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Qual o nível de adoção do SAP Leonardo?

Plataforma ainda gera dúvidas entre clientes. Fabricante alemã esclarece: é um conceito, não produto

Scott Carey | Computerworld UK e Guilherme Borini | Computerworld Brasil

26/11/2018 às 15h49

Foto: Shutterstock

Em junho de 2017, a SAP lançou o conceito chamado Leonardo para refletir sua mudança de posição de uma plataforma de IoT para um "sistema de inovação digital", que engloba recursos de machine learning, blockchain, big data, internet das coisas (IoT) e outras tecnologias emergentes.

O anúncio, realizado durante o Sapphire - conferência anual da SAP -, impactou o mercado e mostrou que a SAP estaria compromissada com inovações além de sua tradicional - e consolidada - ferramenta de ERP.

Mas qual o nível de adoção do Leonardo? Segundo pesquisas do Grupo de Usuários da SAP do Reino Unido e Irlanda (UKISUG), dos 345 membros participantes, apenas 6% planejam usar o Leonardo para apoiar seus projetos de machine learning ou de IoT, o que representa alta de apenas 2% no ano passado.

Uma estatística que pode preocupar mais Stephen Jamieson, chefe do SAP Leonardo para o Reino Unido e a Irlanda, é a seguinte: 25% dos usuários responderam com um retumbante "não" quando perguntados se usariam Leonardo para apoiar esses esforços, contra 18% no ano passado.

"Quando olho para as interações que estamos tendo como uma equipe com nossa base de clientes, vejo uma tendência muito forte e positiva para entender, explorar, questionar as capacidades de machine learning no contexto de negócios processos, observando as oportunidades que a IoT pode trazer para estender um processo de negócios”, disse o executivo, sem demonstrar preocupação.

Segundo ele, ao longo dos últimos dez meses, esse tipo de conversa passou de ser relativamente incipiente para algo que é muito essencial para os negócios do dia a dia, então vê uma forte tendência positiva.

Ele também disse que o laboratório de inovação Leonardo, em Feltham (Inglaterra), tem "muita gente passando para explorar diferentes tecnologias, aplicações e diferentes maneiras de fazer as coisas".

Paul Cooper, presidente da UKISUG, disse que estava "surpreso que [o resultado do estudo] estivesse tão baixo quanto estava". Ele admitiu que poderia haver alguma confusão remanescente no mercado em relação a o que é Leonardo.

Cases de uso

A dificuldade com Leonardo é que ele é, por definição, um diferencial para as organizações, por isso elas podem ficar reticentes em compartilhar seus casos de uso publicamente.

"As organizações geralmente estão tentando usar a inovação para se diferenciar e encontrar seu próprio propósito e papel único no mercado, então muito do que estamos lidando são declarações de problemas muito específicas e únicas que realmente só são relevantes para uma categoria específica. É aí que vale a pena gastar o tempo e se você puder escalar isso em toda a sua organização, há enormes ganhos a serem obtidos”, explicou Jamieson.

Dito isto, ele gosta particularmente de um deles: o Lloyds Register, instituição de caridade do Reino Unido que tem milhares de trabalhadores de campo que asseguram ativos industriais, de usinas nucleares a uma embarcação de pressão em uma refinaria de petróleo.

"Estamos trabalhando para aumentar sua força de trabalho de engenharia com tecnologias de inovação, combinadas com nossa rede de inteligência de ativos, o que nos permite fornecer serviços digitalizados", disse ele.

Conceito, não produto

Ricardo Del Santo, Vice-Presidente de Analytics e SAP Leonardo no Brasil, esclarece que a plataforma é um conceito que engloba diversas tecnologias com foco na criação de "negócios inteligentes". O uso de tecnologias emergentes engloba tanto ferramentas SAP, quanto a integração de tecnologias de outros players.

A grande questão - que talvez ainda não esteja muito clara para as empresas - é que trata-se de um conceito, não produto. "Estamos tentando acelerar o processo de inovação com o que ele provavelmente já tenha dentro de casa", disse Del Santo, em entrevista à Computerworld Brasil.

O executivo afirma que já tem visto um entendimento muito mais claro por parte de empresas brasileiras. "Quando temos a oportunidade de fazer o posicionamento correto, por meio de coinovação ou do projeto que vamos demonstrar o kit em determinado segmento, ele entende que aquilo não é um produto, é um conceito e estratégia clara de usar tecnologia inteligente por meio de SAP ou com alguma outra que ele já tem. Vejo um feedback muito positivo dos nossos clientes sobre do que se trata o Leonardo e como ele pode acelerar inovação."

No Brasil

Segundo Del Santo, o Brasil já apresenta uma maturidade para inovação muito maior do que há quatro ou cinco anos, por exemplo. Para o executivo, tecnologias como big data, IoT e inteligência artificial têm ganhado corpo.

Após um ano do lançamento do Leonardo no Brasil, o país contam com mais de dez projetos com o conceito, com empresas de setores como agronegócios e manufatura. Um deles é a indústria de máquinas e equipamentos agrícolas Stara. A expectativa é de colocar em produção mais dez casos até o final desse ano.

Uma das apostas para aumentar o número de projetos de inovação no Brasil vem de São Leopoldo (RS), onde a sede da empresa abriga o SAP Labs Latin America, em São Leopoldo (RS), que virou um de seus SAP Leonardo Centers.

"Em um ano, conseguimos lançar o conceito, colocar a estratégia no mercado e desenvolver cases", finalizou Del Santo.