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Google Cloud quer se destacar com atuação por verticais e privacidade

Empresa movimenta-se para conquistar fatia importante do mercado de nuvem, que tem grandes concorrentes como AWS, Oracle e IBM

Déborah Oliveira

11/04/2019 às 14h27

Foto: Divulgação

A aposta na atuação por verticais, como varejo, saúde e manufatura, já é velha conhecida de empresas tradicionais de tecnologia, como IBM e Oracle. Para o Google Cloud, no entanto, a estratégia começa a ganhar força agora. A companhia tem fortalecido suas capacidades nos últimos meses para gerar soluções específicas para diferentes tipos de indústria.

A companhia anunciou em seu evento anual, o Next, em San Francisco (EUA), que está movendo-se rapidamente nesse sentido, focando em alguns mercados com alta demanda por soluções diruptivas como cloud e inteligência artificial (AI). Em um primeiro momento, seis indústrias são o foco da empresa.

Um dos exemplos é o varejo. O Google Cloud tem clientes como Bed, Bath and Beyond, Carrefour, Designer Brands, Ikea, Kohl's, Loblaw, Target e Home Depot que buscam fortalecer suas estratégias de hospedagem de comércio eletrônico, análise de dados, aprendizado de máquina e transformação da força de trabalho.

Mas um passo importante para atender a esse mercado foi dado nesta semana com o lançamento de diversas soluções especificas para essa indústria, em colaboração com parceiros. Segundo a empresa, dados e analytics estão no coração das novidades, ajudando companhias a atender às expectativas dos mais exigentes clientes.
Uma das novidades anunciadas foi o Google Cloud para Varejo, que oferece um conjunto de soluções que permite que os varejistas otimizem recursos de nuvem para casos de uso específicos, como operações de merchandising para aquisição e retenção de clientes.

De acordo com o Google Cloud, são seis os pilares da tecnologia: aquisição e retenção de clientes, e-commerce omnichannel, merchandashing, gestão de ciclo de vida do produto, opções na loja e logística e entrega.
A companhia também aprimorou suas capacidades de inteligência artificial (AI) e machine learning para levar ao varejo. Um dos exemplos citados pela empresa é o Vision Product Search, que usa a tecnologia Cloud Vision para criar experiências móveis atraentes integrando os recursos do Google Lens.

Assim, é possível para clientes, por exemplo, tirar fotos e efetuar capturas de tela do celular de produtos de que gostam, colhendo resultados em tempo real de itens semelhantes ou complementares do catálogo de produtos do varejista. A Ikea, especializada na venda de móveis, apostou nesse modelo.

Segurança e privacidade na linha de frente

Urs Hölzle, vice-presidente sênior de Engenharia do Google, conta que a segurança é prioridade máxima da empresa e que esse elemento faz parte do desenvolvimento de todos os produtos do Google desde o começo. “Temos claro que seu dado é seu e de mais ninguém. Nós somos a única nuvem que tem transparência e logs para todos os produtos, documentando o acesso em tempo real”, reforça.

Thomas Kurian, CEO do Google Cloud, por sua vez, enfatizou a questão e disse, no palco do Next, que o Google não tem back doors e nenhuma agência tem acesso aos dados da empresa sem a permissão expressa do cliente.
Durante todo o evento, ficou claro, portanto, que a o Google Cloud quer conquistar clientes com seu novo posicionamento por verticais e aposta em privacidade e segurança. Mas como isso será visto pelos CIOs e empresas, já que concorrentes da gigante têm um discurso forte sobre o tema?

João Bolonha, diretor de Google Cloud para a América Latina, conta que a nova oferta da companhia tem três pontos interessantes para as empresas. O primeiro, revelou, é o posicionamento multicloud. A segunda, prosseguiu, é a tradição do Google em tecnologias como analytics e machine learning, um diferencial na estratégia de cloud. Por fim, ele cita que a estratégia gerida por verticais aproximará a companhia dos clientes.

“Um dos pontos fortes da nossa atuação é, sem dúvidas, a segurança. Não estou dizendo que as outras nuvens não são seguras, mas temos um nível de segurança que é hyperscale. O Google lida com dados desde o seu primeiro dia de vida. Portanto, nossa segurança é alta.” Ele também destaca a qualidade tecnológica da empresa, que tem o respaldo do Google, um atrativo importante em tempos de grandes vazamentos. “Não há foco em tirar clientes do concorrente A ou B. Aqueles que nos procuram estão de olho na qualidade do produto”, assegura.

Bom momento para a nuvem

Segundo Bolonha, o Brasil e a América Latina como um todo vivem um momento especial na adoção de cloud. Ele revela que o País é número um entre os emergentes em adoção de cloud. Os demais países da região ocupam a terceira posição.

Ele, contudo, entende que o desafio das companhias é entender como e por onde começar a adoção de nuvem. “Temos um roadmap claro que permite que o cliente supere esse desafio”, diz.

A aposta para acelerar iniciativas do tipo está no Anthos, oferta para multicloud e cloud híbrida do Google. “Ao olha para a região, a velocidade de crescimento de nuvem é três vezes ano contra ano. Com Anthos, vamos acelerar esses números”, projeta.

Coincidência ou não, a atuação por verticais acontece logo depois da chegada de Kurian, que depois de 22 anos de Oracle, assumiu como CEO de Google Cloud. “A vinda de Kurian foi excelente, porque temos clareza de como fazer a execução do plano do ponto de vista de enterprse”, avalia Bolonha, acrescentando que a proximidade do executivo com clientes tem gerado muitos insights para o Google Cloud.

*A jornalista viajou a San Francisco (EUA) a convite do Google