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Napster não quer competir com gigantes de streaming, aponta CEO global

Ao contrário, diz Bill Patrizio, companhia quer prover a execução de serviços de streaming para outras marcas e negócios, revolucionando o segmento

Déborah Oliveira

04/12/2018 às 14h39

Foto: Shutterstock

A história do Napster começa em 1999, pouco antes de a bolha da internet estourar. À época, o Naspter era popular por ser um local para troca de arquivos, especialmente músicas. Pouco tempo depois, contudo, a empresa fechou as portas em razão de uma série de ações legais. Em 2008, ressurge oficialmente e se torna um serviço de venda de música on-line, comprado três anos depois pela Rhapsody, quando se livra das amarras do passado e ganha o status de empresa de streaming de música.

“Muitos lembram do Napster de quando era possível baixar música pelo computador. Assim, portanto, a marca tem forte conexão com disrupção e com DNA voltado para a música”, justificou Bill Patrizio (foto), CEO e presidente do Napster, em conversa exclusiva à Computerworld.

Falando sobre o mercado de música, o executivo relembrou que a compra via CD já vinha caindo há 15 anos e o setor vê agora uma retomada importante. “A razão é o streaming”, sentenciou. Hoje, segundo estimativas de consultorias são 175 milhões de assinantes de serviços de streaming no mundo, como Napster, Sportify, Deezer e Tidal. Um segmento que para ele está apenas em seus primeiros dias. Hoje, pelas contas do executivo, esse mercado gera receita entre US$ 6 bilhões e US$ 7 bilhões. Em 2030, esse número saltará para US$ 27 bilhões.

Ainda segundo as contas do executivo, os maiores serviços comandarão 80% do mercado de streaming no futuro e os demais players o restante. Patrizio não abre números do Naspter, mas para fins de comparação pesquisas indicam que o serviço conta com cerca de 3 milhões de assinantes pagos e 50 milhões de músicas. O Spotify somou cerca de 85 milhões de assinantes pagos no final de junho deste ano, segundo relatório divulgado pela empresa. Já a Apple teria 40 milhões de usuários pagantes.

“O Naspter é parte dessa indústria em crescimento. Temos consumidores optando pelo modelo de subscrição, focando em experiência social. Nos EUA, por exemplo, uma pessoa consome 2h30 ouvindo música. A oportunidade é grande”, revelou.

Bill Patrizio, CEO e presidente do Napster

O executivo, no entanto, avisa, que muito além do serviço de streaming, o Napster quer prover a execução de serviços de streaming para outras marcas e negócios. “O Powered by Napster é hoje um negócio relevante. Não queremos ter uma batalha de frente com os outros apps. Estamos focando em ajudar empresas a levar uma boa experiência para seus clientes. Dos outros 20% do mercado ocupado por outros players, o segredo é atingir os clientes com experiência. É nessa seara que estamos”, contou.

Patrizio relatou que a estratégia da empresa é estabelecer parceria com companhias como telecomunicações e varejo, levando a plataforma Powered By Napster para que eles cheguem mais perto dos usuários. “Eles usam a tecnologia por trás da música para alcançar o cliente. Assim, conhecemos o que as pessoas escutam, como e onde. E o CRM está por trás, apoiando os negócios e aproximando o usuário do produto e da personalização por meio do marketing”, explicou ele.

Um exemplo citado por ele foi a cadeia alemã de supermercados Aldi, que em 2015 lançou serviço próprio de streaming de música chamado Aldi Life Musik. A plataforma, que inclui o catálogo completo de streaming do Napster, pode ser usada não só durante as compras, como também fora dos muros da rede.

Personalização

O executivo aponta que muito em breve os serviços de streaming procurarão criar experiências mais atraentes e personalizadas aos clientes, mas que ao mesmo tempo ofereçam oportunidades para aumentar a receita. Experiências altamente personalizadas e localizadas nos mercados emergentes serão chave na próxima fase desse mercado, acredita. “O segredo é ser ágil e flexível”, alertou.

Para ele, a América Latina é, sem dúvidas, uma região estratégia e crítica para os negócios da empresa e ainda sua expectativa de crescimento. “A paixão por música na região é muito presente. Quanto mais local, melhor será o serviço. Um olhar para a região é fundamental para a atuação”, justificou ele. Com a evolução do 4G e a chegada do 5G, a tendência é de aceleração no uso de serviços de streaming por aqui.

A empresa tem impulsionado sua atuação na região, por meio de um time local. Há seis meses, Marcio Kanamaru assumiu o cargo de VP de Negócios e Operações da provedora global de música por streaming. Baseado em São Paulo, o executivo é responsável por liderar e executar a estratégia de crescimento da empresa em vendas, marketing e operações em toda a região.

E o futuro?

Assim como grande parte da indústria, Patrizio acredita que daqui para frente toda empresa será de tecnologia. Dentro do guarda-chuva tecnológico, outras tendências pautarão o mercado de streaming nos próximos anos.
As apostas do executivo estão em várias frentes, como podcast e audiobooks. “Artistas querem estar próximos dos seus fãs e essas são ferramentas de relação direta com eles”, apontou. Outra vertente citada por ele são os dispositivos inteligentes em casa, que terão nova interface para interação com a música. “Esse cenário certamente cria oportunidades para novos assinantes.”

Além disso, prosseguiu, o mercado verá mais a presença de inteligência artificial (AI) no campo, não só para fortalecer a personalização de conteúdo, como também, por que não, para criar música. “Mas neste caso, a discussão será: quem terá o direito autoral da música?”, questionou.

Sobre blockchain e realidades virtual e aumentada, Patrizio revelou que certamente elas terão espaço no mercado da música. Em 2030, projetou, haverá show inteiros oferecidos via realidade virtual. O blockchain, por sua vez, conectará artistas com royalties, usando contratos inteligentes integrado aos serviços de streaming convencionais. É, de fato, uma nova era que promete revolucionar completamente o setor.