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O que o CEO pode aprender com o CFO?

Complementar sua visão e capacidade de gestão ao observar a perspectiva de um CFO é uma expertise necessária para um CEO do mundo moderno

Alexandre Velilla Garcia*

04/10/2018 às 12h06

Foto: Shutterstock

No meio executivo, o cargo de CEO costuma ser a aspiração final e mais almejada dentro de uma organização. Mas acredito ser fundamental termos em mente que, um profissional comprometido com o seu próprio desenvolvimento, sempre irá procurar absorver ao máximo a aprendizagem de cada função ocupada durante sua trajetória corporativa.

Todos nós temos sonhos e objetivos, e assim, manter uma visão que coloque cada passo como uma chance de ampliar os conhecimentos é fundamental para a nossa formação em todas as esferas da vida.

Seguindo este raciocínio, cada posição que você ocupar dentro de uma empresa poderá complementar seu know-how, lhe tornando um líder mais completo, capaz de carregar uma visão abrangente sobre os aspectos administrativos, operacionais e desafiantes de uma empresa.

Mas o que um CEO pode aprender com o CFO? Tento decifrar esta questão ao longo deste artigo.

CFO: papel estratégico em sua essência

Derivada do inglês “Chief Financial Officer”, o líder das áreas financeiras e administrativas é a pessoa que será encarregada, como fica implícito, de tudo o que se relaciona com a saúde das finanças de uma empresa.

Logo, ele é o responsável pelas estratégias de direcionamento de recursos para todos os departamentos, pelos encargos tributários, gestão das contas, gerenciamento dos riscos e do orçamento, pelo acompanhamento das entradas e saídas de capital, atuando diretamente em todas as decisões referentes aos futuros passos, metas, investimentos e projetos da empresa.

Por conseguinte, ele deve atuar sempre visando a máxima eficiência financeira e operacional, bem como, a proteção da companhia para eventuais riscos e para que nenhum aspecto seja lesado ou negligenciado dentro da corporação.

Pode-se dizer, então, que um CFO lida com a manutenção da estabilidade de um negócio em sua essência, pois é a sua função que permite que todos os outros setores continuem a operar plena e eficientemente.

Dada esta compreensão do que cabe a um CFO, podemos então visualizar o quão ampla e flexível é a sua atividade dentro de uma empresa. Supervisionando todos os outros setores sob o viés financeiro, um CFO possui um panorama completo de tudo que acontece na empresa! Enxerga lacunas, necessidades e carências, assim como seus pontos fortes, e futuros caminhos a serem traçados.

Embora não vá agir diretamente na gestão de todas essas outras esferas da companhia, como fará o seu CEO, ele terá um visão interna de todo o fluxo de trabalho e de capital que irão determinar o futuro de uma organização.

Esta visão interna do negócio é de grande auxílio no trabalho do próprio CEO, uma vez que o olhar criterioso do CFO compreende a capacidade de crescimento da empresa, ajudando assim em todo seu processo de tomada de decisões e formação de estratégias.

Complementando e ampliando a perspectiva

Embora a definição mais comum de um CEO é aquela que o coloca como o responsável absoluto por tudo que ocorre dentro de uma empresa, assim como por aqueles que fazem parte da organização, hoje em dia este conceito está passando por um processo de reformulação.

Neste sentido, o CEO é uma pessoa com uma visão empreendedora nata que tem, por natureza, a capacidade de assumir riscos e uma visão administrativa em tudo que se propõe a fazer.

Porém, por mais essenciais que tais qualidades sejam, é natural que tais profissionais não tenham o arcabouço, o know-how ou mais precisamente todo o conhecimento técnico necessário de cada área de uma empresa.

Afinal de contas, do contrário, não existiram companhias, mas somente CEOs isolados.

Pensando nisso, aproveitar cada experiência na nossa trajetória profissional é de fundamental importância para que nos tornemos profissionais cada vez mais completos, enquanto líderes de uma organização. Além disso, devemos sempre ser capazes de manter um diálogo franco, direto e contínuo com os gestores das outras áreas.

Deste modo, ao compreender e aprender com os skills de um CFO, o CEO estará mais apto a oferecer insights e novos ângulos de análise para as diferentes situações do negócio.

Atitudes como pensamento estratégico, gestão de crise, coordenação de pessoas, regulação e monitoramento de procedimentos, dentre muitas outras, fazem parte da realidade tanto de gestores financeiros quanto dos líderes gerais de uma organização. Por isso mesmo, ambas as lideranças podem e devem se inter-relacionar.

A união de forças

Com isso, podemos compreender o quão benéfica e até mesmo primordial é a interação saudável e efetiva entre ambos os cargos - o de CEO e o de CFO -, para um desenvolvimento próspero e contínuo de uma empresa.

Enquanto o primeiro possui a liderança nata, o olhar visionário e o talento de transformar ideias em negócios, projetos e produtos promissores, o segundo traz consigo a prática da razoabilidade, da compreensão do estado geral de uma empresa, da coordenação de tarefas com viés pragmático, do delineamento de objetivos e os meios para se chegar lá, de forma sustentável, perene e ordenada.

Em outras palavras: a intersecção das habilidades destes cargos é essencial para o êxito de uma empresa que, funcionando em sintonia, tem todos os instrumentos para crescer e conquistar seu lugar ao sol.

*Alexandre Velilla Garcia é CEO do Cel.lep Idiomas e atuou como CFO da companhia por 5 anos

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