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Chegou a vez dos robôs

Inteligência artificial e algoritmos cumprem importante papel para ganhos de produtividade em empresas

Paulo E. Brugugnoli*

20/01/2019 às 10h31

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Foto: Shutterstock

Diversos estudos mostram que a produtividade dos países latino americanos - e, em particular, o Brasil - é muito, mas muito baixa, quando comparada com os países desenvolvidos. Há raras exceções como nossas ilhas de excelência de produção agrícola.

Quando falamos de produtividade imediatamente associamos à capacidade produtiva e a diferença do grau de automação e inteligência aplicada aos processos fabris de nossas indústrias, que são incapazes de concorrer sem subsídios ou proteções governamentais com as operações 100% robotizadas dos países desenvolvidos ou contra os modelos baseados em mão-de-obra barata da Ásia.

Entretanto, produtividade é um termo mais amplo e que também diz respeito a como uma empresa emprega seus recursos nas atividades administrativas e de suporte ao negócio. Ser mais ágil, reduzir erros, retrabalhos e custos (SG&A) resultam em ciclos mais curtos dos processos e prazos, na queda dos estoques, diminuição dos prazos de recebimento, etc. E, portanto, impactam diretamente no resultado operacional e no retorno aos acionistas. Reduzir as ineficiências nos processos administrativos de uma organização são ações de “higiene” que não só geram valor ao negócio como também a blindam contra os momentos de crise - sendo mais ágeis e com menos custos fixos, o negócio fica mais resiliente aos eventuais vales de demanda.

Chegou a vez dos robôs, algoritmos e da inteligência artificial trabalhar em prol da melhora operacional dos processos administrativos, financeiros e de suporte das organizações. Estudo da McKinsey mostra que reduções entre 5 e 10% nos custos podem ser obtidos no prazo de 18 a 24 meses mediante adoção destas tecnologias. Parte destas tecnologias já são comuns nos processos produtivos e nas cadeias de suprimento, sobretudo em empresas situadas nos países desenvolvidos, razão pela qual o gap de competitividade de nossa indústria com a destes países segue aumentando. A novidade é que ferramentas análogas àquelas utilizadas nos processos fabris estão a nossa disposição para serem aplicadas nos processos administrativos com todos os benefícios comentados acima e com a vantagem adicional de liberar tempo relevante de nossos profissionais para se dedicarem a análise e estratégia de negócios ao invés de a operações de baixo valor agregado.

O casamento de AI com algoritmos especiais de process intelligence permite a uma organização entender claramente como seus processos estão operando, que normalmente são bem diferentes de como foram originalmente pensados ou desenhados. Estas tecnologias são capazes de promover uma engenharia reversa automática dos processos da empresa, mapeando-os com base em fatos reais extraídos diretamente dos sistemas de gestão – são capazes de construir um modelo digital análogo à operação real (DTO Digital Twin of an Organization – Gartner).

Através destes modelos digitais e do uso de AI podemos identificar tanto anomalias como ineficiências e gargalos da operação. O grande valor começa a ser capturado imediatamente já na definição e priorização das iniciativas de melhoria; podem ser direcionadas àquelas atividades que se comportam como gargalo do processo e que, portanto, limitam a capacidade e produtividade de toda a operação. Com ações cirúrgicas de melhoria é possível ao mesmo tempo aumentar a produtividade da operação como fazer os investimentos onde realmente importa. Além disso, uma vez implementadas as ações de melhoria nos processos, temos como subproduto a oportunidade de automatizar a execução daquelas atividades repetitivas e de alto volume (agora estáveis a adequadas ao negócio) através da adoção de robôs (Robot Process Automation) com baixa ou nenhuma atividade humana, reduzindo-se custos e liberando os profissionais para trabalhos mais nobres.

A utilização de algoritmos de ciência de dados e AI na área de Recursos Humanos consiste em outro exemplo do uso destas tecnologias com resultados significativos e até surpreendentes – estudos mostram melhorias de até 80% na conversão de novos recrutamentos, 26% de aumento na produtividade e 14% de aumento de receitas em empresas que passaram a utilizar robôs, algoritmos e AI nos processos de Recursos Humanos. Tais empresas passaram a compreender o comportamento e potencial de seus colaboradores evitando os turnovers não desejados, passaram a promover o turnover saudável, melhoraram a visibilidade das carreiras e planos sucessórios, aceleraram os processos de recrutamento e seleção, aumentaram a eficiência ao contratar profissional “corretos” para as posições vacantes e melhoraram a produtividade das atividades mais operacionais de gestão de pessoal, folha e benefícios.

O uso de algoritmos de process intelligence e AI também estão se tornando fortes aliados das áreas de auditoria uma vez que proporcionam transparência absoluta sobre como os processos estão sendo executados. A capacidade de mostrar e apresentar evidências sobre como as atividades foram executadas e alertar sobre desvios de comportamento fazem com que estas novas tecnologias simplifiquem muito o trabalho de auditoria e permitem o monitoramento constante dos desvios evitando que comportamentos ou processos indesejáveis possam ser prontamente corrigidos.

Adotar robôs, algoritmos especiais e AI requerem planejamento, patrocínio e foco das organizações. Não obstante são tecnologias maduras, disponíveis e que podemos ajudar nossas empresas a dar um salto de produtividade importante.

*Paulo E. Brugugnoli é CTO & MD, Brazil Head of Retail em gA