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Google muito além da busca: Urs Hölzle revela conquistas em infraestrutura

Oitavo funcionário da companhia é responsável pela redução de uso de energia dos data center e ainda evolução da estratégia da gigante para cloud

Déborah Oliveira

16/04/2019 às 8h23

Foto: Déborah Oliveira

Urs Hölzle ingressou no Google bem no começo na empresa, há mais de 18 anos, sendo o oitavo funcionário contratado pela gigante de tecnologia. Sua capacidade de conectar tecnologia com negócios e o fato de ter criado compiladores Java chamaram a atenção dos líderes e fundadores do Google na época em que lecionava ciência da computação na Universidade da Califórnia, em Santa Bárbara.

Hoje, como vice-presidente sênior de infraestrutura técnica do Google, está à frente de projetos de infraestrutura e data centers, fundamentais para a operação da empresa. Ao olhar sua trajetória na empresa orgulha-se de ter, de fato, revolucionado esse mercado, revelou à Computerworld Brasil. Hölzle, no entanto, não encara esse como um mérito próprio, mas de todo o time.

“Aprimoramos sobremaneira a eficiência energética dos data centers do Google. Há 15 anos, usávamos o dobro de energia quando comparado com os dias atuais. Isso tem um grande impacto e me deixa muito feliz, porque é mais barato e mais amigável para o meio ambiente. Fora que dividimos essa conquista com a indústria. Então, não fomos os únicos que nos beneficiamos dessa melhoria”, comentou ele.

Outra conquista destacada por ele em infraestrutura foi a simplificação da rede. Ele explicou que desde o primeiro dia do Google, o desafio de busca era gigantesco. “A busca é um problema computacional, porque de forma bem simples, isso significa basicamente fazer o download de tudo na web, indexar, achar páginas e apresentar os resultados para milhares de pessoas. Éramos uma empresa pequena e fazíamos o download de toda a web. Depois, processávamos as informações para torná-las disponíveis para os usuários”, lembrou, acrescentando que esse processo era altamente custoso.

Resolver essa questão, otimizando espaço e não usando computadores maiores, não só economizou dinheiro, contou, como também possibilitou inúmeros inovações, como o próprio desenvolvimento da nuvem, a criação do Gmail e de tantos outros produtos do Google.

Hardware e o futuro de aprendizado de máquina

Uma das grandes apostas de Hölzle para o futuro, mas ao mesmo tempo um desafio, é o aprendizado de máquina. “A tecnologia traz uma promessa gigantesca para o mercado, mas traduzir isso em produtos e levar para o consumidor é chave”, comentou ele.

Mas ao contrário de alguns produtos, como a nuvem, o desenvolvimento desse mercado depende fortemente de software. “Há oito anos, se falássemos para um especialista que o Google Photos deveria aprender a buscar cachorros em praias, ele diria que isso não iria acontecer, porque o software não estava preparado para reconhecer objetos. Hoje, no entanto, essa é uma realidade.”

Ele indica, no entanto, que em alguns momentos a evolução do software demanda modernização do hardware. Um exemplo citado por ele foi o reconhecimento de voz, um recurso comum hoje, mas que há alguns anos demandaria um poder computacional enorme.

“Há seis anos, adicionamos reconhecimento de voz e estávamos animados com isso. Então, pensamos em quanto poder computacional seria preciso para dois minutos de reconhecimento de voz por dia. Conclusão: teríamos de dobrar o poder computacional e isso simplesmente não era possível”, lembrou.

Foi, então, que o Google construiu um chip especializado que fazia executava essa tarefa muito bem. “Esse chip é de 50% a 70% mais rápido do que a CPU. E agora, o reconhecimento de voz precisa de 1,5% das máquinas para dois minutos por dia. Isso nos leva ao hardware como viabilizador de inovação”, detalhou.

*A jornalista viajou a San Francisco (EUA) a convite do Google