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Brasil terá 420 milhões de dispositivos digitais em 2019, aponta FGV

São dois deles por habitante, com smartphones dominando a preferência dos usuários

Solange Calvo

25/04/2019 às 21h13

Smartphones FGV
Foto: Shutterstock

Os smartphones são os queridinhos dos usuários que ingressaram fortemente na era digital e foram contaminados de maneira irreversível pela atraente e conveniente mobilidade. Eles cresceram nada menos do que 10 milhões de unidades ativas em comparação a 2018. E integram o combo de dispositivos digitais, ao lado de notebooks, tablets e computadores. Estes são alguns dos resultados revelados na 30ª Pesquisa Anual de Administração e Uso de Tecnologia da Informação nas Empresas, da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP).

Em solo nacional, a média é de dois dispositivos digitais por habitante, em um montante que soma 420 milhões deles. Os protagonistas smartphones totalizam 230 milhões, adicionando os notebooks e os tablets são 324 milhões de dispositivos portáteis em maio de 2019, sendo 1,6 dispositivo portátil por habitante.

O professor da FGV Fernando Meirelles, comandante da pesquisa, alerta que a tendência é que o número de smartphone por pessoa se estabilize em uma unidade e a estimativa é que o seu total não ultrapasse a 240 milhões, contrariando o desenho anterior do uso de um corporativo e outro pessoal. “Para cada TV vendida no Brasil foram vendidos quatro celulares.”

“Os preços desses aparelhos são exorbitantes. Mas a dependência de uso está crescendo. Isso porque o desejo das pessoas em adquiri-los é dez vezes maior do que a sua necessidade tecnológica”, observa o professor. “Mas esse mercado de dispositivos digitais está saturado. Este ano, vão vender 40 milhões de celulares, isso, se a economia deslanchar”, avalia Meirelles, acrescentando que o tablet não vingou.  Mas o celular se tornou o bem mais importante e necessário do que qualquer outro dispositivo.

Na base ativa, o País tem 180 milhões de computadores, com seis para cada sete habitantes. “As pessoas estão comprando mais celulares do que computador e a vida últil dele está crescendo. As pessoas estão turbinando a máquina e não trocando”, explica. A venda anual de computadores, segundo o estudo, deverá crescer muito pouco em 2019.

Retomada do crescimento

Gasto e investimento em TI registraram crescimento de 7,9 % da receita das empresas, enquanto em 2018 o registro foi de 7,7 %. “Esse aumento, depois de uma estagnação de quatro anos sem crescimento, é atribuído ao fato de as empresas não conseguiram mais segurar a necessidade de atualização de seus sistemas”, explica Meirelles. O estudo também apontou que o custo anual de TI por usuário somou R$ 46,8 mil.

O levantamento mostrou ainda que os sistemas integrados de gestão (ERP) da Totvs, SAP e Oracle detêm 79% do mercado. Sendo que entre as empresas menores a liderança é da Totvs e nas maiores quem ganha a preferência é a SAP.

No final da apresentação do estudo, o professor deu a dica: “Quem decifrar o celular primeiro vai ganhar muito dinheiro. Qual banco usa o total de recursos dos smartphones? O que temos hoje em serviços e facilidades é apenas a ponta do iceberg. A Transformação Digital pelo celular é chave e há muito por vir”.