Home  >  Carreira

Na arte de vender conhecimento, KPMG inova com IA em português

Frank Meylan, sócio-líder da consultoria, surpreende setor com leitor cognitivo de documentos e leva Executivo de TI do Ano 2019 em Serviços

Solange Calvo

20/03/2019 às 22h23

Foto: Divulgação

Formado em Ciência da Computação na USP, Frank Meylan, sócio-líder de Artificial Intelligence, Cognitive & Customer Experience da KPMG Brasil, turbinou o currículo com mestrado em Redes de Alta Velocidade e doutorado em Criptografia e Segurança da Informação. Mas sua maior habilidade mora na arte de vender conhecimento, adquirida e aprimorada no dia a dia da consultoria.

“A consultoria te desafia todos os dias. Afinal, o tempo todo você vende o seu conhecimento, sua inteligência. Nessa jornada aprende-se muito, adquire-se visão sobre diferentes setores da economia de variadas empresas. Ter essa percepção ampliada facilita o direcionamento dos investimentos e a construção de estratégias para obter resultados estimados e até surpreendentes”, garante Meylan.

Mas hoje a consultoria conta com forte aliada, a inteligência artificial (IA), que usa muita matemática e estatística. Por isso, segundo ele, os cursos de extensão foram importantes para o avanço em explorar o máximo da tecnologia. Contudo, para obter excelência em consultoria é preciso saber ouvir e entender as dores dos clientes, ensina o especialista.

“O primeiro passo é identificar a maturidade tecnológica e estratégica de cada cliente. E levar na bagagem um trunfo valioso: amplo conhecimento técnico e visão 360° e sensibilidade. A união desses valores é que vai gerar confiança.”
Meylan alerta, portanto, que para o profissional ser capaz de vender na era digital é preciso ter hard skills + soft skills, porque é o que irá diferenciá-lo da concorrência, ou seja, seu modelo personalizado de atuação. “Lembrando que nada se faz sozinho. É vital contar ainda com uma equipe qualificada, comprometida, perspicaz e diversificada nesse processo.”

E argumenta: “Na minha equipe, tenho desde um garoto de 16 anos a senhor de 65 anos. Essa troca de conhecimento é que faz toda a diferença. Grupo multidisciplinar é inevitável. Resultado? Visão inovadora, mais assertiva”.

O executivo diz que todo ano quer saber o plano de capacitação de cada profissional da sua equipe, como forma de reforçar a atuação do Programa de Coaching da companhia que ajuda a manter o time atualizado e em franco desenvolvimento. “Afinal, consultoria é uma empresa de pessoas. Temos de cuidar muito bem delas. Somos um celeiro de profissionais qualificados”, orgulha-se.

Foi nesse celeiro que nasceu o Leitor Cognitivo de Documentos em Português, resultado de um trabalho desenvolvido entre janeiro e novembro de 2018. Projeto que concedeu a Meylan o prêmio de Executivo de TI do Ano 2019, na categoria Serviços – Executivo de Vendas.

Aposta na inovação

Segundo Meylan, o Leitor Cognitivo de Documentos em Português é fruto do investimento característico da KPMG em inovação. Desta vez, em Inteligência Cognitiva. “Eu visitei a KPMG nos Estados Unidos (EUA) e na Inglaterra para conhecer o que estava sendo feito com essa tecnologia para trazer essa operação para o Brasil. E, claro, esbarramos na questão do idioma.”

Toda a potencialidade da IA só estava disponível em inglês e alemão. E por que era imprescindível contar com IA em português? A tecnologia cognitiva aprende a cada input, a cada conjunto de informações, e assim a levam a identificar dados e a interpretá-los para viabilizar as propostas da solução. Como identificaria as palavras em idioma desconhecido?

A saída veio por meio do Programa de Alianças da KPMG, em conjunto com a IBM, quando passaram a avaliar as possibilidades do Watson para o projeto, que também não estava preparado para a leitura de dados em português.
“A maior parte das empresas faz inputs de backoffice manualmente. Em auditoria, é vital automatizar esse processo. Para se ter uma ideia, para auditar 3 mil regulamentos são necessárias 40 pessoas durante 12 meses lendo regulamentos e preenchendo planilhas Excel”, relata.

Assim, o time da KPMG Brasil treinou o Watson para ler documentos em português e a cada dia ele foi aprendendo, a cada interação. Esse treinamento para formatar a solução consumiu quatro meses.

Mas o Watson respondeu bem e ficou preparado para atuar e assim livrar essas 40 pessoas e tantas outras de tarefas repetitivas e deslocá-las para treinar o Watson no idioma português. Assim, a inteligência cognitiva proporcionou à KPMG um ativo importante no mercado.

O leitor utiliza o Inteligência Artificial e Cognitiva para ler, interpretar e aprender continuamente sobre diferentes tipos de documentos como contratos, notas fiscais, demonstrações financeiras, regulamentos de Fundos de Investimentos, entre outros.

Em evolução

O sucesso do projeto Leitor Cognitivo de Regulamentos e Fundos de Investimentos estimulou a criação de outra ferramenta, o Leitor Cognitivo de Contratos. E, segundo Meylan, continuará gerando outras soluções para variados fins. “É um grande ganho que oferecemos para o Jurídico das empresas, minimizando riscos, multas, processos judiciais e outras dores de cabeça.”

O insight da KPMG para o projeto foi apoiado no fato de que resgatar informações de processos, cruzá-las diante do volume de dados disperso nas corporações são tarefas altamente críticas, trabalhosas e morosas. Com isso, muitas cláusulas de contratos se perdem no tempo e acabam não sendo cumpridas. Cada contrato possui dezenas de obrigações. Então, quando não são cumpridas, esses contratos seguem para a auditoria interna.

“Nossa solução é oferecida como serviço aos clientes. E muito além do serviço, é uma bala de prata para as dores de cabeça desses departamentos. Por isso, a demanda tem crescido, e a necessidade de ampliar a equipe já bateu à nossa porta”, comemora.

Um exemplo de como a tecnologia pode ser imperativa para uma empresa se livrar de graves problemas é destacado por Meylan: “Uma importante operadora de telecom recebeu uma intimação da Receita Federal e para respondê-la teria de reunir e avaliar 30 mil notas fiscais em apenas quatro dias. Sobre-humana essa tarefa. Então treinamos a máquina para essa operação e deixamos nosso cliente muito satisfeito”.

Esse desafio vencido deu à KPMG um legado valioso. “Hoje, a máquina está treinada para leitura de dados em 5,3 mil municípios, ou seja, 95% do total no País. Nossa solução, sem dúvida, gera um salto na gestão”, afirma.
Meylan diz estar entusiasmado e vivendo um grande momento na carreira com esse projeto por representar um grande diferencial para as áreas jurídicas das empresas, cartórios, que poderão evoluir para outros serviços e liberar suas equipes para tarefas mais estratégicas. “Inovação a serviço da sociedade”, resume o Executivo de TI do Ano 2019.

Finalistas do prêmio Executivo de TI do Ano 2019 – Serviços – Executivo de Vendas

1º Frank Meylan, sócio-líder de Artificial Intelligence, Cognitive & Customer Experience da KPMG Brasil

2º Richard Freund, executivo de vendas da Inmetrics

3º Mário Servio Rachid, executivo de Vendas da Embratel