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Transformação digital: desafios de atrair e reter mão de obra qualificada

Para atrair e reter profissionais qualificados, as empresas devem inicialmente analisar o cenário atual do seu setor

Júlio César Emmert*

09/01/2019 às 8h01

mao de obra TI
Foto: Shutterstock

A transformação digital está avançando de forma intensa em empresas de diversos segmentos. É praticamente impossível encontrar um negócio que não tenha sido afetado por alguma das diversas barreiras que foram quebradas pela digitalização ou mesmo pela sede de milhares de startups em busca de problemas novos para resolver.

Essa mudança altera completamente a forma como pensamos os desafios do negócio, como tomamos decisões ou até mesmo como nos relacionamos. Dessa forma, será necessário encontrar maneiras de preparar um número cada vez maior de pessoas para atuar nesse novo cenário, e isso será um fator absolutamente determinante para a competitividade das empresas e, até mesmo, das nações.

Atualmente, existe uma demanda por profissionais que tenham uma visão integrada de tecnologias como Big Data, analytics, inteligência artificial e machine learning, tudo isso empacotado em muitos soft skills, como flexibilidade e a capacidade de “ligar pontos” e promover a inovação. Esse é um cenário que atinge, inclusive, as companhias que fornecem essas soluções para o mercado, de modo que acaba sendo generalizada a constatação de que “faltam profissionais qualificados”.

Diante disso, a pergunta mais importante passa a ser como obter as competências que as organizações e as nações precisam, seja ao atrair novos talentos capacitados ou ao desenvolver essas competências dentro de casa – por meio de crowdsourcing sob demanda ou open innovation.

Antes de tudo, acredito que a tecnologia nos permitirá ser cada vez mais humanos. Por isso aposto no cultivo de uma relação de transparência e confiança mútua com os talentos e as comunidades com as quais a empresa está conectada, de modo que eles percebam que temos um interesse genuíno de crescer junto com eles. Como resultado disso, as pessoas se tornam o centro da estratégia, já que são elas que inspiram o estabelecimento das prioridades que direcionam o caminho trilhado para superar esse desafio de atração e retenção de talentos.

Ao mergulhar profundamente nos fatores que atraem e retém talentos, percebo que não existe apenas uma resposta ou solução para a suposta falta de mão de obra qualificada para o setor de tecnologia, mas que existem diversas questões envolvidas, tanto culturais quanto tecnológicas.

Para atrair e reter profissionais qualificados em um contexto de transformação digital, as empresas devem inicialmente analisar o cenário atual do seu setor, além de seus desafios específicos. Fatores locais, como a concentração de empresas de TI em uma mesma região ou a ausência de Universidades com cursos fortes de Ciência da Computação, podem ser decisivos para a estratégia a ser adotada.

E nesse contexto a área de RH surge como um parceiro estratégico fundamental, pois muitos dos fatores determinantes para superar o desafio virão de políticas e práticas que estão diretamente ligadas a essa área.

Independentemente do plano traçado, dois pilares devem ser sempre levados em consideração: a capacitação dos talentos existentes e a identificação proativa das fontes de talentos disponíveis no mercado. No primeiro, a empresa está valorizando o papel de quem já está na organização, além de sinalizar ao mercado que não tem receio das inovações ao abraçá-las. Enquanto que no segundo, a companhia se mostra aberta não somente a novos colaboradores, mas também a novas formas de trabalho que eles trazem consigo.

Ao capacitar internamente, estamos oferecendo uma oportunidade a quem já está imerso na cultura da empresa de se desenvolver e se tornar protagonista do seu crescimento. Além disso, se pensarmos em critérios puramente financeiros, esse investimento é menor do que custos da substituição de mão de obra – sem considerar fatores como o período de adaptação à nova empresa, além de sua cultura e seus valores.

Já ao procurar novos talentos no mercado, é importante a empresa estar disposta a abraçar a nova realidade dos profissionais de TI – como o desejo de aproveitar ao máximo as diversas oportunidades de trabalho que o mercado oferece ou mesmo a vontade de não ficar preso somente à uma única empresa.

Além disso, é fundamental reconhecer a força da mobilidade – o trabalho a distância é uma realidade e pode ser útil para a estratégia de atração de novos profissionais. Dessa forma, adaptar os processos internos e preparar líderes e equipes para colaborar com profissionais que estão distantes da sua estrutura física também se torna um ponto a ser considerado.

Portanto, é importante reconhecer e valorizar a diversidade de caminhos possíveis no contexto digital, porém lembrando que nada disso basta se esquecermos que no ambiente de trabalho sempre interagimos com humanos, seja na mesa vizinha ou do outro lado do notebook. Então, manter um ambiente genuinamente humano é tão útil quanto se mostrar capaz de evoluir processos e se adaptar à uma realidade pós-transformação digital.

*Júlio César Emmert é diretor de Gente da Algar Tech