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5 perguntas para o CEO: Daniel Galante, da Claranet

Executivo detalha as operações da empresa no Brasil, projeta os próximos passos e comenta sobre sua mudança de atuação

Guilherme Borini

08/03/2019 às 8h01

Foto: Divulgação/Claranet

Presente no Brasil desde 2016, após aquisição da CredibiliT, a Claranet tem planos ambiciosos para o País. Atualmente, a empresa atua com uma oferta baseada em serviços de nuvem pública, mas o caminho no Brasil é a nuvem híbrida, seguindo a oferta global.

Daniel Galante, managing director da empresa no Brasil, comenta que os primeiros dois anos foram de estruturação dos alicerces da companhia no País e, a partir de agora, é momento de olhar para o mercado com novas oportunidades, considerando inclusive outras aquisições para que consiga realmente trazer o portfólio total da Clarenet Europa ao Brasil.

"Na Europa, a Claranet usa espaço em 43 diferentes data centers para prover serviços próprios de nuvem, que é a nuvem privada em combinação com os players de nuvem pública como AWS, Google e Microsoft", destacou Galante, que é fundador da CredibiliT e assumiu a Claranet após a aquisição em 2016.

O executivo projeta que a Claranet terá infraestrutura própria no Brasil em breve.

Galante participa da seção 5 perguntas para o CEO, em que detalha as operações da Claranet no Brasil, projeta os próximos passos e comenta sobre sua mudança de atuação após a transição de empresário para executivo. Confira:

Computerworld Brasil: a Claranet está no Brasil desde 2016, após a aquisição da CredibiliT. Quais serviços a empresa trouxe para o Brasil?

Daniel Galante: a Claranet é um grupo com sede no Reino Unido, fundado em 1996, empresa privada e hoje o controlador é o Charles Nasser, que é o fundador, então quem fundou a empresa mantém a estratégia até hoje. A empresa partiu de um provedor de acesso a internet, em 1996, para um provedor de serviços gerenciados em nuvem híbrida. É como a empresa se define.

Temos três grandes linhas de negócios: nuvem híbrida, cibersegurança e workplace. A vinda da Claranet para o Brasil se deu por meio da aquisição da CredibiliT, a qual eu fui fundador, em 2016, para entrar no mercado brasileiro com uma oferta de nuvem híbrida, embora hoje ainda fazemos apenas nuvem pública como sequência do trabalho que vínhamos fazendo (na CredibiliT).

Os primeiros dois anos foram de estruturação do que entendemos ser os alicerces para a Claranet no Brasil e, a partir de agora, a empresa passa a olhar para o mercado com outras oportunidades também de aquisição para que consiga realmente trazer o portfólio total da Claranet Europa ao Brasil. Na Europa, a Claranet usa espaço em 43 diferentes data centers para prover serviços próprios de nuvem, o que é a nuvem privada em combinação com os players de nuvem pública AWS, Google e Microsoft.

Essa realidade de ter nossa própria infraestrutura no Brasil ainda não existe, mas vai existir nos próximos anos.

CW Brasil: o que mudou da CredibiliT para a estrutura atual que a Claranet conta no Brasil?

Galante: Em termos de portfólio técnico, temos hoje algumas ofertas de software próprio para deployment de aplicações que usamos do time da França, além da oferta da Claranet Security.

Tivemos evolução natural como empresa. Deixamos de ser uma empresa brasileira, de pequeno porte, para uma multinacional. Temos portfólio diferente, melhorado, mas ainda estamos focados no segmento de nuvem pública no Brasil. A CredibiliT era focada no serviço de nuvem pública, a Claranet fez a aquisição, continuamos focados em nuvem pública hoje, com algumas partes do portfólio adicionadas pela Claranet. Agora o caminho é para nuvem híbrida no curto prazo. A empresa está pronta para dar os próximos passos para crescimento inorgânico no país. A intenção é crescer na região, usando o Brasil como um hub.

Hoje a Claranet se propõe a ofertar serviços para as maiores empresas, é onde queremos estar. Queremos concorrer com os outros grandes players do mercado, então naturalmente os clientes que buscamos são de grandes dimensões.

CW Brasil: uma nova atuação agora é em segurança, após a recente aquisição da NotSoSecure. Como a Claranet está se posicionando nesse mercado?

Galante: a Claranet cresceu muito nos últimos 20 anos por meio de aquisições. E fizemos duas aquisições para o mercado de cibersegurança nos últimos últimos anos. Uma empresa é a SecOne e a outra a NotSoSecure.

Durante esses dois primeiros anos, mantivemos essas empresas nativas como companhias do grupo Claranet, mas começamos a fazer a integração do portfólio para Claranet. Passados esses dois anos, há quatro meses a Claranet criou a marca Claranet Cyber Security, que engloba esse portfólio todo já com uma cara Claranet.

Temos hoje oferta ampla de segurança, que vai de pen test, SOC (são três - em Portugal, Reino Unido e França), auditoria, resposta a incidentes de vulnerabilidade, consultoria para LGPD etc. É um leque grande de segurança e já podemos oferecer esses serviços no Brasil também.

A empresa vê serviços de segurança como grande oportunidade no Brasil e, com um portfólio completo, consegue ter uma amplitude em termos de cobertura de escopo de segurança.

Atendemos clientes como o Santander, em que fazemos penetration testes na Europa. Temos clientes de grande dimensão e é o que queremos no Brasil também. Começamos a oferecer esse serviço esse ano, é bastante recente, ainda estamos nos primeiros dias da oferta, mas contamos muito com a experiência europeia.

CW Brasil: o que mudou no seu papel de fundador/empresário para executivo de uma multinacional? Tanto em termos de negócios quanto sua liderança no dia a dia.

Galante: Fundei a CredibiliT em 2009 e, de lá para cá, muita coisa aconteceu, tanto com a empresa quanto comigo como pessoa e como executivo. O curioso é que uma das coisas bem positivas da transição para Claranet é que eu continuei empreendendo. A Claranet tem uma característica bem diferente que, embora seja uma empresa multinacional com estrutura e governança multinacional: ela permite que seus managing directors continuem empreendendo.

Sim, teve uma transição entre o empreendedor/empresário para um executivo dentro de um contexto de multinacional, mas aquela veia empreendedora não deixou de existir. Tivemos o privilégio de fazer essa transição sem perder essa liberdade de empreender. Mas é um amadurecimento enorme, tanto por conta de participar de um contexto quanto de conseguir perceber o mercado fora do Brasil. Isso traz referência de como podemos resolver alguns problemas daqui tomando como base alguns mercados mais maduros.

E a dimensão. A CredibiliT tem um histórico importante com nuvem pública, é reconhecida como uma das grandes empresas que começaram com esse mercado e tem competência técnica muito boa, mas era uma companhia de pequena dimensão. Passar a fazer parte do grupo Claranet nos permite dizer que somos grandes suficiente para dar o conforto financeiro para o cliente, de que conseguimos cumprir capacidades financeiros para contratos, mas pequenos suficiente para que o cliente continue sendo relevante para nós. Essa combinação é muito boa e conseguimos abrir portas hoje em clientes de dimensões que não conseguiríamos antes. Somos vistos como uma empresa de grande dimensão, mas conseguimos manter a agilidade.

CW Brasil: qual o principal desafio para este ano?

Galante: Nosso ano fiscal é junho-julho, então estamos no meio do terceiro trimestre. Ainda estamos vivendo desafios de final de ano fiscal e já começando o planejamento do próximo ano que se inicia em julho. Acho que hoje, para o mercado brasileiro, temos um cenário mais otimista do ponto de vista político e econômico - as empresas estão mais otimistas e abertas a novos investimentos, o que é bom para o mercado em geral.

Acho que o grande desafio hoje é construir relações de longo prazo com os clientes. Não somos uma empresa que trabalha com foco no curto prazo e é o que queremos fazer com nossos clientes. E fazer isso com nuvem é um grande desafio, porque os negócios com nuvem começam normalmente como um projeto e o que queremos construir é, por meio desses projetos, relações de longo prazo, fazendo com que eles usem o apoio da Claranet como um conselheiro e suporte para fazer essa evolução ao longo do tempo.

E o desafio do mercado é o termo multicloud. Isso começa a se tornar realidade no Brasil e algo que cada vez mais empresas olham como um fato e não uma mera tendência e temos que ajudar esses clientes a fazer isso acontecer. Hoje o grande desafio para a Claranet no Brasil é trazer o portfólio multicloud. Queremos avançar ainda nesse ano com esse portfólio completo e começar relações de longo prazo com clientes.

O desafio Daniel, que saiu de empresário para executivo, é natural de governança dentro da empresa. Temos Conselho de Administração, processos de reports financeiros, KPIs etc, e agora começa o desafio de ampliar essa estrutura. Como executivo de negócios no Brasil, a missão é apoiar a Claranet nesse crescimento e até em integração de outras empresas. Quando falmosa em estratégia de aquisição, podemos vir a fazer aquisições de empresas com operações ainda maiores que a nossa, então esse é meu desafio pessoal: fazer com que isso aconteça, mantendo a cultura Claranet.