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Especialistas do mercado on-line garantem: não existe Black Fraude

Números mostram que os consumidores já aderiram ao movimento, mas, para alguns, ainda existe uma certa resistência

Guilherme Borini

09/11/2018 às 9h41

Foto: Shutterstock

A Black Friday está ganhando corpo no Brasil. Há sete anos no país, a data - originalmente criada nos EUA como ofertas para encerrar o feriado de Ação de Graças -, demorou um pouco para engrenar, mas já mostra números positivos.

Segundo o portal blackfriday.com.br, idealizador do evento no Brasil, a data deve movimentar R$ 2,5 bilhões, alta de 19% em relação a 2017, que já havia sido recorde de vendas.

Os números mostram que os consumidores já aderiram ao movimento, mas, para alguns, ainda existe uma certa resistência. Segundo levantamento do portal ReclameAqui, realizado com 2,9 mil pessoas na segunda quinzena de outubro, 51% dos consumidores acreditam que os preços não são confiáveis. Apenas 2,8% acham muito confiável.

Usuários com um humor mais criativo - e ácido - apelidaram a data na internet como a Black Fraude. Mas importantes players do mercado de varejo on-line garantem: não existe fraude e as promoções de fato são reais.

Eduardo Fleury, country manager do Kayak - portal que reúne preços de passagens aéreas -, comprova sua afirmação de que "não existe a história de metade do dobro" com números.

Segundo o executivo, diversos destinos internacionais registraram queda no preço médio durante a última Black Friday. Os principais foram Faro (Portugal), com 74% de queda, Honolulu (Havaí) e Beirute (Líbano), com 56%, Abu Dhabi, com 50%, e Hong Kong, que registrou queda de 39% nos preços de passagens. Os destinos brasileiros com maiores quedas foram Bonito (MS), com 31%, e Ilhéus (BA), com 16%.

Segundo Fleury, o Kayak registra aumento médio de 40% a 55% nas vendas durante a Black Friday - mesma expectativa para este ano.

Juliana Camargo, líder de conversão de clientes do eBay na América Latina, afirma que a Black Friday também é a data campeã em vendas para o portal.

Ela destaca o aumento do ticket médio, com uma mudança para a categoria de itens com preços mais altos, como smartphones, videogames, tablets e relógios. "Os descontos existem, sim", garantiu. "Além das promoções em alguns produtos, aplicamos também descontos surpresas com ofertas relâmpago no Brasil e América Latina", completou Juliana.

Raio X do mercado

A empresa brasileira Vtex tem se consolidado nos últimos anos como uma das principais plataformas para e-commerce do mundo. Segundo Alessandro Gil, Chief Experience Officer da companhia, a empresa transaciona 18% do mercado de e-commerce brasileiro. O aumento no volume por conta da Black Friday, claro, traz impactos para a plataforma Vtex.

Os números apresentados pela empresa são um verdadeiro raio-X do mercado neste data.

Segundo Gil, as duas primeiras semanas de novembro registram queda de 20% nas vendas, na comparação com a primeira quinzena de outubro. Isso porque, segundo ele, os consumidores já pisam no freio justamente esperando o final do mês com as promoções.

Prova disso é que o mês de novembro, após a guinada com a Black Friday, fecha com média de 73% mais pedidos. "Contra fato não há argumentos. É o maior evento do varejo brasileiro", definiu o executivo.

Para ele, demorou de três a quatro anos para o consumidor entender que não são todos os produtos que estarão em promoção. "O consumidor entendeu que existe uma seleção de produtos, senão o varejista quebra. Se for vender tudo pela metade do preço, quebra."

Por conta desse cenário, Gil afirma que os principais desafios para varejistas são aumentar volume, aproveitar a sazonalidade e, sobretudo, manter a margem. "Tem muito varejista que vende e não consegue atender."

De acordo com o executivo, a expectativa da Vtex é de realizar 2 milhões de pedidos em sua plataforma durante todo o final de semana da Black Friday, o dobro do que o número de 1 milhão registrado no último ano.

Fraudes

Uma das grandes preocupações da Black Friday são as ações de fraudadores no e-commerce. Para a ClearSale, empresa desenvolvedora de soluções antifraude, o período representa aproximadamente 26% da volumetria de um mês comum e é aproximadamente 2,5 vezes maior do que o efeito do natal no mês de dezembro.

Omar Jarouche, gerente de inteligência da ClearSale, segue a mesma linha dos outros especialistas. "Não tem como discutir: a Black Friday é muito grande", disse.

Jarouche aponta que, ao contrário do que muitos pensam, a Black Friday não registra um aumento na incidência de fraude. O motivo, segundo ele, é que a data tem muito aumento de "boas compras".

Mesmo assim, o número de fraudes evitadas, de 2016 para 2017, saltou de 4,7 mil para 5,9 mil, representando de R$ 4,7 milhões para R$ 7,6 milhões.