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Perseverança e conhecimento alçaram executiva a CEO da Topmind

Ser mulher e mãe de três filhos não impediram Sandra Maura de criar a empresa que hoje tem presença nos EUA e segue em franca expansão na AL

Solange Calvo

08/03/2019 às 17h44

Sandra Maura CEO da TOPMIND
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Imagine uma menina de 16 anos iniciando sua carreira em TI prestando suporte à mainframe. Foi assim que Sandra Maura, hoje CEO da Topmind ingressou nesse universo altamente masculino há mais de 30 anos.

Formada e Ciência da Computação e em Marketing, Sandra se direcionou para a área de suporte técnico, atuando com desenvolvimento e programação. E, apesar do forte contingente masculino nessa seara, ela diz que não sofreu qualquer tipo de discriminação.

“Fui acolhida, mas não fui poupada. E isso me fez crescer como uma profissional mais responsável. Se tinha de carregar uma caixa pesada, eu fazia, não havia, de fato, nenhuma distinção. E eu encarava”, diz sorrindo.

Com 19 anos, foi trabalhar na área de tecnologia no Bob’s, no Rio de Janeiro. Deixou a família em São Paulo, morava em hotel, e por dois anos prestou suporte técnico à rede de fast food, incluindo os finais de semana, porque era quando aconteciam os picos de demanda. “Por isso, não tive muitas oportunidades de visitar a família. As pessoas comiam mais e eu trabalhava mais (risos)”, relata.

Ao retornar para São Paulo, atuou na área comercial da Microsiga, hoje Totvs. “Com isso, me achei. Tinha conhecimento técnico, sabia propor uma solução, mas descobri o poder da tecnologia + negócios – a tecnologia como meio para viabilizar estratégias.”

Empreender era preciso

Munida de conhecimento e perseverança, veio a vontade de empreender. “Senti que estava pronta para isso e então criei a Topmind em 2004, focada em TI, que tem hoje 380 colaboradores e presença nos Estados Unidos (EUA) e na América Latina (AL) – Chile, México, Argentina e Colômbia. Estamos há 15 anos no mercado”, orgulha-se.

Março de 2008 representou um marco para a empresa (que considera o quarto filho), quando abriram o primeiro escritório nos EUA. “Foi um grande desafio, pois tivemos de vencer toda a complexidade da operação fora do país, barreiras do idioma, entre outros procedimentos relacionados à burocracia. Mas não me abati. Meu lema é acreditar e ir para a execução!”

De acordo com a executiva, a experiência trouxe mais força e confiança para seguir em frente, expandindo a operação na AL. “E sempre com o compromisso de nos atualizarmos constantemente. Todo ano, lançamos uma solução inovadora”, garante.

Para ela, independentemente de ser homem ou mulher, só se conquista espaço com muito trabalho e perseverança. “É claro que para nós, mulheres, é preciso se desdobrar muito mais para provar competência, infelizmente.”

Sem contar o fato de enfrentar várias jornadas do dia a dia, ela alerta. “Sou casada, tenho três filhos. E logo de cara tive gêmeos, engravidando muito em seguida do meu terceiro filho, o que se configurou em um quadro de ‘trigêmeos’ (risos). Mas não me desesperei. É preciso contar com uma rede de suporte para que tudo corra bem e eu tive isso.”

A maternidade muda a vida e o perfil de maneira inevitável, tanto na vida pessoal como na profissional, afirma a executiva. “Tornei-me uma líder com mais compaixão e sensibilidade. E confesso que muitas das vezes me pego sendo mãe de colaboradores em algumas situações. Porque é preciso ouvir e entender as pessoas. Hoje, posso dizer que sensibilidade é a cara da minha empresa.”

Sensibilidade

Sandra não se refere à sensibilidade atrelada a sentimentalismos, mas sim a relacionada à capacidade de interpretar, avaliar os dois lados da história, as circunstâncias, ouvir, ajudar. Significa ter bom senso, transparência, lealdade, ela ensina.

“Antes da era digital, tínhamos, nós mulheres, de abafar a sensibilidade para parecermos fortes. Embora fôssemos, era preciso provar. Hoje, com a importância que ganharam as softs skills como diferencial importante na nova era, penso que estamos, as mulheres, em vantagem (risos).”

Na avaliação de Sandra, o cenário para as mulheres está mudando. Quando a Topmind abria uma vaga, havia um maior número de candidatos homens, hoje essa diferença está diminuindo.

“Existem áreas em que o perfil feminino é muito bem-vindo, como por exemplo, aqui na empresa. Temos uma área de Suporte e Gestão Bilingue. Preferimos mulheres pelo perfil de sensibilidade, capacidade de ouvir, interpretar. Não que os homens não tenham essas habilidades, mas já comprovamos que o time feminino se destaca.”

Sandra não teme afirmar que hoje se sente completa, plena, destacando que seu maior desafio foi empreender e hoje é manter a empresa em constante inovação. Entre suas conquistas, ela diz, é ter uma empresa sólida e conciliar a vida familiar.

“Sou muito grata às oportunidades que surgiram em minha trilha até aqui. Agora, estamos mobilizados para crescermos e nos consolidarmos na AL, continuando a apresentar incremento na casa de dois dígitos. É motivo de orgulho para mim. Basta acreditar e partir para a execução!”