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RH 4.0: como unir pessoas e tecnologias para o sucesso das empresas

Como encontrar talentos da nova era digital? Como revolucionar o próprio setor de RH para estar em linha com a nova economia?

Guilherme Borini

18/10/2018 às 20h21

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Mais do que um hype, transformação digital virou uma espécie de obsessão para as companhias. Em busca de estratégias e metodologias para não sucumbir à chamada nova economia, organizações apostam em novas tecnologias e, sobretudo, em inovação para completar com sucesso a jornada de transformação digital.

A questão é que essa trilha vai muito além da equipe de tecnologia. Ela depende fundamentalmente de pessoas. Nesse sentido, o setor de Recursos Humanos vive o desafio de se adaptar ao cenário. Como encontrar talentos da nova era digital? Como revolucionar o próprio setor de RH para estar em linha com a nova economia? E, sobretudo, como aliar tecnologias e pessoas?

Se 92% dos funcionários ouvidos no estudo GPTW – Melhores Empresas para Trabalhar em TI, publicado anualmente pela IT Mídia, concordam que suas empresas seja um lugar descontraído para trabalhar, o RH passa a ter importância ainda maior para reter os talentos.

Jornada digital

Para Polianna Lopes, diretora de marketing e pessoas da Microcity, não se trata de uma transformação, pura e simplesmente. "Seria até melhor pensar em transformação, porque ela teria início, meio e fim. Mas pensamos em jornada, que é algo que estamos passando diante de toda essa revolução digital", comentou.

Ela acredita que, por ser uma empresa de tecnologia, é preciso acompanhar as tendências ainda mais de perto. "Mais do que acompanhar, antecipar."

A Microcity adotou um conceito de gamificação, não como game digital em si, mas no conceito do jogo, explica a executiva, para estimular a inovação dentro de casa. "Falamos tanto de agilidade e informação para clientes e, se não trabalharmos isso culturalmente do ‘balcão para dentro’, não conseguimos alcançar o lado ‘de fora’ - tanto na parte de atração de talentos quanto na seleção", apontou.

A principal aposta da companhia tem sido na capacitação, que conta com iniciativas como uma escola de negócios Microcity, que capacita funcionários em plataformas digitais. Há ainda um webcast a cada 15 dias voltado à área comercial ou de tecnologia.

"Nossa inovação atualmente está mais na capacitação do que no recrutamento. Não temos um volume alto de contratação, o turnover é muito baixo. A média é de cinco ou seis novas vagas por mês", afirmou Polianna.

No entanto, o fortalecimento do processo de recrutamento e seleção está no radar. "No ano que vem estará mais forte do que é hoje. O foco maior é na capacitação, cultura interna e agilidade."

Polianna Lopes, diretora de marketing e pessoas da Microcity

Inovação na prática

Julio Cesar Emmert, diretor de Talentos Humanos da Algar Tech, destaca que o conceito de RH 4.0 está fortemente influenciado pelas tecnologias, mas há um passo anterior para o RH, a mudança comportamental. "É a necessidade de entender efetivamente como as novas gerações estão mudando a forma como olham o trabalho", definiu.

O ponto levantado por Emmert é que, se atualmente as pessoas abrem uma conta de banco de forma tão simples, apenas usando o smartphone, por que as empresas exigem processo tão burocráticos para contratação? “Por que preencher dez vezes o mesmo formulário?", indagou.

Julio Cesar Emmert, diretor de RH da Algar Tech

Emmert acredita que é essencial que as organizações ofereçam a mesma experiência que o funcionário encontra na vida pessoal. "A contaminação positiva da experiência é algo que começamos a ver fortemente. O funcionário espera isso da companhia."

Para aplicar inovações no dia a dia, Emmert destaca algumas ações recentes da Algar Tech, como relógio de ponto digital e aplicativo para que funcionários de campo possam realizar todas as atividades integradas no app - o mesmo para atender clientes e bater ponto, por exemplo.

Outra iniciativa destacada pelo executivo é um app para realizar todo o processo de contratação - envio de documentos, fotos etc. "Exatamente como abertura de conta de banco", disse.

O projeto já foi testado na Algar e, segundo Emmert, começará em uma empresa menor do grupo em novembro. Na Algar Tech, o app deve entrar em operação em fevereiro de 2019. "Tivemos fortes desafios de adaptar o bakcoffice para integrar todos os processos para esse novo modo de formalização. Um dos desafios foi falar para o segurador que o processo não seria mais físico. Não basta só nós, temos de trabalhar com o ambiente para conseguirmos evoluir."

"Quando olhamos para o papel do RH, é exatamente esse: fazer a união entre pessoas e tecnologia para libertar essas necessidades de experiências melhores", completou.

Cultura

O advento de novas tecnologias tem impulsionado o modelo de trabalho flexível. Conceito que desafia fortemente o RH para integração de pessoas. O segredo para isso? Cultura. É o que acredita Sergio Povoa, VP de Gestão&Gente da Neoway.

"Mobilidade é um caminho sem volta. Com cada vez mais pessoas remotas e flexibilidade de dias e horários, se não tem uma cultura estabelecida no dia a dia, dificulta muito. Acaba não conectando as pessoas", alertou.

Por isso, desde que assumiu o comando do RH da Neoway, Povoa busca fortalecer a cultura da empresa para manter o bom clima no ambiente.

Sergio Povoa, VP de Gestão&Gente da Neoway

"Nossa cultura é muito legal: jovem e aberta a novas ideias. As pessoas são muito orgulhosas em trabalhar aqui. Isso ajuda a ter um ambiente em que pessoas participam do processo de desenvolvimento."

O executivo conta que integração é o primeiro passo quando um novo funcionário é contratado. "A pessoa entra, recebe um book e tem um padrinho que acompanha. É um banho de cultura para que os processos estejam alinhados", explicou.

Aliado à estratégia inicial, a Neoway aposta em reuniões mensais para manter o engajamento. "Temos um happy hour por mês para falarmos sobre os resultados da companhia, conquistas e desafios. Oferecemos cerveja, música, salgadinho, bolo de aniversariantes etc. No mínimo uma vez por mês conseguimos ter todo o time junto."

"Acredito muito em cultura. O grande erro que já vi em empresas no passado é não levá-la em consideração em primeiro lugar", finalizou.