Home  >  Carreira

CEO da Connection desafia setor de publicidade com tecnologia e visão 360°

Para Paula Gertrudes, independentemente do gênero, importante é não perder o foco, não dar importância aos contras e seguir em frente

Solange Calvo

08/03/2019 às 15h30

Paula Gertrudes da Connection
Foto: divulgação

A carreira iniciada em um ambiente puramente masculino não intimidou Paula Gertrudes, sócia e fundadora da Connection, startup que monitora e conecta marcas a celebridades. Essa plataforma, criada em 2018, ganhou mercado apoiada na astúcia e na visão 360° da executiva, em um mercado de concorrência acirrada, que prima por atendimento de qualidade em alta velocidade. O trunfo? Tecnologia.

Perseverança não faltou à Paula em sua trajetória profissional. Publicitária de formação, ingressou no mercado de trabalho na Gazeta Mercantil, quando ainda estava na faculdade, localizada em Santo Amaro. Enfrentava um longo percurso para chegar em Mogi das Cruzes e exercer a função de assistente de marketing no jornal.

“Na época, deparei-me com um universo puramente masculino. Todos os diretores eram homens. E, na redação, embora contasse com jornalistas mulheres, todos os editores eram homens, o mesmo acontecendo com a equipe comercial”, conta a executiva.

Apesar de um ambiente dominado pela figura masculina, Paula diz que não sofreu qualquer tipo de discriminação por ser mulher. “Na verdade, nunca me ocupei dessa questão. Focava em meu trabalho e seguia em frente. Algumas vezes flagrei certos olhares desconfiados em reuniões com clientes, mas nada que me impedisse de seguir em frente”, ensina.

Depois da Gazeta Mercantil e de outros desafios, foi a vez de se lançar em uma arena frenética, que exigiu mais agilidade, mais adrenalina e cérebro acelerado – o Credicard Hall. “Foi a apoteose do aprendizado, fazendo o link entre personalidades e marcas, conectando perfis ideais para cada uma delas, matéria-prima da Connection.”

Em 2005, o desejo de ser mãe bateu à porta do coração. Deu um tempo para si e iniciou uma jornada de calmaria, preparando-se para a maternidade. Fez as malas e partiu para o Rio de Janeiro, em busca de paz e fertilidade. Até a chegada do filho em 2007.

Retomada com muita tecnologia

Eis que veio aquela vontade de retomar o mercado de trabalho. Desta vez com propósitos alimentados por um combustível instigante: família. E, assim, em 2010 nascia no reduto carioca a Cara de Conteúdo, empresa focada na conexão de artistas e marcas, especialidade da fundadora.

A Cara de Conteúdo seguiu ampliando o escopo para campanhas de publicidade e logo conquistou a conta exclusiva da Samsung para contratação de celebridades. Dona de astúcia característica, Paula se pautava nas capas de revistas estampadas nas bancas de jornal e nas conversas captadas em salões de beleza, bons termômetros para identificar quem estava em alta, na avaliação da executiva.

"Na Cara de Conteúdo, fui pioneira em várias ações, como Hugo Gloss cobrindo a transmissão do Youtube Carnaval de Salvador pelo Twitter, em uma época em que essa rede social estava emergindo. Imagine retratar acontecimentos, sem imagem, limitado a 140 caracteres? Foi um sucesso!”, conta a visionária. A partir dos likes e das visualizações, passou a contar com a ferramenta para métrica de repercussão e alcance do seu trabalho.

De volta a São Paulo, continuou com a Cara de Conteúdo e ao mesmo tempo sócia dos empresários Marcus Buaiz, Charles Martins e Marco Serralheiro na criação da Act10n, agência especializada na gestão de celebridades. “Havia trabalhado com eles no Credicard Hall. Excelentes profissionais do setor de Marketing. Eles me alçaram a outro patamar. Abriram meus os olhos para novos horizontes”, diz.

A fusão da Cara de Conteúdo com a ACT10N aconteceu em 2016, uma movimentação natural, segundo a executiva. Mas em 2018 veio a concretização do sonho: a criação da Connection, plataforma que monitora e conecta marcas a celebridades por meio de metodologia aplicada à inteligência artificial (IA).

As conexões entre celebridades e marcas que moravam no cérebro de Paula foram transportadas para a plataforma, fazendo da tecnologia caminho inevitável para criar processos digitais rápidos, com compartilhamento de informações e colaborativos.

“Não existia nada pronto no mercado que fosse do jeito que eu queria. Capaz de gerar as respostas de que necessitava. Precisava tornar digital a minha metodologia. Colocar ali o meu cérebro, com toda a sua agilidade e habilidade como em um game, fazendo rápidas conexões”, revela.

Assim, Paula fuçou o mercado para saber o que a Inteligência Artificial (IA) poderia ajudar no propósito de criar uma plataforma inteligente, que aprende a cada imput de informações, com machine learning – a Connection.

A nova era

Paula resume a Connection como uma empresa de tecnologia incrustada no mundo da publicidade, com alto nível de inovação. “Contratei desenvolvedores, que sabiam criar com IA, do jeito que imaginava a plataforma. Fui desafiada: ou alimentava o medo pela tecnologia ou a usava em meu favor.”

A executiva escolheu o segundo caminho. E foi aí que a sua metodologia ganhou a força necessária. “A plataforma consumiu mais de um ano para desenvolver o conceito do meu raciocínio. E, depois, claro, o superou, me surpreendeu. Trazia informações que não havia pensado para uma determinada campanha. Ela ganhava a minha confiança a cada etapa, a cada desafio, porque traz o inusitado. Sensacional isso”, empolga-se.

Paula continuou sócia da ACT10N, mas fora do dia a dia da empresa. E levou os mesmos sócios para a Connection. “Abraçaram a causa comigo porque acreditaram na iniciativa, no poder da tecnologia e tudo o que a IA pode proporcionar”, finaliza a aficionada por inovação, que prossegue em busca constante de tecnologias capazes de transformar permanentemente o seu negócio.