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Estrutura horizontal é segredo da MadeinWeb e Mobile

Participando pela primeira vez do ranking GPTW TI e Telecom, empresa paulistana aposta em gestão horizontal e voz ativa para estimular colaboradores

Marcelo Gimenes Vieira, especial para a Computerworld

18/10/2018 às 20h49

MadeinWeb e Mobile
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Uma estrutura horizontal, em que o colaborador tem liberdade para sugerir praticamente qualquer coisa, e em que as possibilidades de crescimento acontecem inclusive se o promovido não quiser se tornar um gestor. Essa é a MadeinWeb e Mobile, empresa paulistana especialista em desenvolvimento de soluções para internet e dispositivos móveis que aparece pela primeira vez no ranking GPTW TI e Telecom, publicado pela IT Mídia, – e já em posição de destaque, no 3º lugar entre as empresas pequenas.

Como sede na região da Avenida Paulista, a Made, como chamam os colaboradores, até então promovia pesquisas de clima e colhia bons resultados, mas preferia se manter “low profile”. Isso até 2014, quando mudou de postura, explica o CEO da companhia, Vinicius Gallafrio.

“Tomei a decisão de concorrer a alguns prêmios e aparecer mais na mídia. Recebemos algumas premiações e o ano passado começamos um processo de internacionalização e profissionalização da cultura. Criamos um processo para crescimento, um comitê de lideranças etc. Aí entra o GPTW.”

Para o executivo, os bons resultados estão muito ligados à cultura da companhia somada às práticas bastante abertas de recursos humanos. No processo de feedbacks, o Made Maker, como são chamados os colaboradores, não só ouve como pode melhorar, mas também diz o que espera da empresa e como nela se encaixa. Não à toa, esse processo é feito em um café da manhã ou almoço, o que torna o ambiente mais desinibido e aberto à conversa. Para Gallafrio, isso ajuda a alinhar expectativas.

“Em vez de dar feedback em uma sala ou mandar formulário, buscamos tirar o processo do contexto da empresa. Vamos com cada colaborador ao restaurante que ele gosta, o que já cria uma experiência”, conta. “Se ele tem um feedback positivo, ou dois positivos sequenciais a cada seis meses, buscamos surpreendê-lo por meio de algum bônus, que depende muito do colaborador.”

Ou seja, nem sempre se trata de dinheiro ou aumento salarial, explica o executivo. Às vezes é uma experiência - voucher para jantar com a família, por exemplo, ingresso para um show, ou um fone de ouvido de marca etc. São “pequenos mimos” para que o funcionário se sinta reconhecido pelo esforço adicional.

O clima é outro fator apontado pelo executivo como parte do sucesso. Mesa de sinuca e áreas de descontração com xadrez, videogame e outros jogos estimulam os 54 funcionários, cuja média de idade é de 27 anos (22 anos entre os desenvolvedores), a pedirem uma pizza e fazerem campeonatos em vez de irem para casa após o expediente.

A gestão estimula essas atividades organizadas fora do horário de trabalho, e mesmo durante não existe restrição. “O pessoal tem bom senso e consegue se virar bem”, pondera. O importante é estimular a sinergia entre os colaboradores.

Vinicius Gallafrio, CEO da companhia

Oportunidades

O grande diferencial da MadeinWeb e Mobile em gestão de pessoas, para o CEO, são as oportunidades e a voz, de fato, dadas aos colaboradores. Boas sugestões podem vir de qualquer um. O objetivo é manter o time próximo e criar um ambiente harmônico. E um código de cultura tenta alinhar os parâmetros para o escritório.

“Do mesmo jeito que selecionamos, o candidato também está. E ele tem de eleger a Made como uma empresa em que ele quer trabalhar”, explica Gallafrio.

As oportunidades também aparecem em capacitação. Recentemente, a empresa mapeou as habilidades necessárias e criou cinco trilhas de treinamento para cada uma das áreas. Os líderes de cada prática definem quais delas servirão para cada funcionário, mas há algumas comuns a todos.

As promoções são feitas sempre nas ocasiões de feedbacks. A estrutura da Made, que é pouco hierárquica e promove as chamadas “carreiras em Y”, não exige que o colaborador necessariamente almeje um cargo de gerencia para crescer e ganhar mais. Um bom técnico pode receber tanto ou mais do que um gerente.

“Posso perder esse técnico que não é bom com gestão de pessoas. Com essa flexibilidade, ele não necessariamente precisar querer ser gerente, é possível crescer sendo um bom técnico”, pondera Gallafrio. Em 2017, a MadeinWeb e Mobile promoveu oito colaboradores.

Há ainda um programa de intercâmbio, que subsidia a ida de dois funcionários (em 2019 serão três) para um curso da sua preferência no exterior. Pode ser um curso de inglês ou mais técnico, como uma especialização em gerente de projeto. A empresa banca o passaporte e o curso e oferece uma verba para cobrir hospedagem e outros custos: US$ 1,2 mil.

“Estamos mandando o talento para outro país e queremos que seja inesquecível”, diz o CEO. Funcionários elegíveis são aqueles que se destacam, ou seja, “tem de estar entregando acima da média de todos por um período consistente”.

Futuro

Entre os feedbacks recebidos pela companhia durante o processo de submissão ao GPTW, pontos que necessitavam de melhorias foram apontados. Reforçar os treinamentos foi um deles, algo que a empresa tem feito desde já.

Outro foi a comunicação. Comunicar mais e melhor, de forma reduzir o nível de ruído entre as áreas. O grande desafio é melhorar é garantir que todos saibam o que acontece na empresa e quais próximos passos ela dará. O esforço inclui a criação de processos simples de comunicados formais via e-mail e uma intranet conectado ao app corporativo e outras ferramentas da Made.

Top 3 entre as Pequenas no ranking GPTW TI

1º Sydle

2º DP6

3º MadeInWeb