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Um olhar sobre as práticas ágeis no mundo

A cultura organizacional é o fator-chave para o sucesso da adoção da agilidade, mas mudar paradigmas organizacionais envolve grande dose de incertezas

Luiz Sergio Batista das Neves

04/11/2018 às 11h05

Foto: Divulgação

Provavelmente, mudança é o substantivo mais proferido já reportado na evolução humana. A tecnologia e as interações sociais são particularmente os principais motivadores que estão mudando o comportamento, os desejos e as necessidades do consumidor. Isso força as empresas a embarcar na onda da transformação digital, sustentada pela mudança dramática em seus modelos de negócio, tecnologia e operação, a fim de prosperar na chamada economia digital.

Sob uma perspectiva de negócio, a abordagem centrada no usuário foi colocada em primeiro plano, devido às rápidas mudanças no comportamento dos consumidores no mercado. Nesse sentido, as empresas começaram a conhecer mais a respeito dos hábitos de consumo de seus clientes, de forma a alinhar seus produtos e serviços. É claro que isso não poderia ser suportado pelo modelo corrente de operações, em que os frameworks tradicionais de entrega proviam resultados monolíticos em estágios finais do processo. É aí que as metodologias e frameworks ágeis protagonizam a mudança. Além disso, os modelos tecnológicos precisaram ser rapidamente reconfigurados, deixando de ser uma barreira, para se tornarem os principais facilitadores para a transformação digital.

Entretanto, ainda há muita relutância em relação à implementação da agilidade, suas metodologias e frameworks. De acordo com a pesquisa 12th Annual State of Agile Report do grupo Collabnet, somente 12% dos entrevistados reportaram que suas organizações tinham um alto nível de competência nas práticas ágeis, o que demonstra um baixo nível de maturidade em agilidade. A semântica é outro aspecto que não ajuda nessa sensibilização. As técnicas e os frameworks ágeis são concebidos para gerar valor mais rapidamente, desde o planejamento estratégico até a entrega ao cliente, por meio de ciclos mais curtos.

Porém, o pensamento que ainda predomina é que todo software será desenvolvido mais rapidamente ou de uma forma “mais ágil”, reduzindo de forma considerável o time to market. Isso vai acontecer com o tempo, mas não pelo simples fato de que uma célula ágil foi criada, e que com isso alguem tenha bradado “Somos Ágeis!”, mas como resultado de um programa abrangente de sensibilização em agilidade, com exposição e patrocínio corporativo.

Assim, não é coincidência que a principal razão para a adoção da agilidade, segundo o Agile Report, é acelerar a entrega de software (75% das respostas), ao mesmo tempo em que a velocidade ficou apenas com o quarto lugar na lista de benefícios reportados na adoção da agilidade, citada por 62% dos entrevistados.

A cultura organizacional é o fator-chave para o sucesso da adoção da agilidade, mas mudar paradigmas organizacionais envolve uma grande dose de incerteza. A forma tradicional de lidar com esse cenário requer muito planejamento prévio, o que usualmente pode levar a uma série de documentos extensos, que nunca serão lidos. Por outro lado, uma abordagem contemporânea aborda a combinação de um programa abrangente de sensibilização em agilidade com uma gradual implementação operacional, de forma priorizada e colaborativa. Além disso, e igualmente importante, a governança deve permear essa combinação, sendo essencial definir, coletar, analisar e comunicar as métricas de maturidade e operação em agilidade.

Em uma perspectiva geral, as organizações perceberam que estão obtendo os benefícios previamente alinhados na adoção da agilidade. Essa perspectiva também pode ser sumarizada pelo dado da pesquisa apontando que 98% dos entrevistados no relatório da Collabnet reportaram sucesso nos projetos ágeis em suas organizações. Olhando para o futuro, outra boa tendência é que 59% dos entrevistados afirmaram que suas empresas ainda estão amadurecendo e criando as condições em suas organizações para uma maior adaptabilidade às mudanças do mercado, sendo um grande indicador de que investimentos em agilidade continuam a crescer.

*Luiz Sergio Batista das Neves é gerente sênior da Cognizant

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