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5 perguntas para o CEO: Marcelo Rezende, da Qlik

Executivo assume missão de disseminar economia analítica e cultura de dados nas empresas brasileiras

Guilherme Borini

09/10/2018 às 8h41

Marcelo Rezende - Qlik
Foto: Divulgação/Qlik

A norte-americana Qlik é uma das empresas de software de inteligência de negócios e visualização que busca disseminar no mercado a chamada "economia analítica".

Em meio à explosão no número de informações, oriundas das mais diversas fontes, dados já são considerados por diversos especialistas como o "novo petróleo", tamanho seu valor. Mas o fato é que, sem inteligência, eles serão apenas uma grande quantidade de informações, mas sem insights úteis para negócios e vantagens competitivas.

É onde a Qlik se posiciona: transformar dados em informações úteis para organizações.

No Brasil, quem lidera a companhia desde maio de 2017 é o country manager Marcelo Rezende, que afirma ter assumido o desafio justamente por se considerar contagiado por esse mundo dos dados.

Rezende foi country manager da BMC Software no Brasil entre 2009 e 2010 e, nos três anos seguintes, liderou a Anixter no País. No final de 2014, decidiu tomar novo rumo na carreira e tirou um tempo para estudos e vivência com a família nos EUA. Morou em algumas diferentes cidades norte-americanas, entre elas Los Angeles (EUA), onde concluiu estudos de negócios na Universidade da Califórnia (UCLA).

De volta ao Brasil em 2017, assumiu a Qlik, onde tem, segundo ele, conquistado resultados expressivos com a operação local.

Confira a entrevista com o executivo, que conversou com a Computerworld Brasil, como parte da seção "5 perguntas para o CEO":

Computerworld Brasil: Big data, Analytics, cloud e tomada de decisões. O que é e qual o futuro da chamada Economia Analítica?

Marcelo Rezende: O futuro é difícil de dizer, mas uma coisa é fato: ela não vai embora . Não tem como mais você gerenciar uma empresa da maneira que era feito antigamente. Muito se diz que o dado virou o novo petróleo no sentido de quanto o petróleo valia financeiramente, tamanha importância desse dado hoje em dia. Mas o dado por si só, se você não extrair o conhecimento e relacionar com outras informações, você não consegue fazer nada. Acreditamos que essa parte analítica, o mercado em si, não somente a Qlik, será fundamental para que essas novas empresas alavanquem os dados para reduzir custos, reinventar processos, buscar novas fontes de receitas e aumentar fonte de receita.

CW: Empresas brasileiras já criaram a chamada cultura de dados?

Marcelo: Não. Fizemos uma pesquisa ao longo do ano passado e, hoje, as empresas que têm executivo que tomam decisão com base em dados está por volta de apenas 24%. O Gartner reparou esse gap, no sentido do conceito de data literacy, ou o analfabetismo de dados. A Qlik está fazendo um programa de, identificado esse gap, mostrar o que fazemos para que a economia decole.

Você fala inglês, espanhol, italiano.. mas a comparação aqui é: você fala dados? Acreditamos que dados serão um pré-requisito fundamental para qualquer função do futuro. Você é fluente em dados? Você sabe olhar e entender aquela gráfico?

Temos falado de inteligência aumentada em vez de inteligência artificial. Nosso papel é tratar essa informação e dar o dado para que a empresa tome a decisão.

CW: Qual o nível de automação para esse mercado?

Marcelo: Nem tudo pode ser automatizado e a crença da Qlik é que sempre haverá um ser humano por trás tomando decisão estratégica. Muitas coisas serão automatizadas, mas acreditamos que para decisões de negócios haverá o ser humano para decisões estratégicas. Automação não resolve tudo, mas é parte do processo.

CW: Experiência do usuário pode ser considerada o futuro e tendência do software?

Marcelo: Sim, principalmente com o mundo indo para SaaS. Acabou o mundo que você vendia na prateleira. Acreditamos muito que experiência do usuário é o que vai levar qualquer empresa de software para um futuro bem-sucedido.

Recentemente fizemos modificações no corpo diretivo da empresa e agora existe uma vertical exclusiva de experiencia do usuário. Do lado do software, há menos de um ano criamos o "Any minutes to insight", que responde qual a quantidade que um usuário leigo em Qlik leva para sair de uma base de dados par ao primeiro insight. Quando cheguei aqui ha um ano, estava em sete minutos. Hoje está em menos de dois minutos. Temos trabalhado cada vez mais para automatizar o processo, sempre escolhendo o que faz sentido ou não para o cliente.

CW: Você assumiu a posição de country manager da Qlik no Brasil em 2017. Qual o balanço inicial e próximos passos?

Marcelo: Comecei em maio fazendo o reposicionamento do go-to-market - sempre via canais, com modelo indireto. O que muita gente da indústria escuta falarmos é de estarmos próximos do fabricante, munindo as empresas com informações técnicas, de como resolver problemas. Isso ainda é papel primário do fabricante e as revendas têm de acompanhar. Mudamos muito o posicionamento de como interagimos com as empresas.

Saímos do banco passageiro para o do motorista. Não vamos tirar canal, não vamos mudar nosso jeito de ser, mas é responsabilidade fundamental da Qlik informar os clientes das capacidades que temos para resolver problemas de negócios dele. E, sobretudo, sempre focando em resolver problemas de negócios e não apenas vender licenças. Qual problema resolvo? Como resolvo? Que problemas identificamos e como vamos resolver? Se eu souber isso, dá para quantificar o tamanho do nosso valor para o cliente. Se não fizer isso, é briga de mercado e preço.

A estratégia vem funcionando muito bem. Tivemos crescimento expressivo ano a ano. Entregamos plano do ano passaodo, que já estava desenhado e agora, no período janeiro-setembro, tivemos mudanças significativas, com crescimento de dois dígitos. Muito feliz, em um ambiente muito legal.