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Sensibilidade dá brilho à liderança de Paula Paschoal na PayPal Brasil

Executiva encontrou na maternidade inspiração para um comando pleno, mais alinhado às cobiçadas soft skills da nova era transformadora

Solange Calvo

08/03/2019 às 11h00

Paula Paschoal CEO PayPal Brasil
Foto: divulgação

Em um restaurante, eu e a assessora da PayPal Brasil aguardávamos pela comandante da empresa para a entrevista que daria origem a este perfil. Com a sua chegada, me dei conta de que ali estavam três mulheres com histórias de perseverança no mercado de tecnologia da informação – seara tradicionalmente masculina.

Paula Paschoal chegou apressada, desculpando-se pelos pouquíssimos minutos que a afastaram do on time. Chamaram atenção a simplicidade e a serenidade com que respondia as questões, não deixando de lado a capacidade de gerenciamento e a liderança (sem perceber) no momento de escolher o cardápio, negociar uma composição colaborativa de nossos pratos e passar as informações de maneira ágil, objetiva e muito clara ao garçom – líder nata. Para quem não sabe, Paula foi eleita pela Forbes Brasil uma das 40 mulheres mais poderosas em 2017.

“Trabalhei em poucas empresas, certamente diferente da maioria dos CEOs que você entrevista. Mas sempre foi com muita paixão, o melhor incentivo para o aprendizado”, avisou a líder formada em Administração de Empresas pela FAAP e pós-graduada em Gestão de Marketing no Varejo pela FGV.

Antes da PayPal, onde está há nove anos, sendo cerca de dois deles como CEO, Paula trabalhou dois anos na Amcham. “Foi uma escola. Lá, soube o que é ser uma boa vendedora e a importância do bom relacionamento – este grande trunfo e diferencial valioso.”

Na AMD, se especializou em Varejo e na Fnac, como gerente de comércio eletrônico, descobriu como entender e lidar com um público altamente específico, com características próprias. E na PayPal Brasil? Um grande e generoso desafio.

Entre 2010 e 2013, Paula foi head da área comercial da PayPal Brasil, vislumbrando ser diretora da área de Vendas da companhia, ela disse. Nessa época, a executiva ainda resistia em delegar tarefas e achava menos trabalhoso fazer do que delegar, por eliminar a etapa de ter de explicar absolutamente tudo, orientar – um dilema comum na gestão. “Hoje, sei que é o pior caminho.”

“Gosto de tudo estruturado, sou exigente e muito disciplinada. Por exemplo, não deixo nenhum e-mail sem resposta, é um desafio, sei, considerando a pesada rotina diária, mas cumpro”, tentou explicar a origem da tendência em se lançar em inúmeras tarefas.

Em 2014, foi diretora comercial e em 2015 veio a conquista da diretoria de Vendas, completando o aprendizado que contribuiu para assumir o alto comando da PayPal Brasil em 2017.

“Quando me tornei CEO da PayPal Brasil caiu a minha ficha: eu era mulher nesse cargo importante e sabia que não é algo comum, ainda estamos longe de encarar essa função como normal no universo feminino. Contudo, nunca observei impedimentos por ser mulher, mas sei que isso é um privilégio”, observou.

Libertação

Em 2015, tudo mudou. E a responsável pela transformação foi a maternidade. “Depois, voltei uma líder muito melhor”, garantiu a executiva que retornou ao trabalho quatro meses após o nascimento da filha.

“Comecei a entender melhor as pessoas, passei a ouvi-las mais atentamente. Entendi que é preciso saber mais sobre elas para ter um alinhamento perfeito. Passei a estabelecer empatia com o problema do outro”, relatou sobre a transformação.

Paula aprendeu a ser mais paciente e a dar mais atenção ao lado humano e não somente ao profissional das pessoas. “Foi uma libertação. Um filho ensina tudo isso, na prática, e como as coisas podem ficar bem melhores quando nos adaptamos de forma colaborativa com a situação.”

Ela contou que antes era muito focada em números e ávida por superar limites. Mas percebeu que o melhor a se fazer para atingir resultados de maneira consciente e sustentável é com o equilíbrio entre números e sensibilidade.

“E isso já começa no momento da contratação de pessoas. A escolha deve recair sobre as que têm paixão pelo lugar em que vão viver grande parte de suas vidas e que tratam o ambiente como se fosse a sua casa. Refiro-me a aquele tipo de pessoa que cuida em apagar a luz quando sai da sala de reuniões, sabe?”

Lição de vida

Paula assumiu consigo o compromisso de passar seu conhecimento em palestras, especialmente as direcionadas a meninas carentes, para mostrar que podem chegar lá. “Sei que tive muitas oportunidades e quero proporcionar oportunidades às pessoas. O importante é sempre obter um retorno positivo do que você faz, do que é realizado com paixão. Não por acaso, a PayPal Brasil tem um índice muito pequeno de turnover.”

Mas a executiva quer mais. E, para isso, disse que precisa aprender mais sobre como organizar o tempo, para poder explorá-lo da melhor forma possível e, quem sabe, ter mais um filho, confessou. E, de acordo com a primeira experiência relatada, certamente irá contribuir para que ela seja uma líder ainda melhor do que já é.

Transparência

“Meu sonho profissional e pessoal está em curso, que é por meio do meu trabalho oferecer o melhor para as pessoas. E poder dar à minha filha a mesma estrutura familiar que tive. Estou realizada e tenho a carreira que sempre sonhei.”

E isso fica claro em uma mensagem no seu perfil do LinkedIn: “Sempre acreditei na força dos relacionamentos humanos para a construção de vínculos profissionais prósperos e duradouros. A partir dessa regra de ouro, aprendi a construir times fortes e unidos em diferentes segmentos.”

E ela expõe lá sua importante preocupação: “Qual legado deixarei para a sociedade?”. Provavelmente, seu exemplo de perseverança, empenho, comprometimento e solidariedade, respeitando o lado humano das pessoas, dentro e fora do ambiente de trabalho. Questão de sensibilidade...