Home  >  Negócios

O que a compra da Red Hat pela IBM significa para o open source

Big Blue acaba de anunciar a aquisição mais significativa de sua história, por US$ 34 bilhões

Guilherme Borini

30/10/2018 às 8h58

Foto: Divulgação/IBM

Consolidada como a fundação para negócios da chamada era digital, a computação em nuvem tem sido o principal investimento - e até obsessão - de todas as empresas de tecnologia. A IBM, uma das gigantes do mercado, provou nesta semana que está de fato empenhada em se tornar um player relevante do setor. A empresa firmou a maior aquisição de sua história, no valor de aproximadamente US$ 34 bilhões: a escolhida é a Red Hat, empresa especializada em software open source baseados no sistema operacional Linux.

A aquisição é a maior do mercado de software, à frente de outras de impacto, como a compra do LinkedIn pela Microsoft, por US$ 26,2 bilhões, em 2016, a aquisição do WhatsApp pelo Facebook, por US$ 22 bilhões, em 2014, além da aquisição da Vertias pela Symantec, por US$ 13,5 bilhões, em 2004.

Em comunicado divulgado no último domingo (28/10), a presidente e CEO da Big Blue, Ginni Rometty, foi categórica: a aquisição é um game changing para a companhia. "Muda tudo sobre o mercado de nuvem", destacou a executiva, que afirmou também que a IBM se tornará a fornecedora de nuvem híbrida número 1 do mundo, oferecendo às empresas a única solução de nuvem aberta que irá liberar todo o valor da nuvem para seus negócios.

Com a aquisição, que será concluída apenas após aprovação de órgãos reguladores dos países envolvidos -, a Red Hat se tornará uma entidade distinta dentro da divisão Hybrid Cloud da IBM, liderada pelo atual CEO Jim Whitehurst, que está se juntando à equipe de liderança da IBM.

Arvind Krishna, vice-presidente sênior da IBM Hybrid Cloud, disse que a aquisição do principal fornecedor mundial de tecnologia de código aberto é um divisor de águas para a IBM e mudará o mercado de nuvem. "Somos os dois melhores provedores de nuvem híbrida, e ajudaremos as empresas a ir além da economia de eficiência de suas implantações iniciais de nuvem, até o próximo capítulo da nuvem, que trata de transferir aplicativos de negócios para a nuvem", comentou.

Independência

Krishna garantiu que a IBM manterá a cultura, liderança e as práticas da Red Hat. "É importante lembrar que a IBM há muito tempo é uma defensora da comunidade de código aberto, começando com nosso investimento de US$ 1 bilhão no Linux há 20 anos", lembrou o executivo.

negocio_estrategia_fusao_compra.jpg

Está claro que um dos pilares que a IBM está pregando nesse primeiro momento é o de independência para a Red Hat.

Pietro Delai, Gerente de Consultoria e Pesquisa da IDC Brasil, lembra que a receita da Red Hat é oriunda de suporte e manutenção dos produtos open source, que, por sua vez, são gratuitos. Por isso, como o objetivo da transação não é a venda de licenças, é preciso que seja mantido um esforço de suporte a plataformas para qualquer player do mercado, como é feito atualmente.

"A Red Hat precisa continuar vendendo suporte para todo o mercado para continuar gerando o mesmo volume, por isso a IBM quer manter a independência da Red Hat", comentou Delai, que acredita que o mercado não deve sentir impacto negativo, pelo menos em um primeiro momento.

Delai comparou a compra da IBM a outro grande movimento do mercado de tecnologia, anunciado em 2015, quando a Dell anunciou a compra da EMC por US$ 67 bilhões. A aquisição envolveu também a VMWare, que pertencia à EMC e passou a fazer parte do novo grupo.

"É um paralelo que pode ser feito: uma plataforma de grande uso no mercado e que tem que ter sua independência para poder existir. Não tem um movimento de trazer para dentro e guardar, o que não seria inteligente porque o produto faz sucesso pela sua disponibilidade e abrangência", disse Delai, comparando os casos de VMWare e Red Hat.

"Claro que existem diferenças entre os dois negócios. Dell e EMC são dois players de hardware, mas também com braço de software e serviços. Aqui, nesse caso, falamos de dois players principalmente de serviços: IBM e Red Hat. São diferentes, mas o negócio tem alguma semelhança: tenho uma marca dentro de mim que é importante para o mercado e tenho que mantê-la com autonomia senão mato a marca, o produto e a receita", completou o especialista da IDC.

A novidade certamente trará novo fôlego para a IBM e, consequentemente, deve trazer respostas de concorrentes em breve - candidatos não faltam: Amazon Web Services, Microsoft, Oracle, entre outras. Mas, no caso da IBM, as mudanças não são imediatas, afinal, o processo deve demorar cerca de três meses para ser concluído, segundo estimativa de Delai. A aprovação da fusão Dell e EMC, por exemplo, demorou mais de seis meses.

Tags