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5 perguntas para o CEO: Chris Torto, da Ascenty

Executivo americano, que atua no Brasil há cerca de 30 anos, fala sobre a recente venda da empresa e os planos para 2019

Luiz Mazetto

02/04/2019 às 10h00

Foto: Ascenty/divulgação

Formado em administração de empresas pela University of Maine e com MBA pela Harvard University, o americano Chris Torto já conhecia muito bem o mercado brasileiro quando fundou a provedora de soluções de data centers Ascenty, em 2010.

Isso porque o executivo, que é natural de Boston, já atua em nosso país há cerca de 30 anos. Neste período, fundou e comandou a empresa de TV a cabo Vivax, atuou como CEO da companhia de internet Voyager Inc. e participou do board do Buscapé por quase quatro anos.

Na entrevista abaixo, Chris fala sobre o setor de data centers no Brasil, como as suas experiências anteriores influenciaram na criação da Ascenty, e quais os próximos passos da empresa, que foi adquirida em 2018 pela Digital Realty e Brookfield em uma transação de US$ 1,8 bilhão.

1-Quais os planos para 2019, pensando na aquisição recente da Ascenty por parte da Digital Realty e da Brookfield?
Chris: Nada mudou em termos de planos. Estamos construindo 8 data centers neste ano, em várias localidades. Vamos fazer um investimento em novos data centers e ampliações de data centers existentes. Será o ano em que mais investiremos desde a criação da empresa. Mesmo com a aquisição, mantivemos os mesmos planos. O que pode acontecer durante este ano, com uma retomada da economia no Brasil, é construirmos ainda mais data centers.

2-Como falado acima, a Ascenty foi adquirida pela Digital Realty e pela Brookfield no ano passado. O que essas parcerias adicionam para a atuação da Ascenty no Brasil?
Chris: Acho que essa aquisição traz vários benefícios para a Ascenty. Em primeiro lugar, acesso de capital. Com os novos sócios, nós temos um acesso de capital que não tínhamos no passado. Vamos crescer movimentando cerca de 1 bilhão de reais no ano. Então teremos bastante acesso de capital. Em segundo lugar, a Digital Realty tem mais de 200 data centers pelo mundo, então eles possuem uma expertise muito grande na área, o que agrega valor pra nós. E a Brookfield já é um investidor no Brasil há mais de 100 anos, então possui experiencia local, o que também nos agrega valor. Seria difícil escolher dois parceiros melhores.

3-Em oito anos, a Ascenty construiu uma base de oito data centers, que será dobrada em apenas um ano. Por que esse movimento tão significativo neste momento?
Chris: Eu acho que parte do movimento mundial para a nuvem pública. O que está acontecendo? As próprias grandes empresas de nuvem estão crescendo no mundo como um todo e isso também acontece no brasil. Então as empresas que no passado hospedaram seus dados em data centers dentro dos seus próprios prédios estão mudando. Essas companhias estão vendo as vantagens em levar isso para fora, como maior segurança, conectividade e economia para gerenciar o seu negócio, uma vez que você não tem que investir na infraestrutura de um datacenter dentro de casa. E esse é um movimento que acontece não só no Brasil, mas no mundo – além da retomada da economia no país.

4-Você fundou a Ascenty em 2010. Como vê o setor de data center no país hoje em dia, quase 10 anos após a criação da empresa?
Chris: Eu acho que ainda estamos no início do jogo, como estamos mostrando com o tamanho do investimento para este ano. Ainda tem muita empresa no Brasil, mais de 80% delas, que hospedam os dados dentro de casa. Acho que nos próximos anos 10 anos o crescimento vai ser muito maior do que foi nos últimos 10 anos. Agora as empresas estão vendo os benefícios de não ter data centers próprios. E isso está só começando no Brasil.

5-Como a sua experiência em outros setores te ajudou na criação e na consolidação da Ascenty nesta jornada?
Chris: A maior parte de tudo que tenho feito nos últimos quase 30 anos está no Brasil. Acho que foi isso me ajudou, independentemente de ter sido no segmento de data center ou não. Tem alguns aspectos importantes de trabalhar no Brasil. Nós sabemos que o Brasil não é um país fácil para se criar uma nova empresa. Mas fui muito sortudo de ter uma equipe fantástica que trabalha comigo há muitos anos, desde a época em que atuava com TV a cabo. E é isso que faz toda a diferença, as pessoas. Eu me beneficiei pelo time forte que tive desde quando criamos a Ascenty. Nós não conhecíamos o segmento de data center, mas aprendemos rapidamente e aplicamos algumas regras básicas de bom gerenciamento em termos de novos negócios. E tivemos bastante sorte de pegar um mercado em um momento propício. Mas contar com uma equipe forte certamente fez toda a diferença.