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Qualcomm estreita relação com Anatel para acelerar chegada do 5G ao Brasil

Empresa insiste em liberação de espectro para explorar redes de quinta geração no País

Da Redação

14/02/2019 às 11h09

Foto: Shutterstock

Não é de hoje que a fabricante de chips para dispositivos móveis Qualcomm mostra estar de olhos atentos na tecnologia de 5G. E não é por menos. Segundo relatório da Ericsson, as redes de quinta geração devem impulsionar US$ 1,3 trilhão por ano, a partir de 2026, e as fabricantes, claro, querem pegar carona e ficar seu nome no emergente mercado.

Na visão da Qualcomm - e no mercado em geral -, o 5G tem três principais pilares: transmissão de dados, uso em missões críticas, além de suporte ao mercado de internet das coisas (IoT).

Ou seja, o potencial vai muito além de smartphones. Helio Oyama, diretor de desenvolvimento de negócios da Qualcomm, lembra que, do 1G para o 2G, o desafio foi capacidade de sistemas. Já na transição entre o 2G e o 3G, foi a implementação de internet móvel. Na sequência, para o movimento entre 3G e 4G, o desafio era levar banda larga para as conexões móveis. Agora, às vésperas da chegada do 5G, o foco é levar conexões para outras indústrias.

A Qualcomm garante: 2019 será um ano marcado por lançamento de produtos com 5G - sejam smartphones, roteadores ou módulos, por exemplo. A companhia diz estar trabalhando com mais de 30 parceiros fabricantes, entre eles Asus, Google, LG, Motorola, Sony e ZTE. Diversas novidades deste mercado podem ser aguardadas para o Mobile World Congress (MWC), principal evento do mercado de tecnologias móveis, que será realizada entre os dias 25 e 28 de fevereiro, na Espanha.

Mas ainda não veremos o 5G tão cedo no Brasil.

O que falta para o Brasil?

Francisco Soares, diretor de relações governamentais da Qualcomm, explica que o Brasil ainda não tem leilão de faixa para 5G agendado. Países como EUA, Espanha, Reino Unido, China, Coreia do Sul, Japão e Austrália já fizeram e, por isso, devem ter a tecnologia ainda neste ano. Por aqui, a expectativa da Qualcomm é somente no final de 2020 ou começo de 2021.

Diversos países, como EUA e Japão, escolheram a frequência de 28 GHz para uso com 5G. Mas, no caso do Brasil, a escolha é pela de 26 GHz, já que a de 28 GHz é de uso exclusivo de satélites. Segundo Soares, não houve acordo com empresas de satélites. "Para usar a mesma faixa, teria de mudar toda a regulamentação", comentou o executivo, citando o Japão, que está compartilhando a mesma frequência para 5G e satélites.

O executivo destaca que o País ainda está aguardando as definições da conferência mundial de radiofrequências (WRC-19), mas, na verdade, o Brasil deveria se adiantar, assim como fizeram outros países.

A expectativa da Qualcomm é de que a Anatel realize o leilão da frequência de 3,5 GHz ainda neste ano, liberando essa faixa para operadoras conseguirem explorar o 5G. Mas, segundo Soares, o ideal seria juntar nesse mesmo leilão os espectros de 3,5 GHz e 26 GHz - já que o processo ainda precisaria de consulta pública e diversas aprovações para ser aplicado. Essa proposta de união das faixas em um mesmo leilão foi enviada pela Qualcomm à Anatel.

Outra discussão é se o leilão seria arrecadatório, outra preocupação da empresa em relação ao atraso da chegada do 5G ao Brasil. "É difícil falar disso em um país com dificuldade de receita, mas existe um movimento grande, até com apoio da Anatel, para que não seja um leilão arrecadatório."

Todos os esforços da companhia em Brasília, segundo Soraes, estão sendo realizados pois a Qualcomm defende fortemente que o primeiro passo para o 5G no Brasil é a disponibilização do espectro. Se não tiver espectro, não dá. Eles são o oxigênio das comunicações móveis. É preciso fazer isso de forma rápida."

Ainda, Moraes avalia como positiva as primeiras conversas com as equipes do novo governo e, apesar de ainda acreditar em alguns tropeços por conta da transição de comando, confia que em breve teremos boas notícias para o 5G no Brasil.

O fato é que 2019 será um ano decisivo para o 5G no mundo e o Brasil precisa ficar atento para pegar carona e não ficar para trás, como tantas outras tecnologias que deixamos passar.