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Robô advogado ameaça emprego de profissionais recém-formados

Ferramenta, que já está em operação na Austrália, é capaz de escrever documentos legais

Byron Connolly | CIO EUA

17/01/2019 às 9h45

Foto: Shutterstock

Uma empresa de tecnologia australiana usou a Alexa, da Amazon, para construir um protótipo de advogado virtual. Segundo a empresa, a ferramenta pode criar documentos legais instantaneamente, como um ser humano real, ameaçando os empregos de advogados recém-formados.

O Alexa Skill, da Smarter Drafter - impulsionado pelo motor Real Human Reasoning AI - faz perguntas que um advogado faria e então elabora um documento legal que considera o contexto, os fatos, a jurisdição e as melhores práticas. Demora alguns minutos para que a entrevista seja realizada e o documento legal seja exibido por e-mail.

Adam Long, CEO da Smarter Drafter, diz que o advogado virtual testa se os advogados humanos correm o risco de serem substituídos por robôs.

“Mapeamos o processo de tomada de decisão de advogados especializados em detalhes para criarmos uma ferramenta que funcionasse no nível de um advogado humano. Os advogados já delegam a redação legal para outros especialistas - agora eles podem dar essas mesmas instruções ao software e realizar o trabalho em instantes, sem nenhum erro humano. Aqui estamos testando se podemos colocar o mesmo poder nas mãos do usuário final do documento”, disse Long.

A plataforma já é usada em mais de 150 escritórios de advocacia em toda a Austrália, mas atualmente é acessível apenas a advogados. Nenhuma data foi definida para a primeira integração com Alexa, mas Long disse que a empresa está a apenas alguns meses de lançar um assistente de voz para empresas e residências que criará qualquer documento legal que seja necessário.

O executivo acrescenta que, embora a ferramenta ainda não tenha passado no teste de turing - método que testa a capacidade de uma máquina exibir comportamento inteligente equivalente a um ser humano -, ele pode ver um futuro próximo em que advogados estarão trabalhando com membros da equipe de AI. Essa equipe virtual apoiará o advogado, trabalhará em estreita colaboração com eles e até mesmo fará chamadas para o advogado. O cliente pode não saber se está falando com um computador ou com um humano.

Para os advogados juniores, essa tecnologia é uma ameaça real, acrescenta. “Muitos advogados juniores começaram a trabalhar em escritórios de advocacia, fazendo um trabalho volumoso e voltado para o processo. Essas tarefas, como descoberta de documentos e redação legal, são candidatos ideais para automação. Então a questão é: o que os advogados juniores do futuro farão? Surpreendentemente, alguns vão realmente avançar para um nível sênior executando sua própria prática mais rápido do que a geração passada à medida que aproveitam a tecnologia e a inteligência artificial em vez de uma equipe de humanos para aprender”, acredita Long.

Enquanto isso, é uma oportunidade e uma ameaça para os advogados seniores. “No futuro, aqueles que trabalham com os robôs são aqueles que vão prosperar ao encontrar eficiência e melhores maneiras de atender seus clientes. Para eles, há uma oportunidade de passar mais tempo com os clientes e demonstrar empatia, uma habilidade que os computadores estão longe de ter, em vez de gastar seu tempo explorando o Microsoft Word”, completa Long.