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Protesto de funcionários força mudança na política do Google

Trabalhadores são contra forma como empresa lidou com reclamações de má conduta sexual. Em resposta, o Google acabou com a arbitragem forçada

Sharon Florentine | CIO (EUA)

22/11/2018 às 16h31

protesto
Foto: Shutterstock

No dia 1º de novembro, cerca de 1,5 mil funcionários do Google protestaram contra o tratamento inadequado em casos de reivindicações de má conduta sexual relacionadas a dois executivos da companhia. Em determinado momento, próximo do meio-dia, em mais de duas dúzias de escritórios do Google em todo o mundo, os funcionários saíram de suas mesas, deixando para trás um panfleto que dizia:

"Oi. Eu não estou na minha mesa porque estou saindo em solidariedade com outros Googlers e contratados para protestar contra o assédio sexual, má conduta, falta de transparência e uma cultura no local de trabalho que não funciona para todos. Eu voltarei à minha mesa mais tarde. Saí para uma mudança real”.

O protesto foi desencadeado por um relatório do jornal New York Times detalhando como o CEO da Alphabet, Larry Page, pediu ao cofundador do Android, Andy Rubin, que renunciasse após acusações de agressão sexual - e lhe concedeu um pacote de saída de US$ 90 milhões e uma declaração de apoio de Page.

As chamas foram alimentadas quando a mesma reportagem do New York Times revelou que o ex-vice-presidente sênior de buscas, Amit Singhal, recebeu uma indenização igualmente grande e que o diretor do Google X, Rich DeVaul, foi autorizado a permanecer em seu emprego após reclamações por má conduta sexual.

O Google, que recentemente removeu "Não seja malvado" de seu código de conduta, não negou as alegações ao New York Times. Em vez disso, o CEO, Sundar Pichai, e a vice-presidente de operações de pessoas, Eileen Naughton, responderam dizendo que a empresa demitiu 48 pessoas por assédio sexual e nenhuma delas recebeu pacotes de saída.

Funcionários solicitam alterações na política da empresa do Google

Os organizadores do protesto pediram cinco mudanças concretas na política da empresa do Google:

• Encerrar a arbitragem forçada em casos de assédio e discriminação.
• Comprometer-se a acabar com a desigualdade de salários e oportunidades.
• Um relatório de transparência de assédio sexual divulgado publicamente.
• Um processo claro, uniforme e globalmente inclusivo para relatar a má conduta sexual anonimamente.
• Alterar a hierarquia executiva para que o diretor de diversidade do Google (CDO) se reporte diretamente ao CEO e permita que o CDO faça recomendações diretamente à diretoria. Além disso, nomear um representante do funcionário para o conselho do Google.

Smartphone

A resposta do Google a essas alegações de má conduta sexual é apenas a mais recente em várias decisões questionáveis da empresa nos últimos anos. Como o NYT relata, “os trabalhadores pressionaram este ano contra o trabalho de inteligência artificial da empresa com o Pentágono, dizendo que seu trabalho não deveria ser usado para a guerra. O Google acabou decidindo não renovar seu contrato com o Pentágono. Os funcionários também repreenderam Pichai e outros executivos pelo desenvolvimento de um mecanismo de busca para a China que censuraria os resultados. Desde então, o Google não avançou em um produto de busca para a China.”

E, claro, quem pode esquecer The Memo? “Os funcionários do Google disseram que outros incidentes levantaram dúvidas sobre a atitude da empresa em relação às mulheres. No ano passado, um engenheiro, James Damore, argumentou em um documento interno que as mulheres eram biologicamente menos hábeis em engenharia e que ‘diferenças de personalidade’ explicavam a escassez de líderes do sexo feminino na empresa. Depois de um clamor, os executivos do Google rejeitaram o memorando e demitiram Damore”, relatou o artigo do NYT.

Em uma reunião de equipe em 2017, os fundadores se esforçaram publicamente para nomear modelos femininos, de acordo com dois funcionários que assistiram à reunião da equipe por meio de um vídeo.

"Sr. Brin tentou lembrar o nome de uma mulher que ele havia conhecido recentemente em um evento da empresa que o impressionou, disseram as pessoas. O Sr. Page eventualmente lembrou ao Sr. Brin que o nome da mulher era Gloria Steinem, a escritora feminista. O Sr. Page disse que sua heroína era Ruth Porat, diretora financeira do Google e do Alphabet”, diz o artigo.

Enquanto, no curto prazo, os protestos parecem ter alcançado pelo menos um dos objetivos desejados - esta semana, o Google anunciou que encerraria a arbitragem forçada em casos de assédio sexual -, resta saber se a empresa vai cumprir os outros.

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