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Red Hat se compromete com Openstack por pelo menos dez anos

Empresa recentemente foi adquirida pela IBM e ainda não comentou oficialmente sobre os impactos em suas soluções

Tamlin Magee | ComputerWorld UK

19/11/2018 às 9h35

Foto: Shutterstock

Embora a Red Hat compreensivelmente não discuta nada sobre a mega aquisição da IBM - por razões regulatórias - o diretor de gerenciamento de produtos, James Labocki, e o diretor sênior de gerenciamento de produtos da OpenStack, Nick Barcet, confirmaram o compromisso da empresa com o Openstack por, pelo menos, dez anos. A plataforma Openstack oferece Infraestrutura como serviço básica e outros recursos para infraestruturas de cloud pública ou privada

A companhia anunciou o Openstack Platform 14, que Barcet disse ter como objetivo fazer da Openstack uma plataforma melhor para rodar o sistema de orquestração de containeres Kubernetes, além de ajudar a gerenciar melhor a implantação da plataforma de containers OpenShift da Red Hat no bare metal e facilitar a integração do OpenShift e Openstack na camada de rede e armazenamento. Segundo Barcet, esse é um marco para a Red Hat porque é parte de uma nova estratégia para se concentrar em todo o seu portfólio como uma entidade única, em vez de produtos individuais.

"O maior problema com o Openstack é que ele resolve muitos e diferentes problemas dependendo de como é configurado, o que significa que sua compreensão inicial é definida pelo caso de uso. Isso pode levar um pouco de tempo para as pessoas, e nós falhamos como uma comunidade para tornar essa parte mais simples. Seria muito bom ter cenários pré-programados por caso de uso que você está tentando resolver”, reconhece Barcet.

Mas Barcet afirma que a empresa está vendo "muito sucesso" com o Openstack, variando de infraestrutura de propósito geral, implantações de big data e ambientes de cálculo, como para inteligência artificial ou computação de alto desempenho padrão.

"Estamos vendo muitas pessoas usando o Openstack não pelo aspecto 'acima da nuvem', mas pela capacidade de implantar cargas de trabalho no bare metal, e isso é algo que está aumentando muito rápido. Mais e mais pessoas estão lidando com a implantação de seus aplicativos com uma API de nuvem, mas diretamente no bare metal, porque precisam conversar diretamente com algum tipo de hardware na camada física”, comenta ele.

Isso pode parecer ir na contramão de muitas das grandes marcas nativas digitais que gritam mais alto sobre sua infraestrutura. No entanto, Labocki acrescenta que a empresa anunciou novas ferramentas para ajudar a migrar em massa as cargas de trabalho baseadas em máquinas virtuais da virtualização proprietária diretamente para o Openstack.

"Basicamente, será capaz de descobri-los e, em seguida, movê-los facilmente em massa. O que estamos começando a ver é que muitos clientes estão reconhecendo que há retornos decrescentes em sua infraestrutura de virtualização e estão começando a dizer: quero investir em outras tecnologias - Kubernetes, automação, gerenciamento de mukticloud”, diz ele.

"Eu não conheço nenhuma empresa da Fortune 1000 que realmente migrou tudo para a nuvem pública. Alguns fizeram grandes anúncios de que eles têm a intenção, mas a realidade é que parte de sua carga de trabalho deve permanecer interna para uma variedade de outras razões, seja regulamentação ou capacidade. Simplesmente não está acontecendo. Também estamos vendo os clientes retrocederem porque o custo do op-ex de ser executado na nuvem pública por alguns anos simplesmente pode não valer a pena”, adiciona Barcet.

Quando foi anunciado que a IBM pretendia adquirir a Red Hat, houve uma especulação amplamente divulgada de que era principalmente para fortalecer a corporação secular com uma posição melhor em código aberto e, crucialmente, em nuvem híbrida.

Importância do open source

De acordo com Barcet, AI, machine learning, big data, microsserviços, containers, IoT, entre outros, são fundamentalmente construídos em tecnologias de código aberto e Linux. Então, se as empresas vão querer digitalmente transformar, terão que abraçar o Linux e tecnologias de código aberto.

"A realidade é que, se a sua equipe não está sendo treinada nisso, você estará por trás da curva de como você é capaz de se transformar digitalmente. E o bom disso é quando você olha para todas as tecnologias fundamentais da virtualização e infraestrutura, elas são construídas sobre o Linux. O passado é construído sobre o Linux e o futuro é construído sobre o Linux. Então, eu acho que é uma escolha bastante óbvia ,se você é um líder em uma empresa, investir em Linux e habilidades de código aberto para poder fazer isso”.

Barcet acrescenta que, em sua opinião, a Red Hat equilibrou seu modelo de desenvolvimento e modelo de negócios para alcançar o sucesso, sendo um dos relativamente poucos números de empresas open source de grande sucesso.

"O modelo de desenvolvimento tem investimento maciço na comunidade, tudo é aberto, e o modelo de negócio é sobre a estabilidade por meio de um modelo de assinatura - e respondendo a problemas complexos assim que o software toca o hardware, porque independentemente de quão rápido podemos fazer evoluir software e hardware ou o custo de racking, o hardware é sempre um empecilho. Você vai ter que estabilizar a plataforma por pelo menos três anos, talvez cinco anos, talvez dez anos, dependendo seu modelo de investimento”, frisa ele.

"A Red Hat entendeu isso e entregou enquanto investia em um ritmo muito rápido na comunidade, um modelo de assinatura que permite que os clientes implantem em seu próprio ritmo e mantenham dentro do alcance certo”, complementa.

Quando perguntado sobre como a Red Hat pode estar à frente nos próximos meses e anos, Barcet diz que a empresa está comprometida com o Openstack "pelo menos nos próximos 10 anos", embora isso provavelmente faça parte de um projeto mais amplo de "infraestrutura aberta", enfatizando a importância da computação 5G e edge.

"O Openstack vai se transformar? Obviamente vai, mas já está se transformando - nuvem pública, nuvem privada para empresas de telecomunicações. É apenas um avanço contínuo. Eu acho que precisamos inovar mais rapidamente hoje do que quando começamos o projeto, é por isso que estou sugerindo que o ciclo de desenvolvimento seja encurtado.”

O que mais está no futuro? Barcet explica que a empresa está fortemente envolvida em pilotos de computação de ponta com várias empresas de telecomunicações, e a capacidade de gerenciar vários centros de dados que estão mais próximos do cliente, além de analisar a maneira como a 5G impactará a produção.

"Um dos grandes problemas quando você está desenvolvendo é que você precisa coletar uma enorme quantidade de dados para entender o que está acontecendo em suas cadeias de produção", diz ele. "E enviar esses dados pela rede pode não fazer sentido, então também precisa ter um modelo distribuído, distribuir nós de computação ou colocar implantações de pequena dimensão ainda mais perto de seu usuário final", concluiu.

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