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Em lenta retomada, setor eletroeletrônico mostra otimismo com novo governo

Indústria salta apenas 2% em 2018 e Abinee aposta em reformas do governo Bolsonaro para retomar crescimento

Guilherme Borini

07/12/2018 às 12h35

Foto: Shutterstock

O paciente saiu da UTI, foi para o quarto, mas ainda está em processo de recuperação no hospital e precisa de cuidados. É dessa forma que Humberto Barbato, presidente da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica), define o momento da indústria eletroeletrônica no Brasil.

O faturamento do setor deve encerrar 2018 em R$ 146,1 bilhões, crescimento e 7% em relação ao ano passado, quando registrou R$ 136 bilhões. O resultado representa incremento real de 2% no faturamento, descontando a inflação do setor que, segundo o Índice de Preços ao Produtor (IPP), ficará em torno de 5% neste ano.

"É uma realidade que o setor vem sofrendo desde 2013, quando começamos o processo de queda. Tivemos queda no número de empregos e a recuperação de emprego está sendo um pouco mais lenta do que nossa expectativa", disse Barbato, durante evento para apresentação dos resultados anuais do setor.

Foi o segundo ano consecutivo de crescimento, mas com uma atividade produtiva ainda abaixo das expectativas. Segundo Barbato, fatores como a volatilidade cambial, instabilidade do mercado, incertezas política e até mesmo a greve dos caminhoneiros foram preponderantes para o resultado abaixo do esperado.

A produção industrial deve crescer apenas 2% em comparação com 2017, enquanto os investimentos devem aumentar 7%. Já a capacidade instalada do setor permaneceu estável, com 77%. "Mesmo o setor tendo uma capacidade ociosa ainda importante, os investimentos não para de acontecer", destacou Barbato.

A continuidade desses investimentos, segundo ele, se dá por conta de algumas características deste mercado. "É um sintoma de que temos empresas de padrão mundial cujos lançamentos de produtos demandam atualizações da linha de produção e atualização do processo produtivo, que obriga que ocorram esses investimentos."

Empregos

O número de empregados do setor, que era de 234,2 mil no final de 2017, subiu para 236 mil, com a criação de 1,8 mil novos postos de trabalho. O número ainda é muito aquém do pico de 398 mil empregados em 2013, antes do setor sucumbir à crise.

A expectativa é de que o nível de emprego suba para 240 mil no próximo ano, mantendo a lenta retomada.

Confiança

O índice de confiança do empresário industrial do setor eletroeletrônico, segundo dados da CNI, bateu a casa de 65%, algo que anima a Abinee.

"Fazia tempo que não víamos um índice de confiança acima de 60%. Isso demonstra que, passado o período de dificuldade econômica e política, a esperança é que ano que vem possamos retomar o processo de crescimento, que trará benefícios para a indústria, trabalhadores e consumidores."

Para Barbato, o novo momento político, com promessas de reformas significativas por parte do governo Bolsonaro, é o principal motivador para o aumento da confiança. E a entidade está extremamente esperançosa com o novo governo que toma posse em janeiro.

Barbato citou inúmeros conversas com o vice-presidente eleito General Mourão, bem como uma reunião já agendada com o futuro ministro de Ciência e Tecnologia Marcos Pontes.

"Em todas nossas conversa com a equipe de transição, deixamos claro que a indústria quer aumentar sua produtividade de forma significativa, porque nos últimos anos o quadro que se montou é que a indústria brasileira está defasada e só depende de subsídios. Queremos deixar essa imagem que foi criada."

Para Barbato, a reforma tributária trará um grande impulso para o setor, assim como a reforma trabalhista, que já trouxe alguns impactos positivos neste ano.

"O novo governo prometeu mudanças e acho que tem compromissos séries em função da equipe que foi escolhida", disse.

Mas, aliado à esperança do setor, Barbato admite que este alto nível de confiança se dá também por conta das fortes turbulências dos últimos anos. "É de fato um índice de esperança", brincou.

Previsão para 2019

Para 2019, a projeção da Abinee é de crescimento de 8% no faturamento, além de crescimento de 7% na produção. Já os investimentos devem saltar 11%, totalizando R$ 3 bilhões.