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Cadê a Oracle? CEO da AWS volta a alfinetar Larry Ellison

Com mais de 50% de participação em IaaS - segundo novo relatório do Gartner -, líder da Amazon ressalta crescimento de 46% no 3º tri

Guilherme Borini

28/11/2018 às 18h17

Foto: Divulgação/AWS

A estratégia da Oracle para ganhar espaço no mercado de cloud inclui o já conhecido marketing agressivo da companhia. Além de, claro, focar no desenvolvimento de novas tecnologias de ponta - como o lançamento do banco de dados autônomo -, a empresa não esconde quem é seu alvo predileto no mercado: a fornecedora líder em ofertas de infraestrutura como serviço (IaaSAmazon Web Services (AWS).

Larry Ellison, cofundador e CTO da Oracle, não tem poupado alfinetadas direcionadas a sua grande rival de nuvem, durante participações em conferências. No ano passado, por exemplo, logo após apresentar o banco de dados autônomo e suas vantagens – como redução de custos e ausência da necessidade de atuação humana -, o executivo prometeu contratualmente cortar metade do preço para clientes que migrarem seus workloads da AWS para Oracle.

Um ano depois, a companhia volta a adotar uma antiga estratégia para conquistar clientes da AWS. Assim como em 2016, a empresa distribuiu veículos Tesla pela cidade de Las Vegas, nos EUA, para oferecer caronas para participantes do principal evento da AWS, o re:invent, que ocorre nessa semana na cidade. Os carros, dessa vez, têm os dizeres: prometemos cortar a conta pela metade de quem migrar de AWS para Oracle - reforçando o discurso de Ellison.

Nos últimos anos, a AWS ignorou a maioria das alfinetadas, mas parece que Andy Jassy (foto), CEO da AWS, começou a entrar no jogo de Ellison. No mês passado, Jassy ​​usou sua conta no Twitter para informar que a área de negócios de consumo da Amazon, o Amazon.com, havia desativado o banco de dados da Oracle que utilizava até então, para migrar para a solução concorrente, o Redshift, da AWS.

Segundo o tweet do executivo, até o final de 2018, 88% dos bancos de dados da Amazon estarão rodando em AWS, enquanto 97% dos sistemas críticos serão movidos para Aurora e DynamoDB, ambos também da AWS. O executivo utilizou a hashtag #DBFreedom, em alusão à liberdade de banco dados e, além disso, disse que esse é mais um episódio do "uh huh, keep talking' Larry" - continue falando, Larry, na tradução livre para o Português.

O fato de a Amazon utilizar serviços Oracle durante os últimos anos foi um dos argumentos preferidos de Ellison para mostrar superioridade.

Foco na liderança

Nesta quarta-feira (28/11), durante keynote no re:invent 2018, Jassy voltou a alfinetar o figurão da Oracle - mesmo que tenha sido apenas por alguns segundos, já que o principal foco das duas horas e meia de apresentação foram os mais de 20 lançamentos de novos recursos da Amazon.

O executivo apresentou o último relatório de participação de mercado em IaaS, divulgado pelo Gartner, que coloca a AWS com 51,8%, com larga vantagem para a segunda colocada Microsoft, com 13%. Na sequência vêm Alibaba, que soma 4,60%, e Google, com 3,3%. A Oracle sequer aparece entre as líderes, e, no gráfico apresentado, a empresa está listada entre em outros, que somam 25%.

No meio desses "outros", uma pequena linha vermelha representa a Oracle, e Ellison surge "pendurado" no gráfico, levando o público a cair na gargalhada.

Ritmo acelerado

O momento da AWS é, de fato, para comemorar. A empresa fechou o terceiro trimestre deste ano com US$ 27 bilhões em vendas, crescimento de 46% em relação ao mesmo período do último ano.

O relatório, no entanto, mostra crescimento de 76% da Microsoft, mas Jassy frisou que, apesar de parecer um melhor desempenho, em termos de números a Amazon ainda ganha: crescimento de US$ 2 bilhões da AWS, mas que o dobro do que a empresa de Redmond.

Aurora: #databasefreedom

A hashtag #databasefreedom, utilizada por Jassy no Twitter, voltou à tona durante o re:invent. Sob a música Blackbird, dos Beatles, o executivo aproveitou a frase "você estava esperando esse momento para ser livre", para falar sobre o novo cenário do mercado de banco de dados, que agora tem diversas novas opções.

"O mundo de banco de dados foi miserável nos últimos anos para empresas. Empresa antigas, como Oracle, são caras e não focadas no cliente. Eles fazem decisões que são boas só para eles", disparou.

Jassy citou a capacidade de inovação do Amazon Aurora, solução de crescimento mais acelerado na história da AWS, que contou com 35 novos recursos nos últimos 12 meses.

Ainda, o executivo apresentou novas soluções de banco de dados. O primeiro deles é o Amazon DynamoDB On-Demand, nova opção de capacidade flexível para o serviço de banco de dados totalmente gerenciado, que permite que os clientes escalem instantaneamente para milhares de solicitações por segundo, sem planejamento de capacidade, economizando tempo e dinheiro dos clientes.

Outro produto lançado é o Amazon DynamoDB, que agora oferece suporte a transações, oferecendo garantias completas de atomicidade, consistência, isolamento e durabilidade para o desenvolvimento de aplicativos altamente escalonáveis.

Já o Amazon Timestream - banco de dados de séries temporais rápido, escalável e totalmente gerenciado para IoT e aplicativos operacionais - ajuda os clientes a processar trilhões de eventos de séries temporais por dia mil vezes mais rápido e a 1/10 do custo de bancos de dados relacionais, segundo a AWS.

Por fim, o Amazon Quantum Ledger Database (QLDB) visa fornecer um ledger de alto desempenho, imutável e verificável criptograficamente para aplicativos em que várias partes trabalham com uma autoridade centralizada e confiável para manter um registro completo e verificável de transações.

Confira o ecossistema de banco de dados oferecido pela AWS:

*O jornalista viajou a Las Vegas (EUA) a convite da Amazon Web Services (AWS)