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Cloud Privada: a plataforma não está mais na nuvem?

Cloud privada não é uma nuvem para chamar de sua

Leonardo Menezes*

01/10/2018 às 13h29

Foto: Divulgação/Oi

Temos visto no mercado corporativo uma demanda crescente por cloud no Brasil e com isso começam a surgir diversas matérias, estudos, pesquisas e artigos com uma enorme diversidade de conceitos e definições que por um lado ajudam a impulsionar a demanda (fato!), mas por outro geram muita confusão de entendimento, tornando o processo de decisão cada vez mais complexo.

Na era digital, o acesso à informação não é mais problema, mas saber analisar as informações e tomar a melhor decisão é um enorme desafio. Nesse cenário, o gestor de TI das empresas tem dificuldade de definir qual a melhor solução, lembrando que por um lado precisam do melhor custo e por outro o melhor SLA possível, ou seja, tarefa árdua.

Com a onda da transformação digital avançando sobre o mercado, as empresas não têm mais opção e precisam se posicionar em relação ao tema, desenvolvendo produtos e serviços que garantam a experiência digital para seus clientes.

Essas novas aplicações, em sua grande maioria, já são cloud native, ou seja, já nascem desenvolvidas para ambientes de cloud e, com isso, direta ou indiretamente as empresas estão adotando cloud. Diretamente quando ela mesma desenvolve a aplicação e indiretamente com contrata alguma aplicação de mercado no modelo as a service.

Para uma fatia do mercado esse cenário é bem conhecido e cloud já "está no sangue" da empresa, ou seja, cloud é o padrão de infra da TI. No entanto para muitas empresas no Brasil, cloud ainda é uma coisa relativamente nova, até mesmo para as grandes corporações que ainda possuem um legado gigante hospedado em servidores físicos e até mainframes.

Com a adoção de cloud avançando, o volume de aplicações naturalmente aumentou e dessa forma começamos a esbarrar em custo para escalar e em questões de compliance e segurança. Mas como assim? Cloud não é exatamente um modelo barato, flexível e seguro?

Bom, vamos lá. Em primeiro lugar: Sim! Plataformas de cloud públicas são flexíveis e seguras, mas não necessariamente baratas e adequadas às suas políticas internas. Podemos comparar uma cloud pública com uma loja de conveniência: são práticas, fáceis de usar e garantem agilidade, mas todos sabemos que conveniência tem seu preço.

Contratar um servidor virtual hoje é extremamente simples, bastam alguns cliques e um cartão de crédito, mas escalar um ambiente de uma empresa de médio e grande porte não é simples assim e começa a ficar mais oneroso. Quando se tem pouco volume, a loja de conveniência atende bem, mas quando se cresce muito o cenário é diferente

Além do custo, a empresa começa a se preocupar mais com a gestão do ambiente e em muitos casos precisa definir suas próprias políticas de compliance e segurança. Isso na cloud pública não é viável, pois para haver conveniência há de se ter um padrão, mas depois de um certo ponto a empresa não cabe mais nesse padrão e precisa então definir o seu próprio modelo. É aí que entra a cloud privada, que nada mais é que a mesma experiência de uma cloud pública, mas num ambiente apartado com maior controle e gestão por parte da empresa.

Por conta desse cenário é que a cloud privada vai garantir a mesma experiência das "nuvens" para as "mãos" da empresa. Cloud não é só uma tecnologia, e sim um modelo de disponibilização de infra. É poder configurar, reconfigurar e desconfigurar a qualquer tempo, é poder dimensionar e redimensionar servidores automaticamente ou em poucos cliques. É ter flexibilidade e agilidade. E quando se tem volume, essa experiência não precisa estar distante e "perdida na nuvem".

Cloud privada não é uma cloud para chamar de sua. É a consequência natural da evolução da adoção do modelo de cloud. Em todo mercado pode-se comprar no varejo ou no atacado. A cloud privada nada mais é do que o atacado do mundo de cloud com uma boa pitada de gestão e controle.

*Leonardo Menezes é líder em Produtos e Ofertas de TI na Oi