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Clientes e empresas na garagem: como impulsionar a inovação

Metodologia enfatiza melhores práticas de design thinking, técnicas Ágeis, ferramentas integradas e desenvolvimento em nuvem

Paulo Torres*

29/11/2018 às 19h19

Foto: Shutterstock

Internet das coisas, blockchain e computação cognitiva já são realidade e as empresas já perceberam que a adoção dessas soluções é fundamental para inovar e impulsionar os negócios. Caso contrário, terão de lidar com turbulências para se manter ativas em um mercado cada vez mais competitivo. Mas como as companhias estão aplicando essas tecnologias?

Para se ter uma ideia, um estudo da IBM em parceria com a IDC, aponta que mais de 73% dos CEOs preveem que a computação cognitiva, ou a inteligência artificial (IA), desempenhará papel-chave no futuro de suas organizações. Os 6 mil CEOs entrevistados também disseram que esperam um retorno de 15% em seus investimentos em IA. A pesquisa descobriu, ainda, que os gastos globais em plataformas cognitivas chegarão a US$ 31 bilhões até 2019.

Olhando para esses dados, logo nota-se os esforços cada vez mais comuns das companhias em pensar em sistemas de apoio à inovação, como os labs e garagens, para ajudar a desenvolver soluções de negócio que tenham como base a aplicação dessas novas tecnologias. Porém, não basta mais apenas ter boas ideias, mas sim saber desenvolvê-las de forma rápida, testando – errando e corrigindo – para colocá-las em prática.

Nesse cenário, o modelo de garagem, principalmente, vem sendo reconhecido e premiado, por conta da sua agilidade na criação de projetos viáveis. As garagens são espaços que funcionam como aceleradoras de novos projetos, onde clientes e companhias provedoras de tecnologia, a partir de uma ideia, se reúnem e pensam, desenvolvem e testam juntos novas soluções e projetos em períodos que vão de quatro a oito semanas. A metodologia utilizada enfatiza melhores práticas de design thinking, técnicas Ágeis, ferramentas integradas e desenvolvimento com computação em nuvem.

A necessidade da utilização de garagens surge a partir do momento em que as empresas não podem mais esperar anos até entender se o seu projeto vai ser bem-sucedido, já que o mercado se torna cada vez mais competitivo e as companhias que ficarem para trás e perderem o bonde irão desaparecer. Assim, com entregas pontuais e constantes e o cliente sendo parte de todo o processo, os resultados tendem a aparecer mais rápido. Como resultado no final, surgem exemplos, protótipos ou pilotos, que podem ser de fato implementados.

Para que esse modelo seja completamente efetivo é essencial o modelo de cocriação, com a construção feita em conjunto e uma comunicação constante entre clientes e fornecedores para que estejam sempre alinhados com o objetivo traçado no início. A transferência de conhecimento acontece naturalmente quando todos colocam a mão na massa, fator importante para que a empresa esteja apta a escalar e atingir objetivos maiores no futuro.

E se a tecnologia pode parecer um bicho de sete cabeças para alguns, é aí que as garagens também contribuem, trazendo especialistas em TI para trabalhar junto aos clientes que possuem o conhecimento de negócios. A metodologia ajuda a suprir uma necessidade importante nos ciclos de projetos de inovação/transformação digital das empresas.

De forma geral, como resultado, além de levar redução de custos às empresas em uma taxa de até 50%, a metodologia também permite capacitar o time dos clientes e a trabalhar de uma forma ágil e independente após a entrega do projeto, permitindo que o cliente fique apto a dar continuidade escalando a aplicação ou desenvolvendo novos projetos.

Com entendimento da necessidade desde o momento zero, uma visão estratégica compartilhada entre clientes e fornecedores e acesso à tecnologia de ponta, criar uma jornada de transformação digital torna-se um processo interativo, dinâmico e com resultados para o negócio muito mais assertivos.

*Paulo Torres é Practice Leader, IBM Cloud Sao Paulo Garage & LA SVs Leader, Solutions