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HoloLens 2: o que a novidade da Microsoft entrega ao mercado corporativo

Headset de realidade aumentada recebeu vários recursos e aprimoramentos, e foco será empresas

Mark Hachman | PCWorld EUA

27/02/2019 às 10h31

Foto: Divulgação/Microsoft

A Microsoft anunciou no último domingo, antes do início do Mobile World Congress (MWC), o lançamento do HoloLens 2, nova versão do seu headset de realidade aumentada. O produto pode não ser o objeto de consumo transformacional que todos esperávamos comprar, mas a empresa resolveu muitas deficiências do HoloLens original nessa segunda geração.

O HoloLens 2 foi projetado para trabalhar com os clientes corporativos da Microsoft e da nuvem Azure. Ele incorpora uma nova tecnologia de Renderização Remota que implica o uso do poder da nuvem Azure para impulsionar os recursos de processamento de imagem do headset HoloLens.

Entre as principais melhorias do HoloLens 2 está o campo de visão que é mais que o dobro do HoloLens de primeira geração, aproximando 2.000 pixels por olho e mantendo a densidade de pixels do original. O dispositivo também inclui interação táctil de dez pontos com hologramas, com sensibilidade manual completa, e um novo modelo de interface que permite que os usuários interajam com os botões e que os hologramas sigam o usuário.

O que melhorou

Alex Kipman, inventor do HoloLens original, anunciou o Spatial Anchors, uma maneira pela qual a chamada “Internet de hologramas” poderia ser desenvolvida para compartilhar imagens tridimensionais com o ARkit da Apple e o ARCore do Google.

A partir do momento em que você liga o HoloLens 2, duas melhorias importantes se manifestarão. O mesmo reconhecimento de íris usado nos primeiros smartphones Lumia ajudam no login. Esses mesmos sensores fazem do rastreamento ocular uma diferença fundamental: você não precisa mais orientar o cursor com pequenos movimentos de cabeça. Olhar para um elemento aparentemente já é suficiente para colocá-lo em evidência.

A principal deficiência do HoloLens original era sua capacidade de projetar hologramas em seu campo de visão. O dispositivo de primeira geração projetava hologramas apenas em uma faixa de 50 graus, criando uma sensação de olhar através de uma fresta para um mundo virtual. Com o campo de visão dobrado, como Kipman afirmou durante o lançamento do HoloLens 2, isso nos dá um campo de visão de cerca de 100 graus (não ficou claro se foi expandido horizontalmente   verticalmente.

Renderizador remoto

Os hologramas de realidade mista da primeira geração do HoloLens sempre pareciam blocos, até de perto. Em breve a Microsoft poderá resolver esse problema. Kipman anunciou um serviço baseado em Azure chamado Remote Rendering, que servirá como uma espécie de GPU externo para o HoloLens 2.

De acordo com a apresentação de Kipman, o Remote Rendering poderá processar na nuvem hologramas de até 100 milhões de polígonos, contra apenas 100 mil polígonos do hardware anterior, e mostrá-lospara o usuário do HoloLens. "Este serviço permitirá aos desenvolvedores transmitir conteúdo de alta qualidade poligonal diretamente para o HoloLens sem perda", disse Kipman.

A Microsoft não explicou como esse conteúdo processado remotamente será transferido para o HoloLens 2. Alguns dispositivos concorrentes de realidade virtual usaram um rádio WiGig de alta velocidade para transferir conteúdo, mas a lista de especificações HoloLens 2 da Microsoft inclui um rádio sem fio 2x2 802.11ac bem genérico.

Hardware e acessórios

A Microsoft também não disse nada sobre o peso do aparelho, mas o HoloLens 2 parece ser mais fino e provavelmente mais leve também. Como antes, uma faixa fina conecta a parte frontal e traseira do dispositivo, com um mostrador com catraca para ajustar a banda. Um headstrap é enviado para colocar um pouco do peso no topo da sua cabeça.

A fabricante Trimble prometeu a oferta de uma versão do HoloLens aplicada a um capacete rígido, como usado em ambientes de fábrica ou construção. Chamada de XR10, estará disponível ao mesmo tempo em que o HoloLens 2.

O HoloLens 2 também inclui um método melhorado de interagir com o mundo, através de suas mãos. A primeira geração de HoloLens usou câmeras de varredura de ambiente, na frente, para rastrear seus dedos enquanto você fazia gestos de "clique aéreo" com o dedo indicador. Com o HoloLens 2, todos os dez dedos são rastreados, permitindo que um apresentador toque um piano virtual, por exemplo.

E os aplicativos?

Infelizmente, Kipman e outros executivos da Microsoft que estiveram no lançamento deixaram claro que o foco da companhia é exclusivamente o mercado corporativo. A empresa escolheu mostrar no evento soluções que poderiam ser usadas nos segmentos de saúde, manufatura e mecânica. Apps como Microsoft Dynamics 365 Guldes, por exemplo, é um nome pomposo para descrever a capacidade de uma pessoa receber assistência remota de um expert via HoloLens and Skype. A desenvolvedora de apps Spatial demonstrou soluções colaborativas e executivos da Mattel apareceram com algo razoavelmente novo: uma versão 3D do Sticky Notes que permite colar lembretes a um um holograma com sugestões para futuras melhorias.