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Como drones podem ajudar na fiscalização de barragens

ABDI destaca como startups podem ganhar oportunidades diante do cenário

Da Redação

01/02/2019 às 17h09

Foto: Shutterstock

As tragédias envolvendo mineradoras no Brasil - a mais recente delas na última sexta-feira (25/1), com o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG), chocaram o país e trouxeram uma importante questão à tona: o que fazer para reforçar o trabalho de fiscalização no país?

Segundo relatório da Agência Nacional de Águas (ANA), são 24.092 estruturas cadastradas no Relatório de Segurança de Barragens de 2017, sendo que 18.324 (76%) não possuem informações suficientes para serem incluídas na Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB). As que estão nesta política são as que deveriam ser fiscalizadas.

A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) destaca que o cenário passa a ser uma oportunidade para startups que trabalham com tecnologia de drones e monitoramento por imagens atuarem na prevenção de desastres como o de 2015, em Mariana (MG), e o da semana passada.

O motivo é que o principal fator desta limitação é o quantitativo de fiscais que trabalham com o tema, uma deficiência que pode ser minimizada com o uso de tecnologias.
Logo após o desastre da última sexta-feira, a ABDI lançou um chamado para startups e empresas de tecnologias para desenvolver e aplicar soluções em ajuda a Brumadinho. Segundo a entidade, muitas das 1,5 mil que atenderam ao chamado atuam com tecnologia de drones.

Guto Ferreira, presidente da ABDI, comenta que as reuniões com o ecossistema de inovação em Brumadinho, com o presidente e diretoria da FIEMG (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), governo do Estado, com o subsecretário de Inovação de Minas Gerais, levaram em consideração o uso de drones para reforçar a fiscalização e o mapeamento das estruturas das barragens.

O que drones poderiam fazer

Gabriel Postiglioni, Sócio da Nong Precision Agriculture, startup que faz projetos ambientais, de agricultura de alta precisão e em edificações, destaca que com os drones seria possível fazer todo o mapa da barragem, e identificar onde há fissura ou algum outro problema.

Já Saulo Santana, Fundador e Sócio da startup Verde Drone, de Belo Horizonte, destaca que sensores infravermelhos e termais também auxiliam na geração de mapas e dados, podendo realizar um novo georreferenciamento do local, pois o deslocamento da lama e dos rejeitos alterou o relevo

Santana, que também é Consultor Aeronáutico e Piloto Remoto, afirma que com estes mapas também é possível fazer o planejamento estratégico para recuperação de áreas degradadas.

"Assim agregando todos os tipos de tecnologias que estão ao alcance, poderá ser útil para a segurança dessas estruturas, prevenindo novos rompimentos de barragens", completou o presidente da ABDI.