionar com outros humanos. A tecnologia vai substituir certas funções, então nós temos que desenvolver uma geração de jovens que entendam a tecnologia, mas pense criticamente para perguntar e dizer às tecnologias o que elas devem fazer”.

Will.i.am também foi questionado sobre se ele teme o avanço das tecnologias, como inteligência artificial. “A tecnologia não me dá medo, mas as pessoas sim. As máquinas, até então, são apenas máquinas, mas elas não são a razão de que o Congo é o Congo, não é a máquina que coloca um clube de strip ao lado de escolas em uma comunidade. Não são as máquinas que criam diferenças sociais. O que me dá medo são as pessoas”, concluiu.

*Jornalista viajou a Las Vegas a convite da Dell Technologies