Home  > 

Como conversar com o seu filho sobre cibersegurança?

Carla Matsu

05/02/2019 às 18h41

Foto: Shutterstock

O primeiro contato de crianças e pré-adolescentes com a internet tem se tornado cada vez mais precoce em meio a popularização dos smartphones. Mas algo que pode parecer, à primeira vista, um canal de entretenimento inofensivo para muitos pais, reserva uma série de perigos. Afinal, milhares de malwares são lançados diariamente e campanhas de phishing sofisticadas conseguem enganar até mesmo adultos mais atentos.

Em resumo, qualquer pessoa que navega na internet é uma potencial vítima de um cibercriminoso, porém no caso de crianças e adolescentes as consequências podem ser piores. Mas como explicar cibersegurança para uma criança de 5 anos de idade? Há uma melhor idade para introduzir o tema aos pequenos e como acompanhar a atividade deles sem ferir a noção de privacidade?

Para especialistas em cibersegurança, a conversa sobre o tema deve ser encarada da mesma forma como pais conversam com seus filhos sobre as ameaças no mundo offline. "Os pais devem e podem ter conversas abertas de acordo com a idade e maturidade da criança. Acredito que uma boa forma seja relacionar o mundo físico com o online, de forma simples e fácil. Por exemplo, da mesma maneira que é perigoso para você conversar com estranhos na rua, é perigoso aceitar convites de supostos amigos que são pessoas que você não conhece, pois, muitas vezes, estas não são quem elas dizem ser", aconselha Roberto Rebouças, diretor-executivo da Kaspersky Lab no Brasil.

Na visão de Viviane Rozolen, especialista em educação de usuários em segurança online do Google, a melhor saída é a prevenção por meio da educação, um trabalho em conjunto que deve ser conduzido e reforçado por pais e professores. Uma pesquisa recente do Google feita com 400 pais e 200 educadores observou que 91% dos professores reportaram que precisam de mais recursos para ensinar sobre segurança on-line de maneira eficaz. A ONG Safernet, que promove os Direitos Humanos na Internet, canaliza em seu site uma série de cartilhas e documentos sobre segurança online, incluindo, dicas que podem ser úteis para pais e educadores.

Viviane aconselha que pais reservem um tempo para navegar com seus filhos. "Falamos muito sobre a geração nativa digitalmente, que eles nasceram com a Internet, sabem gravar vídeo, compartilhar, baixar conteúdo. Mas eles ainda não desenvolveram a consciência de usá-la com responsabilidade. Esta responsabilidade é dos pais. E educadores podem levar a discussão para a sala de aula, pegando exemplos sobre temas como ciberbullyng e discutir a respeito, enfatizando exemplos que possam gerar empatia nas crianças. Todo esse diálogo faz parte de uma educação para uso mais responsável da Internet", assinala.

Quando a ciberexposição vem dos pais

Uma pesquisa recente feita pela Kaspersky Lab indicou que 39% dos pais na América Latina admitem já ter publicado nas redes sociais fotos de seus filhos com pouca roupa. Este tipo de comportamento deve ser evitado, senão banido. "Nem sempre é fácil abordar esse assunto com os pais, pois não há um limite claro entre o direito deles de postarem fotos sobre seus filhos e o direito das crianças de ter a privacidade preservada", pondera Miriam von Zuben, analista de segurança do CERT.br. "Apesar de difícil, é essencial que o processo de conscientização envolva o comportamento dos pais perante seus filhos", acrescenta.

Uma das formas de tentar criar uma postura preventiva, ensina Miriam, é destacando os riscos que os pais submetem seus filhos. As fotos e os vídeos divulgados podem viralizar rapidamente e os filhos serem ridicularizados em função disso. Entre as consequências mais graves está a manipulação, por terceiros, de imagens e vídeos postados indevidamente. "A fotografia de uma criança nua ou seminua, tomando banho ou brincando na praia pode ser algo bastante inocente para os pais, mas a mesma fotografia pode ser encarada com outra conotação por outras pessoas", alerta Miriam. Da mesma forma, expor a rotina dos filhos, com informações sobre onde eles estudam, quais cursos participam, locais que frequentam ou qualquer imagem que possa indicar sinais de posses materiais pode colocá-los em risco de sequestro.

Para maiores de 13 anos

Uma das dúvidas mais recorrentes dos pais diz respeito ao uso das redes sociais. A maioria das plataformas exige que o usuário tenha, no mínimo, 13 anos de idade para abrir uma conta no Facebook ou Gmail, por exemplo.  Entretanto, para Rebouças, pais devem estar por perto e decidir se seus filhos são maduros e responsáveis o suficiente para ter uma conta online. "O comportamento deve ser acompanhado de forma não-invasiva. Porém, mais do que tudo, o diálogo é o mais importante. É preciso explicar às crianças que o que publicamos hoje online existirá no mundo digital por um bom tempo e poderá, em um futuro, afetá-los de alguma forma, pois será possível resgatar publicações antigas. Por isso, eles precisam estar conscientes das informações e imagens que compartilham, para então, entenderem a importância de limitar esse acesso para pessoas de fora da sua rede de conhecidos".

Controle parental

Há ainda uma série de ferramentas que oferece recursos para controle parental, que dá aos pais um panorama da navegação online do usuário. Entre elas está a Family Link, gratuita para iOS e Android, que permite definir parâmetros e alertas para usuários de até 13 anos.

Já a Kaspersky Safe Kids é capaz de impedir o acesso indevido de conteúdos relacionados à troca de dados e ao compartilhamento de arquivos ilegais, além de sites que apresentam conteúdo proibido, armas, munição e conteúdo violento. A versão para desktop do produto ainda bloqueia a transferência de dados privados e a proteção contra armadilhas financeiras.

Cada família pode descobrir qual a melhor forma para tentar estimular o diálogo sem interferir na privacidade dos filhos. Entre as sugestões que Miriam, da CERT.br, dá é que pais peçam ajuda aos seus filhos. “Tirar dúvidas com eles sobre o uso da Internet indica que há um canal de diálogo aberto”, ensina. Outra dica é estimular crianças e adolescentes a compartilhar as experiências desagradáveis que tiverem na Internet. “Para isso, podem utilizar recursos como montar cenários, citar problemas já ocorridos ou aproveitar oportunidades, como casos que estão sendo noticiados e comentados. Isso os ajudará a entender os problemas, observar as consequências e servirá como alerta para que não passem pelas mesmas situações ou para que saibam como reagir”.

 

 

Deixe uma resposta