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Fique atento: uma nova fase do e-commerce está chegando

Não impressiona se, em alguns anos, o crescimento do faturamento dos estabelecimentos deixe de ser linear e passe a ser exponencial

Ricardo Yuanaga*

03/12/2018 às 9h05

Foto: Shutterstock

Na década passada, dois acontecimentos foram muito importantes para a indústria de pagamento nacional. O primeiro foi a chegada massiva do chip nos cartões, que praticamente acabou com as fraudes das compras no mundo físico. Concomitantemente a isso, testemunhamos o brasileiro desbravando a internet e descobrindo as facilidades das compras on-line. Os dois marcos foram responsáveis por uma verdadeira mudança no perfil de consumo, na forma com que o comércio faz negócio e estrutura suas campanhas de marketing, mas, ao mesmo tempo, ambos tiveram um papel crucial na migração das fraudes do mundo físico para o e-commerce.

Desde então, a indústria tem trabalhado incansavelmente para oferecer cada vez mais segurança nas compras online e para desmistificar preconceitos e medos enraizados na cabeça dos brasileiros na hora de realizar um pagamento na internet. As vitórias nesse sentido têm sido constantes. De acordo com o E-bit, o faturamento do e-commerce brasileiro em 2018 deverá ser de R$ 53,4 bilhões, alta de 12% se comparado aos resultados de 2017. Em pleno momento de recessão econômica, esse crescimento gradual e consecutivo é um claro sinal de que o brasileiro está, sim, confiando cada vez mais no mundo on-line.

Por outro lado, com a rapidez com que as coisas acontecem em plena era da transformação digital, trabalhar com pagamentos no mundo virtual é desafiador. Não apenas por ser o palco preferido dos fraudadores, como também pela necessidade de sempre alinhar segurança com uma característica chave do e-commerce: a experiência do usuário. Pouco adianta ter ferramentas e sistemas seguros, se, para isso, o momento de compra é longo, cansativo, processual e burocrático.

A questão é que a internet, o mundo digital e os pagamentos móveis não são o problema. Pelo contrário. A indústria percebeu que, com o uso de data analytics e de inteligência artificial, temos verdadeiras armas em nossas mãos contra os fraudadores e estamos fazendo uso delas. Um exemplo disso é a versão 2.0 do protocolo de segurança 3-D Secure, que combina 10 vezes mais dados do que sua versão anterior. Comerciantes e emissores trocam mais informações contextuais entre si para verificar a identidade do portador do cartão, como de que celular a compra foi realizada e até fazem uma análise comportamental dos hábitos de consumo, detectando qualquer alteração no perfil daquela pessoa.

Isso tudo sem esquecer a questão da experiência do usuário. A verificação continua imperceptível e ocorre em segundos. O processo de fechamento da compra pode ficar até 85% mais rápido, segundo o estudo “Experiência Tranquila com Verificação pela Visa”. Além disso, a solução ajuda os estabelecimentos comerciais a converterem mais vendas. Estimamos que o índice de abandono do carrinho de compras deve cair em até 70% e que a taxa de aprovação de pagamentos com segurança cresça de 70% para 90% aqui no Brasil.

Na indústria, segurança é alicerce para a transformação digital e a proteção tanto para os estabelecimentos comerciais quanto para os consumidores será ampliada de forma significativa nos próximos anos, aumentando consequentemente suas vendas. Ainda temos a chegada do débito no mundo on-line, que irá incluir um novo contingente de consumidores, possibilitando que pessoas que ainda não possuem crédito possam comprar em sites ou em aplicativos.

Por isso, tenho convicção de que estamos prestes a enxergar um aumento do consumo no mundo online nunca antes visto. Não me impressiona se, em alguns anos, o crescimento do faturamento dos estabelecimentos deixe de ser linear e passe a ser exponencial. E muito desse sucesso será graças ao incansável trabalho da nossa indústria em alinhar segurança com a experiência do usuário.

*Ricardo Yuanaga é diretor da Visa