Home  >  Negócios

Tivit volta a mirar IPO e foca em negócios digitais

Com Carlos Gazaffi há três meses na presidência, multinacional brasileira registra pedido de abertura de capital

Guilherme Borini

26/11/2018 às 8h15

Carlos Gazaffi
Foto: Divulgação/Tivit

O momento da Tivit é de renovação. Em agosto, a companhia nomeou Carlos Gazaffi, então COO, para o cargo de presidente, posição anteriormente ocupada por Luiz Mattar, cofundador da companhia, que segue como CEO e presidente do conselho de administração. Gazzafi passou a ser o responsável pela operação de todas as áreas da empresa no dia a dia, enquanto Mattar foca na estratégia e relacionamento com stakeholders.

Além da mudança de comando, a companhia reorganizou a estrutura, agora dividida em quatro áreas de negócios: plataformas tecnológicas, que inclui o portfólio de infraestrutura; pagamentos digitais, responsável por suportar grandes empresas de pagamentos no Brasil; serviços de nuvem, para ajudar clientes em abordagens de nuvem híbrida; além da unidade de digital, com foco no uso de tecnologias emergentes.

A separação das funções no comando da empresa, com Mattar deixando a liderança das operações do dia a dia, pode ser explicada por um importante motivo. Somado ao foco em modernização de negócios para atender às demandas de transformação digital de clientes, a Tivit resgatou outro assunto à sua pauta: IPO.

A companhia teve capital aberto em 2010, mas optou pelo fechamento quando passou a ser controlada pela empresa britânica Apax Partners LLP. No ano passado, a Tivit fez uma tentativa de nova abertura, mas desistiu por conta de condições não favoráveis no mercado. Segundo a agência de notícias Reuters, investidores consideraram alto o valor de R$ 4 bilhões de proposto pela companhia. Agora, dez anos depois, os sócios estão reavaliando a possibilidade para abrir novamente o capital.

No último mês, a empresa registrou pedido para ter a opção de fazer IPO ainda no final desse ano ou no começo do próximo, segundo Gazaffi, em entrevista à Computerworld Brasil.

"Ainda não podemos dar muitas informações sobre o IPO porque estamos no período de silêncio estabelecido pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Mas a intenção é voltar a ser pública, o que traz uma série de vantagens para clientes em termos de governança e transparência de resultados para o mercado. É muito bom pra a indústria", comentou o executivo.

A aposta da Tivit - e de outras empresas brasileiras, como BMG e Stone, que também registraram pedido de IPO -, é na expectativa da retomada do otimismo do mercado com o "efeito Bolsonaro". As empresas esperam que o novo governo se comprometa com a agenda de austeridade fiscal para destravar as ofertas na Ibovespa.

Atualmente, apenas duas empresas brasileiras de tecnologia são listadas na bolsa brasileira: Totvs e Linx. "A Tivit seria a terceira empresa, sendo a primeira de serviços de tecnologia tendo suas ações negociadas na bolsa brasileira. Seria bom para o mercado."

Para Gazaffi, o fato de abrir capital não traria nenhuma mudança relevante no dia a dia da Tivit. "A Tivit é uma empresa saudável, geramos caixa para nossa própria operação. Não haverá grande mudança na dinâmica da empresa", disse.

Foco em inovação e soluções digitais

Se da porta para fora o foco está no IPO, do lado de dentro o momento é de manter a transformação interna para levar inovações e suportar a jornada de clientes para a nuvem.

Segundo Gazaffi, as unidades "tradicionais" da companhia, de plataformas e meios de pagamento, ainda correspondem a 68% dos negócios, enquanto digital e nuvem respondem por 38%. Mas o jogo deve virar em breve. "Mais de um terço da receita da empresa já vem de tendências (tecnológicas), o que chamamos de terceira plataforma. Essas duas áreas são as que mais crescem. O período de silêncio não permite fazer projeção, mas a tendência é ultrapassar."

tivit.jpg

Parte dos esforços de inovação estão reunidos em um espaço lançado no InovaBra, centro de inovação do banco Bradesco. Batizado de Digital Studio, o local recebe de um time da Tivit composto por profissionais de áreas de Design Thinking, User Experience, arquitetos e desenvolvedores de soluções. O objetivo é oferecer um ambiente para dar apoio a transformação digital dos clientes da multinacional. Na prática, o espaço é destinado para a cocriação de soluções inovadoras, especialmente para gerar negócios que atendam às demandas dos atuais e futuros clientes.

"Já temos vários clientes visitando, discutindo projetos e testando novas teses", completou Gazaffi.

Tags