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Executivos de impostos e finanças ainda veem obstáculos no Blockchain

A maioria dos executivos de back-office nem sequer considera a tecnologia, de acordo com uma pesquisa da KPMG

Lucas Mearian, da Computerworld (EUA)

23/04/2019 às 8h00

Foto: Shutterstock

Mais da metade dos executivos de finanças e impostos estão interessados em adotar tecnologia para automatizar tarefas de rotina, mas a maioria não está considerando o Blockchain como uma solução devido à falta de recursos, financiamento e capacidades tecnológicas, segundo a KPMG.

A empresa divulgou nesta semana dados de uma pesquisa realizada em fevereiro com cerca de 450 executivos de impostos e finanças que responderam a várias perguntas sobre Blockchain e outras tecnologias. Enquanto 60% dos entrevistados disseram que estariam dispostos a adotar a tecnologia para automatizar tarefas repetitivas, 94% disseram que não estão usando Blockchain ou não tem certeza se suas organizações estão usando a tecnologia.

As principais razões pelas quais muitos não adotaram blockchain incluem falta de recursos (33%); financiamento (22%); e falta de capacidade tecnológica (22%).

“O C-level sabe que Blockchain existe... e eles sabem que fazem algo – e então ele para. Eles não sabem ao certo como isso se aplica ao negócio deles”, disse David Jarczyk, diretor de inovação e líder tributário da KPMG para Blockchain.

O trabalho de Jarczyk na KPMG é explorar como o blockchain pode ajudar as funções de back-office e middle-office, como impostos, comércio, finanças, gerenciamento da cadeia de suprimentos.

“Aqueles não são momentos ‘A-Ha’ quando você lê sobre Blockchain na mídia”, disse Jarczyk. Em vez disso, o que é mais amplamente divulgado envolve criptomoedas ou, na melhor das hipóteses, empresas de varejo como a Walmart usando a tecnologia de contabilidade distribuída (DLT) para rastrear e localizar as remessas de produtos.

“A questão que enfrentamos é que estamos falando de operações de back-office e middle-office, que são vistas como centros de custo. Os centros de custo historicamente se atrasam na adoção de novas tecnologias porque o financiamento vai para o front office”, afirma Jarczyk. “Eu acho que a educação é a chave. Nós ensinamos nossos clientes... a se envolver mais com o front office quando ouvem a palavra blockchain, porque os benefícios podem se transformar em um retorno real sobre o investimento."

Uma pesquisa divulgada no início deste ano pela KPMG revelou que quase metade dos executivos de TI acredita que o Blockchain mudará a maneira como suas empresas fazem negócios nos próximos três anos, e que o principal benefício será a melhoria da eficiência dos negócios.

Juntamente com os 48% que indicou o Blockchain, o qual provavelmente mudaria as práticas de negócios, 41% dos entrevistados da pesquisa da KPMG disseram que eles são “prováveis” ou “muito prováveis” de implementar Blockchain durante o mesmo período de tempo.

O Blockchain é como uma planilha em esteróides que pode automatizar certas tarefas, construir maior transparência, velocidade e confiabilidade, e fornecer uma única fonte de informações transacionais, disse Jarczyk.

O ROI (retorno sobre investimento) do uso de Blockchain para aplicativos de back-office e middle-office viria da amalgamação de dados de fontes diferentes, como planilhas, arquivos .csp, bancos de dados e armazéns, bem como aplicativos de negócios como o Salesforce, e depois usando aplicações de inteligência artificial para analisar informações úteis.

O Blockchain, segundo Jarczyk, eliminaria “tarefas repetitivas”, como o inventário de dados-chave de origens diferentes em um único livro-razão de blockchain – um armazém de dados – para que possa ser analisado para qualquer número de finalidades financeiras. Em vez de as equipes gastarem horas procurando e conectando dados, elas poderiam se concentrar em analisar esses dados para obter um retorno real e beneficiar a organização.

“Quando falamos com CFOs, fiscais e até mesmo alguns CIOs, eles dizem: ‘Meu Deus, tentar inventariar os dados que temos nesta operação internacional é o problema número 1’”, disse Jarczyk. “Então, tudo se resume a inventariar dados, decidir como e se reconcilia, perseguir qualquer coisa que não concilie ou erros, e então deixar as pessoas [como economistas e analistas financeiros] voltarem ao seu trabalho diário.

“Blockchain ouve os sistemas atuais de uma empresa, seus fornecedores e até mesmo os dados de seus clientes e reúne todos esses dados automaticamente”, continuou Jarczyk. “Então, agora você tem uma única fonte de informação – mesmo que não seja perfeita, ainda é uma fonte única para se extrair”.

O Blockchain, no entanto, não se integra diretamente com sistemas de ERP, planilhas ou bancos de dados. Em vez disso, APIs personalizadas e padrões de compartilhamento de dados, como o GS1 (mais conhecido pelo protocolo de código de barras legíveis por máquina), foram usados para permitir a interoperabilidade com sistemas legados.

Por exemplo, o IBM Food Trust, um sistema de gerenciamento de cadeia de suprimentos baseado em blockchain, evita a entrada manual de dados, aproveitando os investimentos legados em tecnologia por meio do padrão GS1; ele automatiza a transferência e o entendimento de dados entre diferentes partes no livro-razão eletrônico.

“Nós traduzimos os padrões GS1 em arquivos que podem ser facilmente armazenado em nossa solução via API”, disse Brigid McDermott, vice-presidente da IBM Food Trust. “Estamos descobrindo quais conectores otimizarão o uso de um sistema legado – como conectar um sistema ERP existente aos nossos dados de blockchain. Algumas empresas usam planilhas do Excel, mas a ideia é a mesma”.

De maneira semelhante, as APIs podem ser criadas para permitir que dados de vários sistemas diferentes sejam alimentados automaticamente em um livro-razão DLT.

A KPMG está atualmente em uma fase de experimentação e prova de conceito com seus clientes para desenvolver sistemas de armazenamento de dados baseados em blockchain.

“O que eu tenho permissão para dizer agora, é que é ele significativamente mais rápido que todo o trabalho de preparação das outras opções, tal como um armazém de dados, que requer que você conheça todos os seus algoritmos antecipadamente; com um data lake, que você precisa configurar tags de metadados de antemão”, disse Jarczyk. “Com uma tecnologia blockchain, tudo o que você precisa é de um inventário dos sistemas e do dicionário de dados, que a maioria das empresas possui”.