Home  >  Negócios

Como ter sucesso em uma jornada multicloud?

Você está pronto para aproveitar a sua jornada para cloud computing? Para onde a nuvem vai levar sua empresa?

Wagner Arnaut*

21/01/2019 às 8h03

Foto: Shutterstock

Legenda:

Há tempos ouvimos falar de computação em nuvem. Mas embora a tecnologia esteja consolidada – com previsão de 28% de gastos das empresas nos principais mercados de TI migrando para a nuvem em 2022, de acordo com o Gartner -, ainda existem dúvidas sobre os modelos disponíveis no mercado.

Estudos apontam que investimentos das empresas brasileiras em cloud devem atingir US$ 20 bilhões até 2020, fazendo com que as companhias que não utilizam cloud computing sejam tão raras quanto as que hoje não utilizam internet. Já dados da IDC apontam que até 2022, as quatro principais nuvens ("megaplataformas") serão o destino de escolha para 80% das cargas de trabalho.

Em 2018, ocorreram avanços tecnológicos que estabeleceram um novo padrão para adoção do modelo de cloud, levando as organizações a repensarem como definem a nuvem para suas metas e infraestruturas de negócios. Para 2019, as empresas se concentrarão em mudar suas estratégias de nuvem para extrair dados valiosos de seus processos de negócios; integrar dados de toda a empresa com informações externas; e aplicar serviços inovadores, como AI e blockchain. Assim, as companhias precisarão de ambientes híbridos e multicloud compostos das ferramentas, plataformas e infraestrutura certas para ajudar a realizar seus trabalhos com mais eficiência.

É fato que a transformação digital passa pela nuvem, mas como planejar uma estratégia de cloud que seja realmente efetiva para a sua companhia?

É importante entender que para adotar computação em nuvem é preciso saber onde se quer chegar para se determinar uma jornada estruturada, evitando o que aconteceu com empresas que se lançaram a essa tecnologia e acabaram questionando a mesma por não tirarem o real proveito para o seu negócio.

Um dos principais motivos é descobrir se suas aplicações são ou não compatíveis com o ambiente de nuvem – e quais as adaptações necessárias. Algumas aplicações já nascem (são desenvolvidas) compatíveis com a nuvem e sua migração ocorre tranquilamente, porém, outras precisam ser modernizadas, por exemplo, através de arquiteturas de microsserviços, que permitem construir apps mais resilientes e escaláveis. Neste caso os aplicativos são divididos em vários serviços que se comunicam por meio de APIs bem definidas.

É fundamental também saber que nem tudo vai para a cloud pública: ou por questões de regulamentação e segurança da informação, informações sensíveis, por questões tecnológicas ou por benefícios esperados. Muitas organizações não desejam armazenar seus dados fora de casa, outras possuem aplicações construídas em tecnologias não passíveis de serem migradas dessa forma.

A maioria das organizações brasileiras está direcionando os seus esforços para dois modelos de cloud:

1) Modelo de Cloud Híbrida: quando a companhia utiliza os modelos público e privado de cloud em conjunto, ou quando se integra um ambiente de cloud pública com o seu ambiente de TI tradicional;

2) Modelo Multicloud: modelo no qual as organizações adotam mais de um provedor de nuvem (multicloud), muitas vezes também incluindo nuvem on-premises, tendo a flexibilidade de escolher o melhor de cada uma das nuvens para diferentes projetos, serviços e cargas de trabalho.

O modelo multicloud é uma grande tendência que permite levar mais flexibilidade e confiabilidade à adoção de nuvem, garantindo maior disponibilidade e permitindo utilizar os melhores serviços de cada um dos provedores.

De acordo com a IDC, até 2024, 90% das organizações do Global 1000 terão uma estratégia de gerenciamento multicloud que inclui ferramentas integradas em nuvens públicas e privadas. Todavia, quando se utiliza microsserviços, containers e máquinas virtuais em múltiplos provedores de cloud existe um aumento dos esforços de gestão e governança nas múltiplas clouds internas e externas. Um dos fatores críticos de sucesso de uma jornada multicloud é a implementação de um gerenciador multicloud, fornecendo tanto transparência e facilidade na gestão tecnológica, de custos e de ativos.

Nesse cenário multicloud, as companhias vivenciam alguns desafios: ter visibilidade das informações necessárias para as equipes entre nuvens e clusters, trabalhar com um conjunto consistente de políticas de configuração e segurança e poder provisionar, configurar e mover workloads em múltiplas clouds e clusters de maneira automatizada – fatores que a tecnologia de micro-serviços com Kubernetes por si só não endereça. Para lidar com isso, ter uma boa ferramenta de gerenciamento multicloud e multi-cluster é chave para quem quer embarcar nessa jornada de forma tranquila.

Na adoção de modelos multicloud é essencial também a utilização de plataformas e padrões abertos, para garantir que não haja lock-in e dependência tecnológica/financeira dos provedores, quando suas aplicações e dados são executados e armazenados no provedor de cloud selecionando. Além disso, numa estratégia de cloud híbrida é fundamental a utilização de padrões abertos para garantir a integração e a possibilidade de migração de dados e aplicações entre ambientes de cloud pública e ambientes de cloud privada (on-premises e off-premises).

Você está pronto para aproveitar a sua jornada para cloud computing? Para onde a nuvem vai levar sua empresa?

*Wagner Arnaut é CTO da IBM Cloud Brasil