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5G não é uma bomba atômica, dispara presidente da Huawei

Executivo defende empresa chinesa após inúmeros ataques do governo dos EUA

Tamlin Magee | Computerworld UK

18/02/2019 às 9h48

Foto: Shutterstock

Durante conversa com jornalistas na última semana, Eric Xu, presidente da gigante chinesa Huawei, falou sobre o que vê como politização explícita do 5G em debate sobre segurança, e criticou as queixas lideradas pelos EUA e pela Austrália, de que a empresa seria  um risco para a segurança nacional. Ainda, comentou sobre as ameaças do presidente norte-americano Donald Trump de não mais fazer negócios com a empresa.

Xu ressaltou que a Huawei praticamente não tem presença virtual nos EUA de qualquer maneira, seja com unidades, rede ou eletrônicos de consumo, embora fornecesse conexões para as comunidades rurais em determinado momento.

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, chegou a sugerir que o relacionamento da Europa com a Huawei poderia ameaçar a relação entre os EUA e a Europa, em comentários feitos na última segunda-feira.

"Acho que as declarações do senhor Pompeo são mais uma indicação de que o governo dos EUA está empreendendo uma campanha geopolítica bem coordenada contra a Huawei", disse Xu. "Essencialmente, está usando uma máquina nacional contra uma pequena empresa - tão pequena quanto uma semente de gergelim."

Ele acrescentou que acredita que os clientes da Huawei em mais de 170 países podem falar melhor sobre "que tipo de empresa" a Huawei é.

Xu indagou: "A recente fixação na Huawei é realmente sobre segurança cibernética ou poderia haver outras motivações?"

"Eles estão realmente considerando a segurança cibernética e a proteção da privacidade das pessoas em outras nações, ou há possivelmente outros motivos? Algumas outras pessoas argumentam que estão tentando encontrar alavancagem para as negociações comerciais entre EUA e China", disparou.

"Algumas outras pessoas argumentam que, se o equipamento da Huawei fosse usado nesses países, as agências americanas teriam mais dificuldade em obter acesso às informações dessas pessoas ou teriam mais dificuldade para interceptar suas comunicações móveis. Eu acredito na sabedoria de 7 bilhões pessoas no mundo e eu acho que eles claramente podem ver esses diferentes tipos de possibilidades."

Xu acrescentou que a China e a Europa têm trabalhado juntas para criar padrões globais unificados para tecnologias de comunicações móveis 5G e futuras, com o objetivo de produzir maior clareza sobre as necessidades de segurança e permitir que os fornecedores sigam um único conjunto de padrões. Ele também destacou que "nenhuma empresa americana" está entre os cinco maiores produtores de equipamentos 5G - são elas, Nokia, Ericsson, Huawei, Samsung e ZTE.

"Mas agora, alguns políticos transformaram a segurança 5G ou cibernética em uma discussão política ou ideológica que acredito ser insustentável", disse ele, acrescentando que acredita que "tecnologia é tecnologia" e que gastará com engenheiros e cientistas para criar produtos em torno desses padrões unificados globais acordados.

Questionado se "a máscara estava caindo" em termos das ligações geopolíticas aparentemente mais evidentes com o desenvolvimento da tecnologia - particularmente agora que as empresas americanas estão sendo desafiadas -, Xu afirmou que "a tecnologia sempre foi realmente combinada com política."

"O que é política? As pessoas podem politizar uma coisa se quiserem, e definitivamente não podem politizar uma coisa se não quiserem. Como lidar com isso no final? Acredito que a humanidade passou por uma história e uma jornada tão longa, que há muitas pessoas que têm a sabedoria correta.”

“Com certeza, os avanços tecnológicos trazem benefícios para a humanidade. Por exemplo, o 5G pode trazer benefícios para o público em geral, pois eles podem desfrutar de experiências digitais muito melhores. Certamente não é a bomba atômica. O 5G, em qualquer caso, não vai machucar as pessoas”, completou.