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5 perguntas para o CEO: Flávio Palestino, da SoftwareONE

Executivo destaca transformação vivida pela empresa nos últimos 12 anos

Guilherme Borini

11/02/2019 às 10h01

Foto: Divulgação/SoftwareONE

Há 12 anos, em 2007, Flávio Palestino participou da fundação da SoftwareONE no Brasil, atuando na área de gestão de negócios inicialmente como Business Development Manager. A subsidiária brasileira foi a quinta a ser aberta e, hoje, a companhia já está presente em 85 países.

Em 2013, Palestino foi para o Google, onde foi gerente de vendas para a plataforma Google for Work. Dois anos depois, em 2015, retornou à SoftwareONE para ser country leader, responsável pela entrega de todos os resultados da operação no país. Muita coisa mudou nesse período e a SoftwareONE vivem uma verdadeira revolução.

"Em 2007, a SoftwareONE era uma empresa 100% focada em licenciamento de software e a Microsoft sempre foi uma das marcas mais expressivas na corporação. Hoje a empresa tenta se posicionar para suportar clientes na transformação digital", explicou o executivo.

Segundo ele, a parte de licenciamento de software tinha representatividade de cerca de 98% do resultado da companhia. Agora, é de aproximadamente 65%, o que mostra o crescimento significativo de serviços consultivos.

Com mais de 3 mil colaboradores no mundo, a SoftwareONE possui sede global em Stans, na Suíça. Com faturamento anual superior a US$ 8,5 bilhões, a companhia representa mais de 9 mil fabricantes e tem mais de 24 mil clientes espalhados pelo mundo, incluindo multinacionais, pequenas e médias empresas, instituições governamentais, acadêmicas e ONGs. Atualmente a SoftwareONe é focada em em Gestão de Portfólio de Software (SPM), Licenciamento de Software, SaaS (Software as a Service), Gestão de Ativos de Software (SAM) e Cloud Computing.

Palestino participa da seção 5 perguntas para o CEO, em que detalhou as mudanças, o crescimento, bem como os principais desafios para a companhia.

Computerworld Brasil - Você participou da fundação da SoftareONE, em 2007. O que mudou e qual foi a evolução da empresa nesses 12 anos?

Flávio Palestino - Começamos a jornada em 2007 e ao longo de 12 anos muita coisa mudou, até pelo fato de o mercado que estamos inseridos. A velocidade é um negócio inacreditável quando estamos em TI. Globalmente falando, a SoftwareONE também vem de uma velocidade de crescimento. Em 2007, a subsidiária brasileira foi a quinta a ser aberta no mundo, e hoje está em mais de 85 países. O crescimento em termos de capilaridade, e também numérico, foram expressivos.

O que mais demonstra essa transformação é quando falamos do nosso foco. Em 2007, a SoftwareONE era uma empresa 100% focada em licenciamento de software e a Microsoft sempre foi uma das marcas mais expressivas na corporação. Hoje a empresa tenta se posicionar para suportar clientes na transformação digital.

E, para nós, essa expressão engloba dois grandes pilares: redução de custos - queremos ajudar clientes a adquirir tecnologia de forma mais sensata - e, ao mesmo tempo, suportar projetos de cloud. Esse é nosso grande propósito.

Licenciamento de software tinha representatividade em torno de 98% do nosso resultado. No ano de 2018, no Brasil, fechamos com aproximadamente 65%, o que mostra que estamos de fato conseguindo fazer o dever de casa, crescendo o lado consultivo.

CW Brasil - Como lidou com o desafio de manter a cultura da empresa, em meio ao crescimento?

Palestino - Os desafios foram inúmeros e sabemos que eles continuarão. O que é muito importante destacar é que a empresa, desde a fundação, foi muito fiel a cultura e valores. Nossos líderes, globais e locais, prezam pelo que chamamos de walk and talk, ou seja, liderar pelo exemplo. Isto dissemina positivamente criando um ambiente incrível que proporciona inovação e retenção.

Outro ponto importante é que somos um celeiro importante de talentos. Hoje temos 150 colaboradores, e um bom número deles presente desde a fundação e vários outros exemplos de pessoas que começaram conosco como Trainees e hoje se destacam fortemente em suas posições, sejam colaboradores ou gestores. Dar espaço para a nova geração é essencial para o nosso desenvolvimento.

Também como nosso avanço para o lado de consultoria, é inevitável ter nos tornado uma empresa mais técnica. Por isso, temos procurado nos talentos que estão ingressando, skills mais técnicos para termos fit com nosso atual momento.

CW Brasil - Vocês atuam fortemente com o conceito de transformação digital. Qual cenário/estágio vocês tem visto no Brasil?

Palestino - Ano após ano, as reflexões sobre esse ponto são bem interessantes. É cada vez mais impressionante o número de empresas que, por meio de uma autoavaliação, estão atingindo um alto grau de consciência que a transformação digital deixou de ser opção para subsistência. Ou transforma ou morre, é o que temos visto na prática. Alguns mercados exigem esse posicionamento de forma mais rápida, enquanto outros mostram mais resistência.

O fato é que para atender qualquer perfil de mercado, as empresas de tecnologia também estão precisando se reinventar, o que nos traz uma confiança muito grande na execução do nosso plano estratégico. Pesquisas apontam que até 2022, grande parte do budget de tecnologia das empresas será gasto com empresas e ideias que ainda estão nascendo ou ainda nem nasceram. Isto cria um ciclo de oportunidades inimaginável, ainda mais alavancado pelo otimismo de crescimento econômica para este ano.

CW Brasil - Quais setores estão mais avançados e onde estão os desafios nesse sentido?

Palestino - As oportunidades basicamente existem para todos. Inteligência artificial e machine learning, por exemplo, são dois pontos que vão ditar nosso futuro. Todas as empresas que possam se beneficiar desse conceito vão se destacar. Destaco também a modernização da estratégia de dados, garantia que a corporação possa explorar dados disponíveis de forma inteligente.

Ainda, a aceleração da adoção de nuvem, o que antes era decisão 100% econômica, hoje os decisores estão avaliando segurança, contratações etc.

E o terceiro pilar é a requalificação da força de trabalho - transformar time e trazer novas capacidades técnicas.

Alguns exemplos práticos: primeiro no mercado de saúde. Um cliente nosso que trabalha com exames laboratoriais, hoje realiza a comercialização da informações por meio da curva de tendências de anomalias capturadas pelos exames. Isso tudo transformado com big data. A informação passa a ser mais relevante do que o negócio core.

Outro caso é um cliente no ramo de locação de veículos. Estamos cruzando telemetria do automóvel com o programa de fidelidade do cliente. Com as informações, o cliente que é mais cuidadoso com o veículo, ganha maior desconto.

São dois exemplos que remetem à modernização da estratégia de dados.

CW Brasil - Qual seu principal objetivo/desafio à frente da empresa neste ano?

Palestino - Vivemos um momento ímpar. Alguns anos atrás tivemos a entrada de um fundo, ainda minoritário, que teve e tem como grande objetivo elevar o padrão de governança da organização, além de potencializar nossa estratégia de crescimento inorgânico. Em 2018 anunciamos algumas aquisições, cujas integrações serão iniciadas agora. Este será um grande desafio, não só meu, mas de todo nosso time, no que tange integração.

Marcos Matias - Schneider Electric

Quando se pensa em head count, estamos saindo de 150 no Brasil para a casa de 250 após a aquisição. Pelo que temos visto, 2019 será um ano em que novas aquisições serão anunciadas, não só globalmente como também possivelmente no Brasil.

Junto disso, entramos agora em um novo ciclo de execução do nosso plano estratégico, denominado visão 2022. E os pilares que sustentam este plano são proporcionar a melhor experiência de vida para nossos colaboradores além de nos posicionarmos cada vez mais como um player único no mercado de serviços em tecnologia.