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5 perguntas para o CEO: Luis González, da Vidalink

Executivo fala dos desafios do pioneirismo da empresa no mercado

Solange Calvo

12/03/2019 às 8h25

Luis González da Vidalink
Foto: Divulgação

Há quase duas décadas à frente da companhia que fundou, Luis González diz ser um líder que não tem como objetivo liderar. “Prefiro me esforçar para inspirar as pessoas a realizarem o potencial que têm como profissionais e conseguirem impactar positivamente suas próprias vidas e a sociedade na qual vivemos.”

Com perfil integrador, González encarou o desafio de criar uma empresa para atuar em um mercado pouco conhecido pelas empresas brasileiras. Em 2000, a Vidalink não temeu o pioneirismo no segmento de Planos de Medicamentos com a missão de ampliar o acesso e a adesão aos tratamentos medicamentosos. Mostrar a importância desse benefício às empresas tem sido um empenho constante do executivo.

Com investimento da CVS Health, importante empresa global de saúde, e do Grupo Martins, atuante no segmento de distribuição, a empresa cresceu a receita de planos de medicamentos em cerca de 40% por ano nos últimos quatro anos. A marca é responsável por até 1.400 transações medicamentosas por minuto e por intermediar mais de R$ 1 bilhão de vendas de medicamentos por ano.

González destaca que a tecnologia sempre foi peça fundamental para permitir que a Vidalink amplie o acesso a medicamentos prescritos na rede da companhia de mais de 23 mil farmácias. A seguir, confira como a empresa tem avançado no mercado com o apoio da tecnologia.

Computerworld A Vidalink atua no mercado de Planos de Medicamentos no Brasil. Por aqui, esse segmento ainda não é muito difundido. Explique como funciona?

Luis González – Realmente, ainda hoje o Plano de Medicamentos não é muito difundido por aqui. Partimos da seguinte máxima: não basta diagnosticar, é preciso cuidar. Oferecermos às empresas um serviço que as permite ajudar seu colaborador a pagar seu medicamento prescrito, por meio de uma cobertura que pode chegar a 100% do valor do medicamento.

Apesar de ser uma lógica simples ainda não é um pensamento nem mesmo uma ação comum entre empresas. Muitas não pensam à frente, sobre como esse investimento pode gerar de benefícios, e mais, em forma de redução de outros custos.

Se a empresa oferecer o plano de saúde aos seus funcionários, que vai diagnosticar um possível problema de saúde, por que não incentivar que eles tratem corretamente o seu problema de saúde? O plano de medicamento é mais um benefício para os funcionários, que se sentem mais valorizados e trabalham com mais disposição e satisfação.

Hoje, contamos com mais de 200 grandes empresas como clientes, intermediamos mais de R$ 1 bilhão de vendas de medicamentos em 2018 e crescemos o faturamento oriundo desse serviço, em média, 40% ao ano nos últimos quatro anos.

O objetivo da Vidalink vai além do plano de medicamentos. Queremos auxiliar o RH das empresas a entender melhor as necessidades da sua população, antecipar os problemas contribuindo para a queda do absenteísmo, da sinistralidade e oferecer um ambiente de trabalho melhor aos colaboradores. Por isso, investimos em uma área robusta de Business Intelligence (BI), apoiada pela área Médica-Farmacêutica, que realiza estudos que vão além de apenas identificar as tendências do consumo de medicamentos, eles indicam comportamentos e patologias da população da empresa.

CW Brasil – Quais tecnologias protagonizaram os principais investimentos para aprimorar a eficiência da operação. Especialmente no acompanhamento de dados de consumo, entre outras estratégias? BI? BA?

González - É difícil acreditar que quando fundamos a empresa, em 2000, e começamos a integrar farmácias em todo o Brasil, ainda não existia banda larga na cidade de São Paulo. Ao longo dos anos, a maioria dos nossos investimentos têm sido em tecnologia. Desde a compra, com exclusividade para América Latina, de um dos principais softwares de gestão do benefício-medicamento nos Estados Unidos, à nossa recente mudança para o Oracle Cloud, motivado em parte por sermos usuários de diversos sistemas da Oracle há mais de dez anos.

Temos investido muito em nosso time de Business Intelligence, em ferramentas e no desenvolvimento de nosso núcleo de Business Analytics, visando tirar o máximo dos dados obtidos, transformando-os em informações qualificadas para nossos clientes. Nosso diretor médico, Dr. Rafael Canineu, trabalha muito próximo do time de BI e BA na análise das informações obtidas.

CW Brasil - Acredita que a tecnologia foi vital para o crescimento anual de 40% da principal linha de receita da empresa nos últimos quatro anos?

González - Sim, com certeza. A tecnologia de ponta, aliada a soluções que ajudam empresas e clientes a superar seus obstáculos na gestão de saúde, tornou nosso negócio escalável, com alcance nacional e ainda nos permite trabalhar a gigantesca massa de dados para que informações estratégicas auxiliem os RHs e gestores de saúde a tomar decisões. Isso tem gerado uma percepção muito positiva aos nossos clientes e atraído novas empresas que buscam evoluir sua forma de cuidar de seus colaboradores. É impossível ter escalabilidade sem utilizar a tecnologia certa.

CW Brasil -  Fale sobre o Convida Digital e os benefícios que proporciona às equipes de saúde dos clientes?

González - É um serviço novo, criado no ano passado que ajuda a aumentar sensivelmente a adesão de pacientes crônicos, por exemplo pessoas com diabetes, ao seu tratamento. Com informação, facilidades e acompanhamento interativo do paciente, ele permite que gestores de Saúde deem mais apoio aos seus colaboradores que precisam de medicamentos de uso contínuo. É um serviço gratuito e integrado ao Plano de Medicamentos Vidalink.

A plataforma é um assistente virtual que envia mensagens e analisa as respostas, auxiliando os pacientes no tratamento da diabetes com dicas de saúde, orientações alertas preventivos e lembretes de recompra com base na quantidade prescrita e na última compra registrada em nossos sistemas.

É muito simples ingressar no Convida Digital. Ao identificarmos um possível paciente crônico, enviamos um convite via mensagem de texto e, se ele aceitar, iniciamos o envio de informações e perguntas que ajudam o paciente a entender e a conviver melhor com sua doença. Ele passará a ter acesso a um assistente de saúde inteiramente digital, na palma da mão. Assim, fica mais fácil manter-se fiel ao tratamento, aumentando o bem-estar e a qualidade de vida, ao mesmo tempo em que contribui para a diminuição dos custos com plano de saúde da empresa.

CW Brasil - Quais tecnologias a empresa pretende implementar para revolucionar processos e inovar em serviços? IA?

González - Estamos sempre de olho no avanço tecnológico, especialmente nas tecnologias que ajudem nossos clientes e usuários a terem saúde e qualidade de vida melhores. Como temos muita informação armazenada, estamos investindo constantemente em nossa área de BI, machine learning e AI para tirar desses dados informações cada vez mais relevantes na tomada de decisões do RH e dos gestores médicos de nossos clientes. Por outro lado, estamos evoluindo muito em nossas plataformas mobile para melhorar a experiência de nossos usuários.