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Quais estratégias formam times inovadores? Empresas do GPTW TI respondem

Muito além da construção de ambientes interativos, sem paredes, perfil criativo, gestão aberta e ambiente colaborativo favorecem inovação

Déborah Oliveira

18/10/2018 às 20h26

Foto: Shutterstock

Inovação deixou de ser diferencial. É mandatório para negócios que buscam não só se destacar no mercado, crescer, como também continuar sendo relevantes. Cientes desse cenário, a proporção de companhias brasileiras que realizaram algum tipo de inovação em processos ou produtos no primeiro trimestre de 2018 foi de 45,9% e alcançou o melhor resultado em um ano, segundo Sondagem de Inovação da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) encomendada à Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Caroline Schmitz, diretora de Pessoas da Cheesecake Labs

Mas como fomentar essa cultura na empresa e formar times para que eles, de fato, sejam voltados para a inovação? Na visão de Caroline Schmitz, diretora de Pessoas da Cheesecake Labs, que figura na lista das Melhores Empresas para Trabalhar em TI e Telecom 2018, a inovação tem de estar enraizada na cultura da empresa, assim como acontece com a desenvolvedora de plataformas digitais com sede em Florianópolis, em Santa Catarina.

Victor Gomes de Oliveira, fundador da Cheesecake Labs, foi o décimo desenvolvedor da Uber, no Vale do Silício, nos Estados Unidos, e ao voltar para o Brasil decidiu abrir a empresa e fomentar o tema desde o dia zero. “Nascemos no berço da inovação. Mantemos uma conexão com o Vale até hoje e respiramos essas práticas”, revela Caroline, destacando que um dos clientes da empresa é a Singularity University, o que acaba também facilitando o intercâmbio com mentes brilhantes.

Até mesmo para fazer parte do time da Cheesecake, o Cake, como é chamado o colaborador da empresa, tem de reunir a competência criatividade inovadora. Entre os pré-requisitos estão ainda diversidade, comunicação ativa, espírito de equipe e olhar para a comunidade.

“Esperamos que todas as áreas e pessoas tenham um grau de criatividade. Instigamos isso o tempo todo, até porque nosso ambiente aberto favorece a troca de ideias”, comenta ela, acrescentando que há ainda mesa de sinuca, aulas de ioga, nutricionista, massagista e outros recursos para garantir que as pessoas tenham saúde física e mental para produzir.

Como prática da cultura de inovação, a Cheescake promove os Brown Bag Lunchs (BBLs), encontros que ocorrem duas vezes por semana, sempre às segundas e quintas-feiras, no horário de almoço. Segundo ela, essa é uma oportunidade de compartilhar conhecimento e ficar em contato constante com boas práticas do mercado e de desenvolvimento. A iniciativa existe há dois anos e desde então já foram 133 encontros, com temas que vão de Blockchain à teoria musical.

“Somado a isso, por entendermos que a cultura open source é um dos maiores fomentadores de inovação, criamos um canal aberto no slack chamado Baking a Caker, que conta com mais de 800 membros, sendo eles na sua maioria candidatos em contato direto com os cakers e a nossa cultura. O slack agiliza a comunicação, aproxima a comunidade da Cheesecake e fomenta a troca das melhores práticas”, completa a executiva.

Muito além das paredes coloridas

Na visão de Christiane Berlinck, diretora de Recursos Humanos da IBM, a construção de ambientes interativos, sem paredes, facilita a inovação. Contudo, não é o único motivador. “Estão no pensamento e na cultura. Você pode estar em um ambiente superlegal, atrativo e convidativo para gerar ideias, mas se as pessoas que ali estão não se sentirem confortáveis, em um local seguro para inovar, não vai fluir”, revela.

Christiane Berlinck, diretora de Recursos Humanos da IBM

Por isso, diz, a IBM preocupa-se, sim, com o ambiente, mas sua cultura está sempre aberta ao novo. Tanto é que inovação é um dos valores da Big Blue. “Para nós, não é algo novo. O meio que estamos é um artefato cultural, mais do que a cultura de inovação em si”, completa.

Christiane observa que quando se fala de inovação na IBM, mais do que ideias brilhantes, a aposta é por fazer a diferença. Além disso, a empresa acredita que a diversidade fomenta sobremaneira a inovação, permitindo que as pessoas possam cocriar. “Usamos nossos recursos também para facilitar o fluxo de ideias, usando metodologias como o Desing Thinking.”

Nessa toada, a capacidade de aprender é crucial para os talentos da IBM. Por isso, a companhia sempre busca por profissionais que têm a capacidade de aprender. “A tecnologia avança rapidamente e se contratarmos pessoas com base nas capacidades de hoje, ela ficará obsoleta. Isso vale para todas as áreas”, comenta.

É por isso que, segundo Christiane, a IBM fomenta essa capacidade de diversas formas e não é preciso estar na área de pesquisa e desenvolvimento (P&D) para inovar. Ela oferece um exemplo do próprio RH. Há três anos quando o tema inteligência artificial (AI, na sigla em inglês) começou a ganhar vida na estratégia da IBM, a empresa promoveu um concurso no qual as áreas deveriam fomentar o tema internamente. Os cincos grupos de maior destaque foram até a sede da empresa, em Nova Iorque, fazer um pitch para nada menos do que Ginni Rometty, CEO global da IBM. O grupo de RH foi um dos três escolhidos para levar a ideia adiante.

“O fomento de ideias tem muito a ver com a nossa concepção de estarmos abertos ao erro. Isso é superimportante para que a cultura seja, de fato, inovadora. Se tem uma cultura muito primitiva, por mais post-it ou colorida seja a empresa, não cria um ambiente propício para inovação. Apesar de ser batido, e falado muito, faz parte do processo”, completa.

Pensar em problemas

Na desenvolvedora de sistemas sob demanda com sede no Paraná, DB1 Global Software, a inovação acontece para resolver problemas. “Não é ser um Steve Jobs, mas é gerar tudo o que podemos gerar, de fato, de melhorias. Se rodamos um sprint e conseguimos fazer algo interessante, vamos refletir sobre erros e acertos e aplicar ideias incrementais, incentivando a colaboração”, afirma Ilson Rezende, fundador e CEO da DB1.

Ilson Rezende, fundador e CEO da DB1

A empresa mantém atualmente uma área de inovação, de onde já saíram diversas ideias interessantes, como o Tinbot, robô com inteligência artificial, criado a partir da paixão de um dos colaboradores da empresa, o Marco Diniz, por robótica e do desejo de aliar essa prática ao desenvolvimento de software. Ele foi desenvolvido para exercer a função de Scrum Master ou líder de projetos, mas é configurável e tem suas ações personalizáveis.

Para Rezende, um dos segredos do sucesso da inovação é o estabelecimento inevitável de um time composto por profissionais de variadas competências e habilidades. “Quanto maior a diversidade, mais favorece a inovação e a diferenciação dos produtos. Afinal, cada um tem uma percepção de mundo e um tipo de formação, fatores fundamentais para inovar.”

Por isso, conta Rezende, a DB1 busca contratar e fomentar internamente mentes inquietas e curiosas. “Descobrimos essas pessoas e damos condições para que elas avancem. Foi assim com o Tinbot”, revela, acrescentando que a empresa também está conectada ao ecossistema de inovação da Evoa, aceleradora de Maringá e região, fazendo, assim, com o tema extrapole os muros da empresa e ganhe escala.

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