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Amazon distribui estações terrestres para gerenciar satélites em cloud

AWS lança serviço Ground Station, que será usado para instalar antenas para download de dados de satélites, no modelo SaaS

Guilherme Borini

27/11/2018 às 19h54

Foto: Shutterstock

A Amazon Web Services (AWS), divisão de serviços de computação em nuvem da Amazon.com, anunciou nesta terça-feira (27/11) o lançamento do AWS Ground Station, ferramenta que visa facilitar processos de download, processamento e análise de dados vindo de satélites. As estações terrestres serão instaladas nas 12 infraestruturas globais da AWS localizadas em todo o mundo - uma delas em São Paulo -, onde terão as antenas instaladas. A previsão de disponibilização é até o meio do ano que vem.

O serviço, oferecido no modelo as a service - com pagamento por cada minuto utilizado -, mira clientes que operam dados em satélites, como agências espaciais, redes de televisão, governos e até mesmo universidades. Segundo a AWS, os primeiros cliente são empresas norte-americanas, entre elas DigitalGlobe e BlackSky, mas ainda não há informações sobre uso no Brasil. De acordo com Hermann Pais, líder de marketing digital para infraestrutura da AWS, a antena instalada no Brasil poderá cobrir praticamente todo o território nacional.

Segundo Andy Jassy, CEO da AWS, que apresentou a novidade durante o re:invent - evento global da AWS realizado nesta semana em Las Vegas (EUA) -, o desenvolvimento do serviço surgiu assim como a maioria dos outros lançamentos da companhia: após ouvir feedback de clientes. O principal desafio para empresas que operam satélites é ter uma ferramenta para gerenciar satélites de forma fácil e, sobretudo, barata.

Jeff Barr, evangelista de soluções da AWS, comenta que o Amazon EC2 tornou o poder de computação acessível em uma base de baixo custo e uso conforme o uso. Seguindo a mesma linha, o AWS Ground Station fará o mesmo com as estações terrestres de satélite. "Em vez de construir sua própria estação terrestre ou entrar em um contrato de longo prazo, você pode usar a Estação Terrestre da AWS conforme necessário, conforme o uso", disse, em post no seu blog.

Barr cita os casos em que é possível obter acesso a uma estação terrestre a curto prazo para lidar com um evento especial, como clima severo, um desastre natural ou algo mais positivo, como um evento esportivo. "Se você precisar acessar regularmente uma estação terrestre para capturar observações da Terra ou distribuir conteúdo em todo o mundo, poderá reservar a capacidade com antecedência e pagar menos. A estação terrestre da AWS é um serviço totalmente gerenciado. Você não precisa criar ou manter antenas e pode se concentrar em seu trabalho ou pesquisa", completou.

Cenário

Satélites estão sendo usados para uma grande variedade de aplicações, incluindo previsão do tempo, imagens de superfície e comunicações. Para gerenciar todos esses serviços, os responsáveis precisam construir ou alugar antenas terrestres para se comunicar com os satélites. Essa é uma tarefa e um custo significativos, pois os clientes geralmente precisam de antenas em vários países para fazer o download de dados quando e onde precisarem, sem esperar que o satélite passe por um local desejado. O processo requer investimentos de capital significativos e custos operacionais para construir, gerenciar e manter antenas, infraestrutura de computação e lógica de negócios em cada local de antena. É onde o Ground Station da AWS quer entrar para ganhar espaço: democratizando o acesso aos satélites.

A ferramenta permite que os clientes controlem operações de satélite de maneira mais fácil e econômica, além de acessar dados de satélite e integrá-los a aplicativos e outros serviços de nuvem executados na AWS. Segundo a companhia, os clientes podem economizar até 80% de seus custos de estação terrestre pagando pelo tempo de acesso da antena sob demanda e podem contar com o espaço global de estações terrestres da AWS Ground Station para fazer download de dados quando e onde precisarem.

Como funciona

Depois que os clientes recebem dados de satélite em uma estação terrestre, eles podem processá-los imediatamente em uma instância do Amazon ECS (Amazon EC2), armazená-los no Amazon Simple Storage Service (S3), aplicar serviços de análise e machine learning da AWS para obter insights e use a rede da Amazon para mover os dados para outras regiões e instalações de processamento.

Na prática

Pais comenta que a tecnologia tem enorme potencial para tornar viável a utilização de satélites de baixa e média órbita para comunicações. Na prática, isso tornaria possível a ampliação de tecnologias de internet das coisas.

O executivo citou o exemplo de uma mina em um local afastado, onde não há rede de comunicação. "Ela poderá ter uma rede de IoT monitorando", disse. Outro caso possível é o uso de carros conectados, que cada vez mais necessitam de conexão para operação.

*O jornalista viajou a Las Vegas (EUA) a convite da Amazon Web Services (AWS)