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Telefônica lança Manifesto com foco em digitalização humanizada

Baseado em cinco capítulos, documento segue modelo apresentado pela companhia na Espanha

Vitor Cavalcanti

01/10/2018 às 13h38

Telefônica lança Manifesto com foco em digitalização humanizada
Foto: Shutterstock

Está em curso uma mudança profunda na forma de viver muito causada pela digitalização e todos os seus impactos na sociedade. Se o movimento é irreversível, ele também não é para daqui 20 anos. Dados da McKinsey que apontam que metade dos trabalhos serão feitos por robôs preveem essa realidade para os próximos sete anos. Diante dessa situação, que traz ruptura para todos os setores, o que precisa ser feito?

No Brasil, variadas iniciativas têm sido apresentadas, sobretudo, pelo mundo corporativo, para tratar desse assunto e sugerir ações aos governantes. Nesta segunda-feira, quem apresentou a sua foi a Telefônica, num documento chamado de Manifesto por um Novo Pacto Digital.

Composto por cinco princípios (digitalização, inclusão digital, educação, segurança e privacidade e modernização das leis e políticas públicas), o documento revisita o primeiro manifesto que a empresa fez em 2014 quando o foco era o acesso à internet segura e aberta para todos clientes. Agora, o trabalho mira todo o impacto em negócios e sociedade e coloca a pessoa no centro da discussão. Como lembrou o presidente da Telefônica Brasil, Eduardo Navarro, passamos por um momento em que tudo que aprendemos nos últimos anos está em questionamento, tudo pode mudar a qualquer momento.

"Quanto tempo ficamos sem internet? Mais que isso, quanto tempo ficamos sem os aplicativos? O que aconteceria sem nossa rede de internet hoje? Não seríamos atendido nos hospitais, o avião não sairia, não tiraríamos dinheiro no banco. A internet transcende o que a gente imagina”, exemplificou Navarro.

Ele entende, no entanto, que existe o lado bom desse processo quando olhamos o Brasil de forma mais ampla já que, querendo ou não, o País está totalmente inserido nesse contexto. São 127 milhões de pessoas no Facebook, 120 milhões no WhatsApp, 139 milhões conectados, e muitas horas investidas conectadas, assistindo vídeos sob demanda e nas redes sociais. "Em geral, somos top 5 nas empresas digitais, são muitos brasileiros que gostam de estar conectados e que têm algo a dizer.”

Um dos grandes desafios para essa sociedade que emerge é que as regras não estão escritas e já existem sistemas de inteligência artificial com perfil psicopata. Isso sem falar das questões relacionadas à privacidade dos dados que gera e vai gerar muita polêmica, além da já amplamente discutida revolução no mercado de trabalho. Como as leis se adaptariam a isso? O marco regulatório do Brasil é bastante arcaico e precisaria ser revolucionado para dar conta.

“Queremos convocar a sociedade brasileira e propor esse debate ao governo para não perder esse tempo. Assim como Rousseau identificou no passado que a ordem social era um direito sagrado, estamos convencidos que a nova ordem digital requer discussão dessa natureza. Entendemos que, como Telefonica, temos legitimidade para participar dessa discussão”, pontuou Navarro.

Digitalização humanizada

O foco do pacto da Telefonica está centrado numa digitalização humanizada não por acaso. A quantidade de pessoas afetadas pela robotização é grande e não atinge apenas profissionais empregados em atividades de trabalho repetitivo ou call center, mas, por conta do avanço de AI e computação cognitiva, médicos, advogados, contadores, jornalistas, entre outros, estão no fogo cruzado. Assim, o que a companhia propõe é um trabalho baseado em cinco pontos:

1 - Impulsionar maior conectividade e melhorar uso da rede atual. Governo aberto e digital que fomenta a digitalização das pessoas

2 - Reformar políticas sociais e fiscais para as sociedade digitais: passa por novos modelos educacionais, educação dos professores, inovar em matéria fiscal e o mercado de trabalho que está em grande mudança, mantendo a proteção dos trabalhadores, mas trazendo a flexibilidade do digital, como lembrou Enrique Medina, Chief Policy Officer da Telefônica.

3- Empoderar os usuários para que controlem sua vida digital: isso pede uma nova ética de dados, transparência de escolha, novas formas de cooperação pública e privada e garantias de segurança e privacidade.

4 - Desenvolver plataformas mais equitativas e algoritmos responsáveis: com comportamento auditável e responsável, manter aplicação de valores e o Estado de Direito, encarar dados como ativo competitivo, serviços globais e jurisdições nacionais.

5 - Modernizar diretos e políticas: com carta de direitos digitais, novo paradigma regulatório, proteção das pessoas e da concorrência e maior cooperação global.

O documento segue exatamente o modelo apresentado na Espanha, o que deve diferir a partir de agora são as ações, já que cada país tem suas particularidades. A ideia da Telefonica é agregar outras empresas ao pacto, inclusive as demais operadoras, criando um consenso entre os objetivos e as ações a serem tomadas. "O que já falamos entre nós (operadoras), alguns dos aspectos de conectividade são políticas públicas. Mas entendo que vários assuntos que integram o pacto já foram discutidos e a probabilidade de consenso é grande”, comentou Navarro.

Sobre o diálogo com os candidatos à Presidência, o CEO da Telefonica relatou que houve encontro com representantes e que a mensagem de que esse assunto era importante foi levada. “Mas a realidade é que o assunto foi pouco debatido, com alguma pincelada ou outra, mas a percepção de uma nova realidade e de que o Brasil precisa se inserir a isso não está na agenda dos candidatos”, completou Navarro.