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5 Perguntas para o CEO: Marcos Matias, da Schneider Electric Brasil

De estagiário a presidente, executivo destaca principais desafios e oportunidades

Guilherme Borini

20/02/2019 às 11h28

Marcos Matias - Schneider Electric
Foto: Divulgação/Schneider Electric

Marcos Matias é um dos exemplos de dedicação e, sobretudo, identificação de funcionário com uma companhia. Ainda durante a faculdade de engenharia eletroeletrônica na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em 1989, o executivo entrou na Schneider Electric como estagiário e, trinta anos depois, tornou-se presidente da empresa no País.

O executivo passou por cargos de gerência, diretoria e vice-presidência em áreas variadas. Nos últimos seis anos, foi presidente da Zona Andina (que compreende Colômbia, Equador, Venezuela, Peru e Bolívia) e ficou instalado na Venezuela até, em junho de 2018, voltar ao Brasil para comandar as operações no País - que tem grane relevância para a empresa a nível global.

Entre 3% e 4% do faturamento global anual de 24,7 bilhões de euros da Schneider Electric refere-se à América do Sul - desse montante, 40% é representado pelo Brasil. No País, são quase 3 mil colaboradores, cinco fábricas (Guararema, Fortaleza, Curitiba, Blumenau e Porto Alegre), dois escritórios administrativos, além de um centro de distribuição.

Para Matias, o principal desafio em 2019 é entregar aos clientes uma verdadeira experiência digital, por meio das três camadas do Ecostruxure, plataforma de inovação e eficiência lançada pela companhia. "Primeiramente, embarcamos a IoT, conectando os produtos (primeira camada); na sequência, fazemos o monitoramento (edge control) (segunda camada); e, por último, por meio dos nossos softwares, entregamos data analytics, buscando sempre a eficiência dos processos", destacou o executivo, que participa da seção 5 perguntas para o CEO.

Outra meta do executivo é manter os esforços de igualdade de gênero. A companhia estipulou como meta global ter, até 2020, 95% dos colaboradores trabalhando em países com compromissos e programas relativos à equidade salarial entre gêneros. Na América do Sul, o percentual já atingiu 90%, e, nessa população, o gap salarial foi zerado.

O foco da companhia é que, até 2020, 30% dos cargos de liderança sejam ocupados por mulheres. Na América do Sul, esse percentual já é de 27%.

Confira a entrevista completa:

Computerworld Brasil - Você entrou na Schneider em 1989 como estagiário e trilhou uma carreira de sucesso na companhia. Após um período fora do Brasil, voltou ao país para liderar a empresa por aqui. O que encontrou de diferente?

Marcos Matias - Eu me deparei com um Brasil no caminho para retomar o crescimento. Também encontrei uma Schneider Electric Brasil sendo cada vez mais inovadora e proporcionando aos clientes as soluções de eficiência como o EcoStruxure, plataforma e arquitetura de sistema aberta, interoperável e habilitada para IoT.

CW Brasil - Qual é seu principal desafio neste ano?

Matias - Considero como meu grande desafio em 2019 entregar aos nossos clientes uma experiência digital: navegar nas três camadas do Ecostruxure, nossa plataforma de inovação e eficiência. Primeiramente, embarcamos a IoT, conectando os produtos (primeira camada); na sequência, fazemos o monitoramento (edge control) (segunda camada); e, por último, por meio dos nossos softwares, entregamos data analytics, buscando sempre a eficiência dos processos.

CW Brasil - A Schneider vem trabalhando na solução do dilema energético: 40 anos, x 1,5 consumo de energia, ÷ 2 emissões de CO2, x 3 eficiência. Conte um pouco sobre esse conceito e os impactos que deve trazer.

Matias - É possível perceber, hoje, três megatendências: urbanização, industrialização e digitalização. Em termos mundiais, as cidades abrigam mais de 50% da população, consomem mais de 70% da energia produzida e respondem por 75% das emissões de gases de efeito estufa. E até 2040, os centros urbanos receberão mais 1,9 bilhão de pessoas. Como consequência, a produção industrial crescerá significativamente. A previsão é de que o consumo mundial de energia industrial dobre até 2050, elevando demais os níveis de emissão de gases de efeito estufa na atmosfera.

A urbanização e a industrialização levam à terceira megatendência. Nos últimos 20 anos, conectamos 3,5 bilhões de pessoas à internet; agora, conectamos máquinas. Até 2020, teremos 20 vezes mais dispositivos conectados do que pessoas conectadas: 30 bilhões de aparelhos com acesso à rede mundial de comunicação. A digitalização causará aumento expressivo de dados coletados bem como do poder de computação na nuvem.

Mais pessoas nos centros urbanos, mais indústrias em operação, mais dispositivos conectados: estamos, sim, diante de um dilema: o consumo de energia crescerá drasticamente, mas é crucial reduzir pela metade as emissões de gases de efeito estufa. Caso contrário, será impossível manter o aquecimento global abaixo de 2ºC e gerir a poluição em um nível suportável. Para dar conta de um futuro que se vislumbra extremamente agressivo, temos que diminuir nossa intensidade de carbono e melhorar nossa eficiência em três vezes.

CW Brasil - A receita da companhia no Brasil é oriunda 35% do ramo da construção, 29% da infraestrutura, 18% da indústria e 18% do setor de TI. Quais as principais iniciativas de TI e o quanto esse setor tem potencial para ganhar mais espaço nos negócios da Schneider?

Matias - A Schneider Electric tem um vasto portfólio voltado à infraestrutura de TI. Nossa oferta vai desde nobreaks, estabilizadores e racks, até condicionadores, sistemas de monitoramento e módulos isoladores, entre outros. Temos soluções completas para data centers, e, para os próximos anos, nossa aposta está em torno da edge computing – tecnologia que tem ganhado cada vez mais espaço no cenário atual.

Aqui vale enfatizar o EcoStruxure IT, com arquitetura baseada em nuvem, ideal para gestão de data center como serviço. Ele ajuda os clientes a otimizar desempenho e mitigar riscos ao fornecer visibilidade em todo o ecossistema da central de dados, na nuvem e na borda.

CW Brasil - A Schneider Electric estipulou como meta global ter, até 2020, 95% dos colaboradores trabalhando em países com compromissos e programas relativos à equidade salarial entre gêneros. Na América do Sul, o percentual já atingiu 90%, e, nessa população, o gap salarial foi zerado. Como tem sido essa iniciativa de igualdade de gêneros no Brasil? Há outras iniciativas de diversidade também?

Matias - Na Schneider Electric, entendemos e respeitamos as peculiaridades de cada um dos nossos colaboradores, e oferecemos a todos as mesmas oportunidades de desenvolvimento. Estudos mostram que, quando temos grupos formados por pessoas com gênero, origem, experiência e formação distintos, há aceleração da inovação, maior engajamento dos colaboradores e melhor resultado econômico. Companhias com cultura diversa e inclusiva estão obtendo, em média, aumento de 38% na receita – fruto da inovação empregada em produtos e serviços (BCG Technical University of Munich).

A Schneider Electric sempre apoiou o desenvolvimento da carreira de mulheres. Foi assim que, de forma pioneira, entre 2015 e 2016, a empresa se incorporou ao Impact 10x10x10 e firmou seu compromisso com o HeForShe e com os Women’s Empowerment Principles (WEPs), ambos os programas da ONU Mulheres.

Outra iniciativa importante no pilar Diversidade & Inclusão é o treinamento de viés inconsciente. Por atividades interativas e simulações, a Schneider ajuda as pessoas a identificar preconceitos ocultos e detectar situações em que o viés influencia a tomada de decisão e prejudica a organização, os colaboradores, os negócios e a sociedade em geral.

Promovemos um ambiente de trabalho ético e saudável, sendo que nosso Código de Conduta prevê punições contra qualquer espécie de discriminação ou assédio. Temos um canal de denúncias à disposição dos colaboradores, operado por uma empresa de mercado e que garante a confidencialidade de qualquer fato reportado.

Como ações inclusivas, temos a política de “Family Leave”, que engloba licença maternidade, licença paternidade, licença para apoiar parentes seniores enfermos, além de programa de acompanhamento de gestantes. Também oferecemos flexibilização da jornada, home office e um canal telefônico para apoio financeiro, jurídico e psicológico para todos os funcionários.

Em se tratando de inclusão, vamos além do gênero, com programas de contratação e de acesso a cargos de liderança para pessoas com necessidades especiais, grupos LGBTIs, diferentes etnias, refugiados. E levamos nossas iniciativas aos nossos parceiros, fornecedores e comunidades, influenciando positivamente toda nossa cadeia de valor!