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5 perguntas para o CEO: Mauricio Fernandes, da Dedalus

Uma das pioneiras em cloud, a empresa tem registrado forte crescimento dos negócios. Executivo conta desafios para os próximos meses.

Déborah Oliveira

15/04/2019 às 9h01

Foto: Divulgação

Maurício Fernandes acumula a impressionante marca de mais de 500 projetos de tecnologia da informação (TI) que contaram com seu apoio direto. Não é para menos, o executivo soma mais de 30 anos em TI e em 1989 teve a ideia de fundar a Dedalus, empresa brasileira especialista em cloud, da qual ele também é presidente.

Em 2009, a companhia viu a oportunidade de mudar seu perfil de atuação mirando a nuvem, sendo uma das pioneiras nesse mercado. Dez anos depois do seu primeiro ingresso na cloud, a Dedalus segue conquistando resultados positivos.

Na contramão do mercado, a empresa registrou em 2018 faturamento de R$ 180 milhões, número 80% maior em relação a 2017. Dentre os 170 novos clientes conquistados no ano passado estão Sodexo, TV Globo, Hospital Albert Einstein e Eurofarma.

Nesta entrevista, o executivo revela como é manter a companhia relevante em um mercado tão competitivo e os próximos passos da empresa. Confira.

Computerworld Brasil - Em 2018, a Dedalus cresceu 80% em 2018, acima da média de mercado. O que contribuiu para esse cenário positivo?
Maurício Fernandes - Desde 2009, quando começamos atuar com foco em serviços de cloud, a Dedalus cresce, em média, mais de 40%. Porém, o que marcou 2018 foi a forte adoção de cloud por grandes corporações, que levaram seus ambientes de missão crítica para a nuvem pública.

Além disso, nossa base de clientes tem apoio avançado em suas jornadas, migrando cada vez mais ambientes e aumentando os já existentes. Cloud está na lista de prioridades da TI e nossos investimentos nesta década de atuação, focada no tema, geraram muitos frutos.

CW Brasil - O mercado de cloud está consolidado? Há espaço para crescer? Quais frentes observa o crescimento de cloud?
Fernandes - Há um enorme espaço para crescimento. Menos de 10% de todo o processamento corporativo está em cloud e estima-se que a digitalização trará uma necessidade de criação de ambientes, especialmente de dados, dez vezes maior do que todo o processamento atual.

Há um mercado endereçável para cloud de 50 a cem vezes maior do que o que se faz hoje. São números globais, mas o Brasil está, mais ou menos, seguindo essa direção. Há, ainda, um desafio enorme de execução, mas é uma oportunidade para o Brasil se diferenciar. Precisamos de mais empresas especializadas e, dedico parte do meu tempo ajudando empresas nesse sentido, para que possamos criar um ecossistema que realmente atenda ao mercado brasileiro à altura do desafio.

O crescimento deve continuar, principalmente para grandes projetos de transformação digital. Além de pequenas e médias empresas, algumas delas utilizando cloud há anos, grandes empresas brasileiras e do mundo todo vão continuar ampliando sua adoção. E, claro, as startups, pois não existe startup sem cloud. Especialmente no setor de fintechs e assemelhados, há um espaço grande.

CW Brasil - Quais são os diferenciais da Dedalus nesse mercado?
Fernandes - A Dedalus carrega uma reputação de décadas e uma experiência de cloud muito forte. Investimos para ter e formar os melhores profissionais do Brasil. Já ouvi CIOs comentando que ter a Dedalus como parceiro é uma garantia de execução.

Também temos muita gente querendo trabalhar conosco e isso nos deixa muito felizes. Não somos perfeitos, mas somos focados, obstinados em ajudar e com um respeito muito grande por opiniões, modelos, culturas e limitações. Foi uma longa jornada para chegarmos aqui e isso nos tornou humildes, profissionais e responsáveis por quem nos apoia, sejam parceiros, colaboradores ou clientes. O mercado reconhece isto.

CW Brasil - Qual é o futuro da nuvem e quais seus desafios de expansão?
Fernandes - Há tecnologia de sobra, mas são os tijolos do que vem a seguir: a transformação digital. As peças estão aí, o desafio é construir. Como há dez anos, quando cloud começou, falta mão de obra, sobram expectativas exageradas ou erradas.

Há muita desinformação, mas sem dúvida o desafio é profissional capacitado. Temos optado por formar e transformar profissionais de TI. Tem dado certo, mas, obviamente, é um processo demorado e delicado. Então, nosso desafio tem sido as estruturas que criamos e recriamos a cada momento para se adequar ao que os clientes precisam.

CW Brasil - Como espera que a Dedalus se posicione no mercado nos próximos cinco anos?
Fernandes - Estamos lançando o que chamamos de nossa quinta onda: os serviços de dados. Reconhecemos que nossos clientes precisam de ajuda justamente em gestão de projetos de dados e é o que vai significar nossa grande expansão nos próximos anos, ampliando nossa gestão de cloud para incluir os serviços e tecnologias para apoiar ao mercado em dados. Um posicionamento que eu tenho certeza que vai nos levar a um novo patamar de empresa, muito mais próximo de nossos clientes, ainda mais úteis e relevantes.

Assim, a previsão é de que, em cinco anos, em 2024, o mercado verá na Dedalus serviços maduros de cloud e dados, sempre inovando, liderando e ajudando o País e a América Latina a serem mais competitivos, diferenciados e melhores.