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O que impulsionará a adoção de 5G na América Latina?

Estudo da GSMA indica custo como prioridade, além da demanda por mais velocidade e menos latência

Déborah Oliveira

28/02/2019 às 9h28

Foto: Shutterstock

Nos últimos anos, a taxa média de expansão de adoção de internet móvel saltou, saindo de 13% em 2010 para 37% no final de 2017, segundo dados da GSMA, entidade que representa os interesses de operadoras móveis em todo o mundo. Até 2025, três quartos da população estará coberta com serviços móveis. Apesar de esse cenário soar positivo, no final de 2017, 2,3 bilhões de pessoas em países desenvolvidos ainda não acessavam a internet.

Parece interessante falar na chegada do 5G, que promete mais velocidade de conexão e menos latência, mas a verdade é que em países desenvolvidos a nova geração de internet ainda demora para entrar em cena.

Enquanto países como Coreia do Sul – a mais avançada no tema - Japão, Estados Unidos, China e Austrália já estão prontos para essa nova realidade em 2019, no Brasil o cenário é diferente. O compasso é de espera. Em todo o mundo, mais de 60 redes comerciais estão programadas para serem implantadas e mais de 40 fabricantes esquentam os motores para entregar terminais 5G.

Guillermo Solomon, diretor-executivo de Business Network Consulting da Huawei para a América Latina, afirmou que a Huawei conta, hoje, com 30 contratos com operadoras em todo o mundo para entregar a próxima geração de telefonia móvel.

No Brasil, Claro e Vivo já fazem experimentos em 4,5G, mas efetivamente o 5G deve chegar em solo nacional em meados de 2021, considerando projeções otimistas. Há ainda muitas questões abertas, como padronização, leilão das primeiras faixas do 5G, e a limpeza da faixa de 3,5 GHz, que consumirá um certo tempo.

Leonardo Euler de Morais, presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), confirmou no MWC que o edital para efetivação da compra das primeiras faixas do 5G será lançado no segundo semestre de 2019. A licitação está prevista para acontecer em março de 2020. “Queremos dar previsibilidade para que as operadoras possam se preparar para o processo”, contou.

Transição do 4G para o 5G

Enquanto isso, os investimentos em 4G seguem a todo vapor. A TIM, por exemplo, em 2009, estava começando a implantação da sua rede 3G, com poucas cidades cobertas. Em 2019, passou a conectar quase todo o território brasileiro com as terceira e quarta gerações de telefonia móvel. No começo do ano, a tele reportou atender 3.272 cidades com o 4G, além dos 3.169 municípios cobertos por 3G.

Também em janeiro de 2019, a Vivo indicou que acumula mais de 1,2 mil cidades em todo o País ativadas com a frequência. Já a Claro, segundo informações da Teleco, soma 2.201 cidades com 4G, 1.047 com LTE Advanced e 958 com 4.5G (LTE Advanced Pro). A Oi, por sua vez, conta com 904 cidades com 4G.

Durante o Mobile World Congress (MWC), que acontece nesta semana em Barcelona, o 5G foi um dos temas mais debatidos da feira. Inclusive, diversas empresas já apresentaram seus produtos prontos para essa nova era. Huawei, Xiaomi, Oppo, LG e Samsung são apenas alguns dos nomes da lista. Há ainda protótipos de drones que transportam pessoas, óculos de realidade virtual e outros tantos dispositivos com 5G.

Migração efetiva

Mas, afinal, o que fará a América Latina migrar efetivamente para o 5G? Segundo Marco Galván, diretor de Engajamento Estratégico da GSMA para América Latina, a nova geração chega como resultado de diversas demandas. As mais emblemáticas dizem respeito ao crescimento do consumo de dados, o salto do acesso em zonas rurais, a integração com a cadeia de valor de internet das coisas (IoT), novas oportunidades no segmento empresarial e, naturalmente, a demanda por menos latência, mais velocidade e eficiência energética.

“Também há uma questão de custos associada”, completou ele. O executivo explicou que as teles precisam duplicar a capacidade de rede a cada 18 meses justamente em função do crescimento da demanda e que o 5G deverá garantir mais eficiência a um custo mais competitivo. O impacto no Produto Interno Bruto do investimento em bandas milimétricas (acima de 6 GHz) será altamente benéfico, destacou, movimentando quase US$ 21 bilhões na América Latina.

A migração para a nova geração de internet será gradativa. Em 2030, ele acredita que assim como acontece hoje com o 3G e o 4G, as redes 4G e 5G vão coexistir. Solomon, da Huawei, indica que esse cenário faz todo o sentido para preservação de investimentos anteriores das operadoras. “Operadoras gastaram muito dinheiro com as outras gerações e querem resguardar esse dinheiro”, reforçou.

Alguns inibidores, no entanto, desafiam a rápida evolução do mercado de 5G. Em estudo apresentado no MWC, a GSMA indicou que a América Latina tem preços de espectro por MHz cerca de três vezes maiores do que países desenvolvidos. Outros entraves incluem a limitação de renda e as de expansão da infraestrutura urbana, além da menor economia de escala pelo tamanho do mercado, a falta de estrutura de fibra para backhaul e a quantidade de usuários em redes legadas 2G e 3G.

*A jornalista viajou a Barcelona a convite da Huawei

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